Domingo

Paris, Je t'aime.



Fui ontem à noite sozinho ao cinema pra ver esse filme. Acho que estava com o estoque de lágrimas cheio, porque chorei igualzinho a uma criança... Não sei, de repente foi tudo de uma vez: Paris, amor, solidão, viver, viver, viver.

E aí pronto, fui tomar um gole de whisky, já encontrei gente conhecida, chorei ao contar a parte do filme que mais me emocionou... É, foi essa aí da imagem. A turista americana que sonha conhecer Paris, faz dois anos de curso de francês, economiza e economiza e passa seis dias passeando por lá. O curta é a sobreposição da leitura da "redação de férias" do curso de francês às imagens dela, sozinha, em Paris.

Foda, foda.

***
Confesso que o PAN também tem me ajudado a regular o estoque de lágrimas. Já chorei no nado sincronizado, no vôlei, no basquete, na ginástica rítmica, artística, com aparelhos, no salto com vara. Hoje chorei com a maratona e com o basquete masculino. Umas lagriminhas brotaram aqui ao ver a Maria Esther Bueno comentando o jogo de tênis e comparando com algum jogo dela.

Não adianta. Sou meio fascista mesmo, adoro quando toca o hino nacional, adoro quando o Brasil ganha alguma coisa. Mas o pior é que eu também gosto quando outros ganham. Esporte me faz chorar, é isso.

***
Enquanto isso, enquanto tudo isso, a Maysa vai rodando na vitrola.

postado por: guilherme Domingo, Julho 29, 2007
Palpites pelo mundo:



Sexta-feira

"Quem semeia vento, colhe tempestade
Quem planta amor, colhe saudade!
É aquele cheiro de saudade
que me traz você a cada instante..."

É, negada, tá foda!

E ainda sofrendo pressão psicológica pra não beber... lord of the rings! Lord of the good end!

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Semana que vem começo minhas aulas de francês. Finalmente, finalmente... E quem vai me acompanhar na empreitada (que será a dois, claro)? Ele, o nêgo que trabalha aqui no computador do meu lado e que é atualmente a pessoa com quem eu mais convivo: almoço, trabalho, bar, noitada... e agora, francês. Não é pra qualquer um...

Wilhelm!

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Pra estar tudo perfeito só falta uma coisa. Ou duas. Ou três, vai, que a ambição taí pra ser ambiciosa.

postado por: guilherme Sexta-feira, Julho 27, 2007
Palpites pelo mundo:



Terça-feira

Era o segredo bem mais guardado de Inocência. A viúva experiente (completara já bodas de ouro de viuvez) ia à feira religiosamente todas as terças e sábados. Não ia à igreja no domingo, como claro estará em breve.

Nas noites de segunda, quarta, quinta, sexta e domingo, Inocência se dedicava ao seu segundo maior prazer: a bebida. Bebia, segundo ela, uma quantidade razoável, o mínimo pra manter um sorriso mínimo e, segundo sua própria crença, a pele mais bonita, o corpo mais seco. Cada copo de uísque era uma singela homenagem ao marido, militar cujo soldo sustentara seu hábito e cuja pensão paga sua homenagem póstuma de cinco das sete noites da semana.

Na terça e no sábado, Inocência passava a manhã na feira. Acordava muito cedo (e sem ressaca, que sempre bebeu o uísque sem gelo) e, logo às seis, se colocava diante das barracas de frutas esperando que os feirantes dispusessem aqueles corpos coloridos e carnudos em enfeitadas pirâmides, caprichosas caixinhas, saquinhos-pingentes, micro-bacias ou montanhas mesmo. Depois, com cuidado, acariciava pêssegos, ameixas, uvas, cerejas, abacaxis, melões, mamões. Cada fruta ela apanhava e cheirava com devoção cristã (não, ela não ía à igreja; aquela hóstia inodora nojenta não é corpo de ninguém). A pensão era dividida entre o uísque barato, um mínimo de comida - que velho não precisa comer tanto - e a feira. Aos vendedores mentia que a família era numerosa. Inventava filhos e netos e atribuía a cada um dos parentes e contraparentes um gôsto especial por uma fruta. Só comprava frutas.

Com o carrinho cheio, se arrastava primeiro ladeira acima e logo ladeira abaixo até sua casa, imensa para uma mulher sozinha e forrada de condecorações militares. Televisão não tinha, mas um móvel-vitrola sobre o tapete bordô da sala de tábua corrida ruidosa (debaixo, um porão trancado havia décadas). Arrumava toda a compra do dia sobre a mesa, em fruteiras de vime, vidro, plástico, inox; em caixas de papelão; em caminhas de gato felpudas - as melancias preferiam essa acomodação.

Passava a tarde ansiosa, esperando não ter o sol por testemunha. Caía a noite; despejava a sopa de cebola/lentilha/mandioquinha/batata (tudo comprado no supermercado, que era mais barato), comia rápido, se lavava só com água, vestia a camisola de algodão branco recém-passada e absolutamente sem cheiro nenhum. No dimer do quarto e da sala, ajustava a luz fraca. No móvel-vitrola, punha o jazz (hábito herdado do marido junto com o whisky e a disciplina) e começava os trabalhos: com amor de mãe que nunca foi, levava uma a uma as frutas para a cama. Primeiro as maiores, cortadas em dois ou quatro pedaços; depois as pequenas e resistentes. Por último, as delicadas. Formava na cama um altar, forrava o lençol, também limpo e recém-passado, com as frutas do dia; distribuía-as com o talento aleatório de um caleidoscópio.

Depois se deitava. Deitada, abria bem as narinas, se esfregava em cada fruta, sentia cada textura: roçava os pés descalços e grossos nos pêssegos mais delicados, esmagava as uvas com os cotovelos, arranhava o rosto magro na casca da jaca, deixava-se curvar sobre a resistência de melões, enfiava dedos em mamões e sentia como as sementes estouravam sob as unhas sem esmalte. Rolava de um lado a outro, engenho espremendo sucos, líquidos, partículas. Lambuzada, refestelada, ousava abrir a boca para provar qualquer parte de qualquer fruta; embriagada, recheava sua camisola outrora branca com a multi-polpa da cama.

Completa, dormia.

Pra no dia seguinte acordar multicor e se limpar com um papel toalha. Passava o dia sem comer, sem sair, sem pensar. Sentia, só. Sentia aquele cheiro da noite anterior.

Quando o sol mais uma vez deixava de olhar, enchia o copo de uísque, punha um disco no móvel-vitrola e atirava no lixo o despojo da noite. Novos lençóis limpos, nova camisola recém-passada. Só tomava banho no dia seguinte. Queria aquele cheiro pra sempre - era a sua eternidade.

postado por: guilherme Terça-feira, Julho 17, 2007
Palpites pelo mundo:



Sexta-feira

Como continuo com o carro emprestado, hoje foi o dia de levar pra fazer um alinhamento básico. E, claro, não ia ser uma coisa normal.

Primeiro que foi preciso uma cambagem na roda dianteira esquerda. Depois, foi preciso executar o "caster" - segundo o técnico, a roda esquerda estava "atrasada" em relação à direita (veja só que boa brincadeira de palavras no espectro político isso não daria).

Tudo feito, prosseguimos com o simples alinhamento. Péééééé. Ainda não. Na roda direita foi diagnosticado uma falha no terminal da direção. Uma peça do tamanho de um cachimbinho de crack que custou 78 reais. Mais o preço do expertise pra tirar a velha e colocar a nova.

No final das contas, o que era pra ser uma coisa de uma hora e custar 45 reais me custou três horas e saiu por quase 300. Que bom que o proprietário paga as contas e eu só arco com as horas que passei lá dentro, conhecendo tipos, falando abobrinhas, tomando café e, pasmem, usando a internet.

YES! Adoro oficina mecânica com internet e cafezinho!

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E agora José? A festa acabou? Sabem que tem lá suas vantagens ficar sem a bateria do celular? Porque imagino que alguns leitores daqui já foram vítimas de mensagens de celular enviadas sabe-se a que horas da madrugada e com teor alcoólico altíssimo - dizem que algumas não completam o percurso do meu telefone até o destino, tão bêbadas vão.

Pois ontem não haveria espaço pra mensagem que eu queria mandar. Tanto melhor, que tampouco havia mais fígado pro whiskynho de estômago vazio.

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E não é que eu não sou exatamente uma pessoa com muitos amigos? Quer dizer, amigos mesmo eu acho que tenho muitos; mas me faltam conhecidos.

Aí inventei o meu dogma de não sair às sextas-feiras - se eu pensar bem ele tem origem em algum trauma que ficou, depois de tantas sextas-feiras sem arranjar companhia nem pra um simples whisky.

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Por mais interessante que seja um origami, desmontado ele é só uma folha de papel idiota.

postado por: guilherme Sexta-feira, Julho 13, 2007
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Quarta-feira

Vou com o carro no lava-rápido - pra fazer um agrado, devolver o empréstimo limpinho.

Quando o rapaz abre o porta-malas, nós dois quase caímos de costas: uma massa de livros, papéis velhos, jornais, revistas, cartões de visita, pedaços de bolacha velha, duas máquinas de escrever cheias de concreto dentro, roupas sujas (cuecas, camisetas, calças, sapatos, meias), latas de cerveja, garrafa de refrigerante.

No chão, pedaços de conduíte, mais latas, chocolate, balas, canetas, anotações, cópias, pautas, fotos, filmes.

Tive que inventar uma história maluca (ou nem tanto) para o homem não achar que eu era louco: o carro é de um amigo, ele morou nesse carro por meses antes de viajar para o exterior, o carro (que estava coberto com uma camada definitiva de sujeira) ficou abandonado por um ano inteiro, agora que eu estou pegando ele pra dar uma revisada, etc, etc, etc.

Mas foi divertido entreter cinco pessoas do lava-rápido na prospecção.

postado por: guilherme Quarta-feira, Julho 11, 2007
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Terça-feira

Tanto tempo, tanta coisa.

Vejamos: esse fim de semana prolongado, por exemplo, que eu passei todinho em São Paulo. Foi de uma agitação sem limites!

Sexta teve festa da família em casa de gente fina, com queijos e vinhos. Depois uma bebedeira de cerveja mesmo lá na baixa Augusta. Sabadão foi o dia de realizar um sonho: comer um frango assado na esquina da São João com a Duque de Caxias. Desde adolescente eu passava lá de ônibus e via algumas mesinhas na calçada do Rei do Frango Assado. O lugar mudou de nome, mas o frango é uma delícia e o visual impagável. Parece que a mesa é um oásis de vida no meio do inferno.

No sábado mesmo o nível subiu: foi uma bebedeira homérica de whisky, numa noite em que eu e mais uma passamos vivendo uma vida de Carlos Alberto. Nós sentados no bar e os amigos se revezando, cada hora passando um, indo e voltando. Uma garrafa e meia de whisky, muito papo (furado e sério) e mais uma vez eu indo travado dormir na casa de terceiros.

Domingo! Festa de aniversário em família. Bem que eu tentei, mas não consegui beber nem a cerveja nem a caipirinha. Ataquei no whiskão do pai da aniversariante mesmo. E sem dó, que ele disse que estava lá havia dez anos e ninguém tomava. Pois tomo eu!

À noite, ganhei uma massagem (a melhor) e a declaração de que minhas costas são um único grande nó. Preciso de mais massagem assim.

Preciso de glamour.

Depois dormi quase doze horas, recuperando as energias deixadas na noite.

E segunda, ontem, dia tão especial para o estado de São Paulo, dia da revolução que é uma das passagens mais interessantes da história do país no século XX (ai, adoro exagerar), almocei com pais e avós. E bebi whiskão antes do almoço, vinho durante e licores no afterwards. Não preciso dizer que, bêbado, dormi a tarde toda.

E à noite veio a insônia (rá). Depois de ver quatro seriados idiotas na televisão, terminar de ler a Montanha Mágica, atender dois amigos em crise emocional/profissional (um em cada uma, diga-se), ler o Cabeça de Turco e ouvir Inezita (a Deusa, que está alegre e saltitante e com quem falei agorinha há pouco no telefone), apaguei as luzes e fez-se o silêncio.

Esse silêncio da noite é onde ecoam os pensamentos aqueles que ficam calados na vida agitada.

"... que essa vida agitada
não serve pra nada
andar por aí, bar em bar, bar em bar".

E foi em tom menor que eu adormeci, angustiado. Foi em tom menor que eu procurei hoje com quem conversar pela manhã. É em tom menor que estou decidindo meus próximos passos do dia/noite, que prometem: preciso ir à PUC devolver um equipamento do documentário (santo documentário, que me dá vontade de viver), depois ir pra USP ver uma defesa de TCC (do namô da que é das minha razões de viver) e, por fim, alcoolizar-me - que, será, é o lubrificante pra cada dia.

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Quando anoitece a gente fica triste, né? Acabou.

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Enquanto escrevia essa merda toda, um motoboy veio me trazer a carta de motorista. Prático esse negócio de motoboy. Eu não gosto deles, mas são uma mão na roda nessa hora de estar tranqüilo aqui enquanto se paga para alguém ficar numa fila e retirar um documento.

Finalmente estou habilitado de novo. Ai, que sofrimento isso! Horas de poupa-tempo, mais um mico que foi a mudança nas regras de renovação (sim, agora era preciso uma cópia autenticada (!) do título de eleitor (!!). Demorou, mas saiu.

A sensação de liberdade é tanta que dá a sensação de que junto com a carta veio um carro de brinde!

***
Será possível alguém gostar tanto de carinho dos outros? Será possível tanta insegurança?

postado por: guilherme Terça-feira, Julho 10, 2007
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De Mel
Mind the Gap
Em Preto e Branco
Torre de Papel
Poluição d'Idéias
suco
Tabacaria
La vie en rose
Retalhos do Mosaico




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