Sábado

Wow, what a day!

O ontem, dia de futuro incerto, revelou-se espetacular.

Primeiro que saí um pouco mais cedo do trabalho - para compensar, que agora, sábado, eu estou aqui de novo vendo os marceneiros instalarem as novas prateleiras.

Fui correndo pra TV Cultura, com ônibus suspeitos, pra acompanhar a equipe de pesquisa do documentário da Inezita Barroso - aliás, que sorte tem essa equipe: passa umas 6 horas por semana sentada diante de um televisor vendo fitas em que a deusa aparece. Seria um presente de aniversário pra mim. Mas é trabalho, acreditem.

Às 20h30, com a fome apertando, fomos comer umas coxinhas especiais no Frangó, aquelas coxinhas fresquinhas, crocantes. Tomamos cerveja belga, aquela delícia absurda, um luxo que beira a irresponsabilidade.

"Life is too short to drink cheap beer", dizia um anúncio colado no freezer do bar.

Então, meio de sopetão, decidimos seguir a noite aceitando o convite para a festa na casa do nosso professor de documentário (meu mundo gira em torno de Inezita Barroso). Se lançamento de livro não conta como festa, foi a primeira festa de professor a que fui. E que festa.

Primeiro a puta casona, de cinema, dessas que você duvida que existem, que parecem feitas só para fotografar. Depois o ambiente, que estava delicioso. Primeiro a conversa de praxe, um whisky bom, encontro com amigos e com outro professor - que, aliás, estava engraçadíssimo depois de uns copinhos. Depois a pista de dança, a que fomos conduzidos pelo dono da festa e da casa.

Da pista eu não saí mais que não fosse pra abastecer o copo - agora com um single malt explêndido (tenho que aprender a não provar coisas que estão fora do meu poder aquisitivo; quando vou tomar um single malt de novo?, eu pergunto). Dancei, dancei, jamais dancei tão lindo assim. E bebi bem, também. Ganhei até elogios, bons nesses dias de frio e nuvens em que você se sente o último dos mortais.

Acho que foi a melhor festa a que já fui: primeiro tinha uma grupo tocando, uma percussão linda; depois entrou o DJ com música brasileira, muita coisa eletrônica, samba-hip-hop - coisas de que, como disse, eu não deveria gostar. Mas gostei. Muito.

Cheguei em casa às 6h da manhã, deitei às 6h15; acordei às 9h54. Um bom humor insuportável, uma joie de vivre impensável.

Preciso de festas mais amiúde. Ah, que legal, hoje tem uma!

Que lavada de alma.

postado por: guilherme Sábado, Maio 26, 2007
Palpites pelo mundo:



Sexta-feira

Ainda não fui conhecer a nova loja da livraria Cultura lá no Conjunto Nacional; talvez eu vá hoje, talvez amanhã - futuro incerto.

Tenho medo, aliás, de me aproximar daquele lugar. Tenho uma pilha de intenções ao lado da cama. Outra no pé da cama. Outra em cima da escrivaninha. Outra na cantoneira do armário. Outras dentro do armário.

De boas intenções o inferno está cheio.

***
Não me lembro se já falei aqui sobre a maneira que eu arrumei de diminuir o estresse no trânsito. Trânsito, aliás, que agora eu enfrento sempre ou no bando do passageiro de um carro ou de pé no corredor de um ônibus. Pois quando de um ônibus se trata, enfio nos meus ouvidos um protetor auricular que é fenomenal - reduz dràsticamente o barulho, elimina as dores que eu sinto quando o freio de um ônibus guincha, quando um motoqueiro (invariàvelmente corinthiano) buzina ou acelera (como se lhe proporcionasse um estranho gozo o ruído insuportável do seu motor xinfrim expelindo gases tóxicos pelo escapamento arrebentado da moto velha), quando os carros passam, quando as pessoas gritam. Um surdo deve sofrer menos em S. Paulo.

Um cego e surdo, menos ainda.

Acho que só toleram mesmo a cidade os que estão mortos. E tem umas necrópolis lindas...

***
Sabem quantos anos a Simone tem? Cinqüenta e sete. Como diria a minha flor, está ou não um pitéu? Vamos ver a Marina quando tiver essa idade...

***
Ontem vi Pulp Fiction - aquelas idéias sobre a hipocrisia desse mundo está se tornando insuportável.

Lendo Nelson Rodrigues fica difícil ser polìticamente correto.

postado por: guilherme Sexta-feira, Maio 25, 2007
Palpites pelo mundo:



Quinta-feira

Pasárgada deve ser Paris.

***
Ando comprando muitos livros. Vou tanto à Livraria Cultura a ponto de ser fotografado na fila do caixa pedindo para o sr. Paulo Maluf não furar fila. Aliás, o momento foi flagrado pelo fotógrafo da Mônica Bérgamo - ele estava lá pelo mesmo motivo que o Maluf, e por uma razão muito diferente da minha: o lançamento do livro do Palocci.

Mas, cá pra nós, essa foto em que o Maluf me olha com cara de ódio deveria entrar no meu currículo: "Outras atividades desenvolvidas: evitar que Maluf furasse fila e indispor-se com o ora Deputado Federal; 14 de maio de 2007".

***
A ocupação da reitoria, mais as discussões, assembléias e a própria greve têm minado minhas energias e ocupado boa parte do meu tempo livre. Não me incomodo, claro - afinal, como quase tudo nessa vida, é escolha minha trocar as horas diante da Montanha Mágica do Mann, ou d'A Vida Como Ela É do Nelsão, ou da biografia do Getúlio, ou da biografia da Maysa, ou dos detalhes sórdidos do congresso do Lúcio Vaz, ou ainda das reportagens da Piauí de maio por essas atividades, digamos, mais políticas.

***
Aliás, Política, do Adam Thirlwell, foi o livro que com prazer dei ao ganhador da última aposta que eu fiz na vida. Conste que é a primeira que perco.

***
A Estrela D'Alva brilhava forte ontem à noite.

***
Depois da imensa fase Marina Lima, de um flerte grande com Caetano, da insistência com o divino Bolero de Satã, a pedida da vez é o álbum Alucinação, do Belchior. Lindo do começo ao fim. E pensar que num álbum o cara lançou os seus maiores sucessos todos. Qualquer dia, quando eu tiver um pouco mais de tempo (são 23h42 e eu estou no escritório, me preparando para ir embora depois de um dia inteiro - cheguei às 9h - trabalhando àrduamente) seleciono uns trechos menos batidos do bigode.

***
Essa semana é de ressaca do meu aniversário. Fiz uma festinha em casa, com alguns amigos muito queridos. Bebi tanto que cheguei a me preocupar com as conseqüências do álcool - não, queridos, não problemas de saúde: me preocupou não me lembrar de momentos que certamente foram mágicos. Além do papelão na frente dos familiares. Mas foi a minha melhor festa, sem dúvida. Muito significativa.

***
Como disse Jean Anouilh: ¿Há o amor, é claro. E há a vida, sua inimiga¿.

postado por: guilherme Quinta-feira, Maio 17, 2007
Palpites pelo mundo:



Sexta-feira

Em Pasárgada tem tudo.

Telefone automático, alcalóide à vontade, prostitutas bonitas.

Deve ter aborto, preservativo, respeito.

Acho que em Pasárgada só não tem essa maldita hipocrisia; não tem preconceito.

Não tem papa.

Todos, em coro: "Papa, go Rome".

postado por: guilherme Sexta-feira, Maio 11, 2007
Palpites pelo mundo:



Recurso provido. Jurisprudência alterada.

Gôsto de ter feito a coisa certa.

***
Palavras do presidente da república:

"Se eu pudesse viajar, viajava com uma picanha pendurada no pescoço, uma carne nobre, pra chegar lá e assar. Porque se nós não mostrarmos nossa qualidade, não serão os adversários que vão mostrar (sic)."

Mais tarde, no mesmo dia de ontem:

"Se pudesse, cada vez que eu viajasse pelo mundo levava todos os produtos brasileiros pendurados num colar."

Pagava pra ver.

postado por: guilherme Sexta-feira, Maio 04, 2007
Palpites pelo mundo:



Quinta-feira

"Quais são essas fraquezas suas?"

Tem pergunta que é melhor não fazer.

***
Seguindo a jurisprudência dessa egrégia tribuna, que quiçá um dia tornar-se-á excelsa, a extemporaneidade impede o seguimento desse processo.

Impede.

***
Quem roubou meu whisky?

***
E o Unicórnio Azul?

postado por: guilherme Quinta-feira, Maio 03, 2007
Palpites pelo mundo:





De Mel
Mind the Gap
Em Preto e Branco
Torre de Papel
Poluição d'Idéias
suco
Tabacaria
La vie en rose
Retalhos do Mosaico




Atual
Arquivo