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Quinta-feira
Se os gatos de Istambul são diferentes dos outros gatos (sim, vou continuar com a minha masturbação mental particular), então os jornais gratuitos de São Paulo são os mais bizarros do mundo!
Vejam só, reparem bem: eu apanho o ônibus todos os dias no último ponto da avenida Professor Francisco Morato (aliás, um pedacinho do inferno). Milhares de pessoas fazem a mesma coisa, e os ônibus dali cruzam o rio sobre a ponte Eusébio Mattoso para pegar a avenida de mesmo nome e o malfadado corredor da Rebouças ou então pegam a Bernardo Goldfarb e atravessam outro pedacinho do inferno (rua Butantã, Largo de Pinheiros, Largo da Batata) para subir a Rua Teodoro Sampaio.
Nesse ponto de ônibus não são distribuídos os jornais gratuitos. Os dois entregadores do jornal estão a alguns metros, no semáforo, distribuindo-no para os motoristas parados no trânsito infernal.
E a capa do jornal de hoje, que eu vi por acaso aqui no escritório, é sobre o aumento das infrações mais perigosas no trânsito. Uma notícia de carros para motoristas de carros.
Segundo a reportagem do Paulo Henrique Amorim ("Olá, tudo bem?") no Fantástico da Record, o caos há de se instalar (são 700 novos automóveis por dia na cidade - e só os que recebem a placa da cidade, não entram na conta os com placa de outro estado ou os com placa de Cotia e afins) e vamos viver o imenso congestionamento do conto do Cortázar (Auto-estrada do Sul) às 19h do dia 14 de novembro de 2012.
Estou mais ansioso pra isso do que pra mudança da matriz energética do mundo!
postado por: guilherme Quinta-feira, Novembro 29, 2007
Palpites pelo mundo:
Quarta-feira
Segundo alguns, os cachorros de rua de Lisboa têm as patas mais curtas do que os outros cachorros, de rua ou não.
A mesma fonte me afirmou que os gatos de Istambul são diferentes. Mas não deu tempo de perguntar por quê, a Genalva chegou e buscou a minha fonte. Levou pra longe.
Lanço aqui então a proposta/desafio: por que os gatos de Istambul são diferentes? O que eles têm que os outros gatos do mundo não têm?
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Depois de descobrir o e-mule, entrei para o mundo do soulseek. Acho que estou começando a ficar com a mesma agonia que me dá quando entro numa livraria (ou, em menor escala, a que me dá quando abro o meu guarda-roupa onde estão os livros (seria um guarda-livros?) que eu compro sempre e não leio nunca.
Quanta música no mundo. E pra tão longo amor, tão curta a vida!
postado por: guilherme Quarta-feira, Novembro 28, 2007
Palpites pelo mundo:
Andei pela rua e vi, juro, a poesia concreta.
No alto do andaime, debaixo desse sol senegalês, estava o operário com seu macacão puído e esbranquiçado de pó de obra (ó, edifícios, do pó viestes, ao pó voltareis). Pernas abertas e um pouco flexionadas contra o céu azul. Na calçada, cercado por fita preto-amarela, outro operário sob o sol, ao lado de uma pilha de tijolos. E era coreografado: o operário de baixo dobrava as costas, agarrava um tijolo com a mão e, com as duas, arremessava para o alto, numa perpendicular perfeita em relação ao chão. Calculada com precisão a força com que deveria arremessá-lo, o tijolo estacionava no ar por um instante, congelado, sem movimento de rotação, equilibrado no ar contra o céu azul. O seu segundo de liberdade era destroçado no instante seguinte pelas mãos do operário de cima, que o agarrava e arrumava sobre a laje em obras. Tudo isso em perfeita sincronia, ininterruptamente, de maneira a que o operário de cima realizava só a torção do corpo na altura da cintura, pés fincados na tábua do andaime, da linha imaginária que seguiam os tijolos no trajeto do chão ao infinito à laje posicionada do seu lado esquerdo, agarrando e apoiando, agarrando e apoiando.
Ditosos tijolos.
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Sigo minha heróica e mesopotâmica missão para sair de casa. Mas está ficando difícil, cada vez mais. Não tanto pelas condições que se me apresentam, eu já poderia estar procurando com mais afinco, com vontade. Só que sou exigente demais.
Dar um passo em falso está fora de cogitação. Preciso, a exemplo do que consegui em Madrid, encontrar um lugar que me faça feliz, que seja interessante, prático, próximo. Perfeito. Preciso ter orgulho de chamar os amigos para me visitar, precisa ser aconchegante para receber sempre visitas, e bem localizado também.
E eu não quero que seja quitinete. Já pensei muito que morar sozinho talvez seja a melhor opção para mim, chato como sou, implicante, birrento. Mas quitinete não vai bem com meu estilo de vida: quero ter sala, quarto, cozinha, banheiro, lavanderia, espaço. Sonho distribuir tarefas de acordo com o cômodo.
Ao mesmo tempo, e sem medo de ser uma contradição andante, não acho que agüente viver sozinho de tudo. Acho confortável a idéia de compartilhar os espaços comuns da casa com alguém (falo sério, não penso em dividir só as contas), chegar em casa e ter alguém, ter vida e dinâmica que não as minhas. Tenho confiança de que compartilhando uma casa se cresce, de que o convívio faz crescer. E, por fim, sinceramente eu duvido de que eu seja capaz de lavar louça, limpar o chão ou tirar o pó se eu morar sozinho. Preciso ter alguém para quem fazer isso.
A escolha do bairro também não é simples. Quando estava na Espanha e essa idéia foi tomando corpo na minha cabecinha eu queria morar no centro de São Paulo. Acho que tinha me esquecido ou maquiado as ruas dessa região. Freqüentemente sou assaltado (com o perdão do trocadilho) por uma agonia. Podem me chamar de pequeno-buguês, mas acho muito pesado, não tenho estômago. Nem é questão de estômago, é a simples questão de prazer. Quero ter prazer ao sair a pé pela porta dafrente e andar pela rua, não angústia ou preocupação.
E de repente parece que tudo (e todos) convergem ao centro e que, se eu me mudar para outro lugar que não lá, estarei perdendo um momento (talvez histórico?) de mudança de perfil de uma região de uma grande metrópole.
Agora pensemos: onde eu estarei trabalhando daqui a um ano, dois anos? Dios sabrá! Logo, o que é um lugar perto?
Enquanto isso, minha família guarda duas geladeiras para que eu possa levar quando me mudar. Eu que tenho só um apartamento em vista, nenhuma previsão de mudança e ninguém para dividi-lo.
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Sou pouco profissional, está decidido: eu não consigo separar amizades de trabalho. Ontem começamos a olhar e pensar em elementos de edição para o documentário, na ilha de edição que foi instalada na sala da minha casa.
Dos três presentes por lá, dois são desses amigos que de tão amigos dão vontade de chorar. Assim que a colega de trabalho menos próxima foi embora, nós três (liderados por mim, admito) degringolamos para uma aprazível tarde entre amigos, conversando e contando causos, tomando um uisquinho, fumando um cigarrinho.
É um presente eu ter esses (e outros mais) amigos que dão a sensação de segurança, sensação de ser pra vida inteira.
Confiaria meu corpo para que qualquer deles me arremessasse para o alto, em linha perfeita e perpendicular, para que outro me agarrasse e pousasse em segurança sobre uma laje.
Mas à sombra, por favor.
postado por: guilherme Quarta-feira, Novembro 21, 2007
Palpites pelo mundo:
Segunda-feira
É, falei que não ia conseguir ficar muito tempo longe deste negócio aqui e acabei ficando quase uma semana inteira!
O feriado foi bem estranho: a preguiça tomou conta e no sono os pensamentos se assentaram absurdos. Dormi muitas vezes durante a tarde, bem coberto com a manta de lã (que dá a alergia na medida certa da preguiça). Sonhei com o estrangeiro, claro, com neves, carros, montanhas e retornos complicados.
Bebi também, não nego. Na quarta, pra celebrar o feriado que começava, foi o uíscão de sempre, na casa nova do amigo em ótima companhia. Na quinta foi família petit comité. Na sexta, de novo. O sábado já teve movimentação: fui à casa dos padrinhos (os melhores padrinhos do mundo) comer charutos da madrinha (os melhores charutos do mundo) e jogar Perfil e Imagem & Ação com padrinhos e primos. Bárbaro!
Domingo foi feijoada na casa da vovó.
E, ufa, acabou.
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Hoje amanheceu com cara de segunda-feira da emenda. Chovendo akántaros. Esqueci o guarda-chuva em casa, mas por sorte não fui apanhado. E, no almoço, uma surpresa: fomos à Cantina Italiana que tem em frente, aonde raramente almoçamos. E estava sem eletricidade. As mesas todas iluminadas por velas em bonitos castiçais. Para combinar, a conversa foi sobre o sobrenatural: histórias de espíritos, de videntes, de mortes, de assombrações, do ET de Varginha. Uma hora e meia conversando como se fosse o final de semana, muito gostoso. Estará registrado na memória dos presentes como um almoço especial.
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Acabou de me ligar a Cristina, lá da Espanha. Ficamos 45 minutos falando das nossas vidas! E justamente hoje, dia em que a rádio espanhola que eu ouço pela internet trouxe algumas boas surpresas. A primeira foi ouvir que estava chovendo granizo na cidade. Tenho memórias afetivas com o granizo, que caiu muito logo que eu cheguei. A universidade ficou coberta de gelo!
A outra surpresa foi mais impressionante: entrevistaram uma mulher que vai lançar um disco e fazer um show num teatro e que foi descoberta nas estações de metrô de Madrid cantando por moedas. Quando ela começou a cantar no microfone, me lembrei: era justamente a que cantava na estação de La Latina, a mais próxima da minha casa. Me lembrei na hora do timbre Alanis Morisete e do jeito Woodstock (quase escrevi Waterloo) de se vestir e de se jogar no chão. Memória afetiva de novo, lord.
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A frase do dia é "Ypacaraí é a Pasárgada paraguaya". Foi a little paula quem disse.
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Nossa, novidade monstro: meu irmão cortou os cabelos, as longas madeixas. Está tão bonitinho, tem que ver! Um corte de cabelo muda tudo. É até bom nesses tempos em que os skinheads atacam qualquer pessoa. Que horror! Isso só pode ser violência reprimida, coisa de quem não pôde jogar vídeogame na infância e matar monstros e pessoas perigosas com o joystick.
Queria poder dizer que é coisa de cu de mundo, mas a rádio espanhola me traz notícias não menos horripilantes daquelas plagas. Realmente tive um ano plácido, se descontamos os atentados ao aeroporto de Barajas.
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Eu tinha mais coisas para escrever, juro que tinha. Mas fui esquecendo durante o dia, durante os dias. E amanhã é feriado de novo, senhor!
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Continuo com a minha febre Daniel Santos, o novo cantor Porto Riquenho. Ah! Acho que ainda não contei aqui as peripécias deste senhor! Ótima oportunidade para voltar a escrever aqui después, más tarde.
postado por: guilherme Segunda-feira, Novembro 19, 2007
Palpites pelo mundo:
Terça-feira
Estou com desejo de ópera. Estava aqui ouvindo as notícias na rádio espanhola quando de repente entra o comentarista de música erudita falando sobre as estréias e as apresentações da semana. A Maria Callas ao fundo, os agudos pérfuro-contundentes - que a música é boa quando é pérfuro-contundente. Me lembra minha mania de exagero e meu discreto gosto por uma dorzinha, a vontade de um discreto sofrimento para curtir na fossa alcoólica.
Nelson Rodrigues, segundo Ruy Castro, num trecho que um dia me foi presenteado num marcador de páginas: “Uma atmosfera de fog envolvia Nelson à medida que ele entrava na adolescência. Estava ficando depressivo, como costumam ficar os meninos nessa idade — só que, nele, essa depressão era dramática, de tango, porque ele só faltava subir num caixote para proclamá-la. Vivia suspirando pelos cantos e, às vezes, soltava uma exclamação que certamente lera nos livros, mas que ninguém sabia se era sério ou não: ‘Eu sou um triste!’ — uma frase que, aliás, continuaria repetindo pela vida afora”.
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Hoje é terça-feira 13. Dia de má sorte na Espanha.
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E, já que a tônica é a Espanha, que tal o rei Juan Carlos tomando as dores do mundo civilizado e pensante e resumindo numa única frase a vontade de todos os que acreditam num mínimo de parlamento: Y tú, ¿por qué no te callas?
postado por: guilherme Terça-feira, Novembro 13, 2007
Palpites pelo mundo:
Sexta-feira
Jogo rápido que o tempo ruge:
Por essas coisas do acaso descobri um site que é pura diversão: pessoas increvem pequenos vídeos feitos em homenagem a Piaf!
Votei na Maria Cecília, que é amiga e conhecida; mas tem cada coisa bárbara! Vale a pena!
Visite aqui!
postado por: guilherme Sexta-feira, Novembro 09, 2007
Palpites pelo mundo:
Quinta-feira
Como escrever no blog é igual a coçar picada de borrachudo, não vou conseguir parar nos próximos dias. Acho. Espero.
Hoje o dia foi semi-infernal. Aqui, encastelado no meu trabalho, no alto do 12º andar, olhando Pinheiros olhos nos olhos, tive de resolver coisas daqui mesmo (confesso, envergonhado, que foi o que menos tomou tempo), coisas do meu documentário, assuntos do final de semana, uma reportagem que deve estar pronta até amanhã à noite, detalhes da gravação com Ela no Instituto Moreira Sales amanhã à tarde.
E tudo isso ao mesmo tempo em que me preocupo com minha orelha. Falei da minha orelha?
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Alguém se lembra do Cebo com cheiro de Sebola? Acho que não. Pois, uma bolinha de Cebo da minha orelha inflamou, inchou e armazenou pus. Fiz procedimento no pronto-socorro para remover um pouco do líquido acumulado e até hoje a orelha continua gotejando - é quase uma ordenha, duas vezes por dia é preciso ordenhar o lóbulo através do pequeno corte feito pelo médico.
Se fosse a espanha, eu diria que tenho uma ubreja. Como é Brasil, já virei o índio Bororo.
O importante é que está me enchendo e me preocupando - uma infecção que resiste a dez dias da (caríssima) cefalexina é de se respeitar, não?
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Hoje é aniversário de uma pessoa que foi muito especial na vida desse ingênuo e imaturo mantenedor desta Tribuna. Já telefonei para dar os meus sinceros cumprimentos, e como acontece sempre que trocamos e-mails ou nos encontramos por acaso ou ainda quando eu telefono (fiz isso umas três ou quatro vezes esse ano, confesso) me impressiona como de repente a pessoa que mais participou do meu quotidiano (e não foi por pouco tempo) de repente desapareceu totalmente da minha vida e da minha vista.
Às vezes lamento muito. Outras acho bom. Nunca, nem em um milhão de anos vou saber.
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Só d'uma coisa a gente sabe: que os arrependimentos sempre são pelas oportunidades que passam desaproveitadas e por tudo o que deveria ter sido feito ou provado e não foi. O tempo não volta, e isso é irritante e dolorido às vezes. Mas arriscar é difícil pra nossa geração, não é?
Acho que já escrevi aqui uma coisa que li já não sei onde: se até os anos 70 você oferecesse a um jovem a oportunidade de atravessar um mar com um veleiro ou com uma lancha, ele provàvelmente escolheria o veleiro. Hoje, escolhemos todos a lancha. Viva o conforto, viva a segurança.
Ok, todos não. Eu ainda estou aprendendo a arriscar. Mas é que o mundo, quando nos olha nos olhos, dá medo pelo seu tamanho e sua profundidade. Tem olhos que são abismos - de cascalho ou de rosas, mas abismos.
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Estou tentando desenvolver a veia literária, mas confesso que escrevo muito mal quando tento ser um pouco mais formal e menos oral - que é como mantenho esta tribuna há já mais de quatro anos (lord of the rings!). Estou tentando participar do concurso literário da Piauí: preciso encaixar a frase "Genalva, vem me buscar que eu estou odiando". Parece fácil, mas não é não! Mais pra frente eu publico aqui, quando aparar as arestas e sentir menos vergonha.
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Por falar em literarismos e vergonhas, o novo colega aqui do trabalho está lendo o livro de estréia do filho do Rubem Fonseca. Ontem, quando comentei sobre minha flatulência assaz mortal naquele pós-almoço preguiçoso, ele leu-me um trecho do romance sem dizer nada. Na hora eu perguntei se era Rubem Fonseca. Errei por uma geração. Mas me alegro que a escatologia levada a sério tenha um seguidor de peso.
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Também nessa semana me distraí um tempo lendo e-mails antigos. Engraçado como antigamente eu escrevia muito mais e-mails (leitores mais velhos, meu antigamente se refere a um ano atrás, não mais que isso), e-mails bonitos, complexos, cheios de saudades (estava eu na Espanha) e de carinhos, e-mails novidadeiros, instigantes.
Ai, como esse país me fez chato! GENALVA, vem me buscar!!!
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Gente, que coincidência macabra: depois de escrever esse post, fui despachar e levei O Globo para ler. A seção de obituário tinha a foto do irmão do Guga, aquele com paralisia cerebral, que fora enterrado às 10h da manhã e 28 anos depois de ter nascido. Nome dele: Guilherme. Ui, deu até arrepio!
postado por: guilherme Quinta-feira, Novembro 08, 2007
Palpites pelo mundo:
Meu nome é grande demais: Guilherme. Eu prefiro escrevê-lo com minúscula, ao assinar e-mails ou outras coisas, guilherme, que esse gancho do g minúsculo dá uma aliviada no peso do tamanho do nome, faz até um jogo de equilíbrio com o lh, altos à guisa do lb do cigarro qu'eu fumo.
Mesmo com a minúscula, o nome ainda é grande demais. Quando eu fazia natação - melhor, quando eu comecei a fazer natação, com 6/7 anos, lá em São Bernardo, a moça da escolinha me chamava de Guiga. Na verdade eu entendia GUIGA, assim com todas maiúsculas. Minha mãe até escreveu isso nos meus lápis de cor do colégio porque era um apelido bom; eu gostava de ser chamado de guiga. À época soava bem e, claro fique, não existia o Guga do tênis.
Acho que o problema é mesmo o G maiúsculo, redondo e incompleto. Letras longilíneas são muito melhores. Adoro dlbt; adoro jgpq.
Voltando: o Gui (ou gui, que é mais bonito estèticamente) é um apelido que pegou. Engraçado que nunca ninguém me havia chamado assim até a faculdade, e depois da faculdade é como se nunca ninguém me tivesse chamado por outra coisa. Só que às vezes é curto demais, íntimo demais.
De vez em quando me coloco na dúvida se assino gui, guilherme ou Guilherme (guiga, jamais!). Mas no final funciona assim: se eu mando beijos, assino gui. Se mando abraços, guilherme; se agradeço cordialmente, Guilherme.
O duro é quando você espera que alguém te chame de gui e essa pessoa te trata por guilherme. Eu faço drama mesmo.
E, juro, há quem consiga me tratar por Guilherme - e eu noto a maiúscula!
postado por: guilherme Quinta-feira, Novembro 08, 2007
Palpites pelo mundo:
Quarta-feira
Errei os tempos dos verbos no post aí de baixo. Que vergonha.
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Como todos os mortais conectados à internet, recebo muitos spams a cada dia e a cada hora. O volume varia de 50 por dia, no mínimo, a até um pico num dia de outubro em que foram 180 em uma hora!
Mas vale a pena às vezes olhar pelo menos o título de alguns deles. Esse me chegou ontem:
"True masculinity is impossible without a substantial volume of male meat"
Uma pena que o texto não é tão contundente quanto a manchete:
"Do you believe in wonders? We suppose you're likely to answer negatively.
We hadn't believed, either...until the moment MegaDick was introduced!
The action of this remedy on a male dick cannot be called otherwise than a Miracle!
Just imagine, that your meat stick suddenly becomes longer
and thicker and makes women tremble with excitement!
It's fabulous!"
Male meat, meat stick... Será que alguém realmente compra esses produtos milagrosos?
postado por: guilherme Quarta-feira, Novembro 07, 2007
Palpites pelo mundo:
Terça-feira
Acho que não ficou claro - é possível ouvir dois CDs do Caetano e, não fosse pela voz inconfundível e incrível, duvidar de que seja o mesmo artista.
postado por: guilherme Terça-feira, Novembro 06, 2007
Palpites pelo mundo:
Gosto de Chico Buarque - aliás, pobres dos meus alunos da Espanha que ouviram Chico Buarque quase semanalmente. Mas, vamos e convenhamos, ele é um péssimo cantor.
Já sei que isso pode irritar alguns dos meus leitores (leitores?), mas ao mesmo tempo, e como não tenho problemas em ser uma contradição, não gosto do Chico Buarque. As composições dele são boas, e são sempre muito parecidas. As músicas têm a cara dele, e é uma cara um pouco enjoativa - ao contrário do Jorge Ben, que se repete e se diferencia sem perder a originalidade e sem fazer nada de novo.
E tudo isso é pra dizer que desde que voltei da Espanha, minha terra querida, comecei a gostar mais e mais do Caetano. Caetano é um puta compositor, muito mais ousado e divertido que o Chico e não por isso menos profundo e menos lírico. Mas, além disso, ele é muito mais carismático, muito mais bonito (aliás, no vídeo do youtube em que ele canta Lamento Borincano ele está lindíssimo) e é um cantor. Um intérprete. Enquanto escrevo essas linhas ele canta "Uma Casa Portuguesa" no meu ouvido. Canta Rolling Stones sem ser babaca (ok, confesso que pensei no Edson Cordeiro e na Cássia Eller fazendo a patética Satisfaction com toques Amadeus), dá o tom e o ritmo certos pra "Mora na Filosofia", canta os boleros em falsete perfeito. Canta sentado e de pé. De paletó ou de saia.
De vez em quando, acho que só Caetano me entende. Ou eu só me deixo entender enquanto ouço Caetano.
Vamos comer Caetano? Ou ser comidos?
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Duro só conseguir falar bem de uma coisa falando mal de outra, mas acho que meu mundo dicotômico só funciona com base na comparação - será por isso que novos elementos me afligem?
Comparar é viver?
postado por: guilherme Terça-feira, Novembro 06, 2007
Palpites pelo mundo:
Segunda-feira
¡Ay, mi rosa de la Alhambra,
rosa de la morería!
Haré lo que tú me mandes
con tal de que seas mía.
Manda repicar campanas
y yo las repicaré,
manda que se seque el Darro
y no volverá a correr.
Pero por amor de Dios,
pero por amor de Dios,
no mandes que no te quiera
porque eso no puedo yo.
postado por: guilherme Segunda-feira, Novembro 05, 2007
Palpites pelo mundo:
O Rio de Janeiro é mesmo uma cidade incrível.
Passei o feriado de finados por lá (e, pasmem, não choveu na sexta-feira durante o dia, só na madrugada, bem cedinho) e já estou sentindo falta. Minha amiga que mora lá (de repente amiga parece pouco) me mostrou uma nova Rio de Janeiro - sempre é assim, a cada vez que vou para lá conheço novos pedacinhos, cada vez mais interessantes.
Dessa vez, o Rio ficou parecido com Madrid. Quem lê isso sabe o que eu quero dizer.
Barzinhos, senhorzinhos, livrarias, cafés, a praia, a praça - digamos que eu conheci a Zona Sul profunda (se é que isso é possível). E já estou com saudades, agora que tenho essa vista do morro que sobe da Henrique Schaumman até a Dr. Arnaldo, dezenas e dezenas de prédios muito altos, o céu cinza.
E uma solidãozinha.
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Estou ouvindo a rádio espanhola Cadena Ser enquanto escrevo isso aqui. Estão repercutindo, no programa local de Madrid, a aprovação da Ley de Memoria Histórica. A principal conseqüência é a retirada de símbolos franquistas (monumentos, estátuas, obras de arte) e a mudança dos logradouros.
Pois acabo de descobrir que Madrid tem, além das clássicas Calle del Generalísimo e outros elogios ao nome do Ditador e de seus asseclas, uma praça chamada "Plaza de Arriba España", o grito de exaltação do regime franquista.
A apresentadora, María Guerra, chamou um professor de história para comentar algumas declarações. E it happens to be o professor com quem eu tive aulas de História da Espanha no segundo semestre de 2006.
Impressionante.
postado por: guilherme Segunda-feira, Novembro 05, 2007
Palpites pelo mundo:
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De Mel
Mind the Gap
Em Preto e Branco
Torre de Papel
Poluição d'Idéias
suco
Tabacaria
La vie en rose
Retalhos do Mosaico
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