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Terça-feira
Trabalhando de madrugada a gente aprende a ser tolerante.
Primeiro com aquelas pessoas que de vez em quando estão na padaria tomando um copo de pinga em plena manhã de quarta-feira. Para quem acordou pouco antes é das coisas mais impressionantes e talvez repugnantes sentir o cheiro do álcool enquanto se compra pão e a Monalisa Perroni fala alguma bobagem no Bom Dia São Paulo.
Mas para quem trabalhou a noite inteira é a happy hour, vai dar um bom soninho para ir à cama contente.
Outra coisa é admitir que é possível dormir com barulho de obras, de bate-estacas, de crianças correndo e gritando. Quem consegue dormir durante o dia nunca vai ter problemas com vizinhos notívagos, apartamentos com vista para avenidas nem em prédios que têm a sorte de ter alugados os salões do térreo para bares de karaokê.
Se você usa a madrugada para ler os jornais do dia, então, meu Deus: dá a sensação deliciosa de onisciência. Todo mundo acordando desinformado e você já com os comentários dos analistas na ponta da língua.
Agora tem uma coisa: se você consegue se adaptar muito bem ao horário invertido, os dias de folga se transformam em dias de agonia. Eu por enquanto tenho só uma folga por semana, a madrugada do domingo. Vem cá, me diz: como se faz para reinverter o horário em um único dia? Impossível. O jeito é continuar acordado.
E esse "acordamento" já me deu tanta felicidade nos últimos fins de semana... Há três semanas foi a peregrinação pelas ruas do centro da cidade, todo mundo pobre, procurando uma boa cerveja ou um bar minimamente aconchegante na boca do lixo. Tudo para esperar as 5 horas da manhã e pagar menos no after hours da balada.
Há duas semanas a madrugada não foi tão produtiva e acabei amanhecendo de frente para a internet. Mas de todo jeito as coincidências da vida fizeram da manhã um deleite.
E agora, nesse fim de semana, mais uma madrugada com dose tripla: primeiro encontrei até o irmão na porta da casa noturna. Aí mudei para a de sempre, que estava com um público péssimo. Já acompanhado, voltei à do After Hours de antes, para terminar em casa de novo amanhecendo em deleite.
Calma: não tem nada a ver com a nova maionese.
Mas de tudo isso o melhor é que ninguém pode te chamar de vagabundo. E o porteiro já não sabe mais quando eu trabalho e quando eu me divirto.
postado por: guilherme Terça-feira, Julho 29, 2008
Palpites pelo mundo:
Sábado
Reinauguro plagiando.
É que hoje de manhã estava lendo El País, o melhor jornal mesmo, e descobri que a Elvira Lindo, minha cronista favorita, conheceu no metrô de Nova Iorque um rapazinho jovem espanhol com quem travou amizade. A coluna do domingo passado era sobre ele, sobre a relação dos dois e sobre um documentário que ele está fazendo.
Bom, o que vou dizer agora não é o que importa nem o que me motivou a reinaugurar este espaço, mas vale a pena dizer: no texto ela colocava de maneira muito forte esse traço da personalidade das pessoas que deixam seus lugares natais - sejam cidades, vilas, estados países. Cada dia mais penso no valor de uma viagem e de um mergulho em outra cultura - ok, sei que estou me repetindo. Mas é que o Janer Cristaldo também elogia muito essa dinâmica do viajante, do descobridor.
Quem nasce em região de fronteira tem duas opções: ou olha desconfiado para o más allá e se agarra ao seu próprio país, afundando em um nacionalismo burro (com o perdão da redundância) ou então percebe que do outro lado pode estar um mundo muito interessante -- isso é o que diz o Janer e é assim que eu penso.
Mas, voltando, a Elvira dá o nome do rapaz. Fazendo uma pesquisa google encontro o blog do rapaz e fuçando um pouco me deparo com um post muito bonito, de uma conversa que ele tem com a empregada mexicana de uma lavanderia. O texto está em catalão e em espanhol, mas vale a pena o esforço para entender.
Como diria Maysa, "espero que vocês me recebam com o mesmo carinho com que eu volto para vocês".
Matí de dimecres a Harlem. Són les nou del matí però la xafogor del juliol es deixa sentir en uns carrers que ja porten unes quantes hores desperts. Passo per davant de la meva bugaderia i veig a la Rosa, una mexicana de vint-i-set anys que plega la roba amb ulls absents.
La Rosa està sola avui. Només el soroll d'un telenovel·la de la cadena Univisión trenca la infernal monotonia circular de les rentadores i secadores. Entro i no em veu: la Rosa continua mirant per la finestra. Li dic hola, no em contesta. Mirada perduda a l'infinit.
Blancs amb blancs, colors a un costat i la roba que no vull que se m'encongeixi més va directa a una altra rentadora. Col·loco la tarja, pago i sento com l'aigua comença a emportar-se el detergent del pre-rentat. Sembla que aquest soroll familiar desperti la Rosa qui em pregunta quan he arribat.
"Es que sabe, ayer me fui a bailar y he dormido muy pocas horas" em confessa tímidament. "Mis amigas me llamaron para ir a rumbear y como mi marido (un cantant de "rancheras") no trabajaba esta noche y podía hacerse cargo de los niños decidí salir con ellas". Li comento si vol un cafè i em diu que no, amb una mirada plena de picardia em diu "es que estoy a dieta".
La Rosa és la petita de 13 germans. Als 12 anys va haver d'abandonar el col·legi perquè els seus pares no tenien diners "¿sabe? mis papás solo pudieron pagar la educación de uno de los hijos. Mi hermano mayor fue el afortunado. Él pudo ir a la universidad y cuándo empezó a trabajar nunca retornó ningún peso para que los otros pudiéramos seguir prosperando". Li pregunto que va fer al deixar el col·legi i, amb un somriure d'orella a orella, em contesta "cultivar tomates".
"No te puedes imaginar lo bonito que es ver crecer una planta. Cuando era chica, yo tenía que atar las ramitas a unos alambres para que la planta creciera bien recta. Yo iba con mucho cuidado ya que mi jefe se enfadaba cuando una planta crecía torcida". La Rosa no para de parlar "¿Sabe? Mi pueblo estaba muy lejos de la capital y lo único que nos quedaba de comida eran los tomates y los pepinos que cultivábamos... Usted no puede imaginarse lo ricos que estaban estos tomates: rojos, frescos, no como estos que hay ahora en el supermercado que están rojos de afuera y verdes por dentro..."
"¿Pero usted no se aburría comiendo siempre lo mismo, comiendo tomates todo el día?", li pregunto i ella em diu "No, no... yo estaba bien feliz con mis tomates. Mira, cuándo yo estaba a punto de comerme un tomate, cerraba los ojos. Cuando lo mordía, me ponía a imaginar que estaba comiendo otra fruta: una piña, un melocotón, una fresa,..."
Instàniament li pregunto: ¿Y qué sabor tenían?
"Javier, no te lo podrás creer pero nunca he podido volver a comer una fruta tan dulce y sabrosa como esta"
postado por: guilherme Sábado, Julho 26, 2008
Palpites pelo mundo:
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De Mel
Mind the Gap
Em Preto e Branco
Torre de Papel
Poluição d'Idéias
suco
Tabacaria
La vie en rose
Retalhos do Mosaico
Atual
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