Sexta-feira

"...flashes excitantes
e ela nadando em lava fervendo
e ela entrando em erupção
Stromboli, Stromboli, Stromboli".

Se eu fosse um recurso encaminhado a algum tribunal meu seguimento seria negado por extemporaneidade (ou intempestividade, nunca vou aprender a diferença). Dá a impressão de que eu tenho uma noção ruim de tempo: ou seja, de que eu erro a hora de fazer as coisas.

E que esse errar me priva.

***
Ela já me disse: sempre há um impedimento. Deve ser a vontade de não carregar nem culpas nem responsabilidades - simplesmente não dá!

***
A hipocrisia fica pra depois. Ainda vou escrever sobre isso.

postado por: guilherme Sexta-feira, Abril 20, 2007
Palpites pelo mundo:



"Estou grávida de chão
e vou parir sobre a cidade quando a noite contrair
e quando o sol dilatar
dar à luz..."
Marina

"O perigo é achar que você precisa de um lugar para ser o que você é."
Maurício

postado por: guilherme Sexta-feira, Abril 13, 2007
Palpites pelo mundo:



Quinta-feira

Ai, Marina, Marina...

"...sonhos são como deuses
quando não se acredita neles, deixam de existir..."

postado por: guilherme Quinta-feira, Abril 12, 2007
Palpites pelo mundo:



Quarta-feira

É difícil conter a síndrome do overposting quando você 1. é uma pessoa que pensa muito; 2. tem um computador na sua frente por oito horas durante o dia.

Esse é o breve relato.

Decido, assim, postar:

Antes porém, vale lembrar a overhappiness. A overhappiness é um estado de espírito, um momento, um sentimento. Acontece nos momentos mais inesperados. Freqüentemente está associada ao consumo de substâncias como o álcool e outras, que não podem ser citadas aqui agora que a moda é a justiça investigas as pessoas pela internet, e se caracteriza por 1. riso incontido; 2. produção incessante de piadas e trocadilhos; 3. otimismo panglossiano. Pode durar desde alguns minutos até um dia inteiro, raramente vencendo a barreira do sono. É um conceito novo, mas pode ser aplicado retroativamente - eu posso dizer, por exemplo, que tive uma overhappiness há 3 anos, quando o conceito só foi criado entre dezembro de 2006 e janeiro de 2007. A última overhappiness que eu presenciei foi no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, às 14h do sábado.

Relatada a overhappiness, vamos ao que importa - que não tem nenhuma relação com o conceito apresentado.

Vocês se lembram que a velhinha de Taubaté morreu? Então, ela morreu. E ela era a última pessoa que acreditava no Estado. Me lembro bem que nesse momento eu me senti traído - eu acreditava, junto com a velhinha de Taubaté, no Estado.

Mas agora anuncio, com alegria, que consegui me libertar disso também. Morreu a velhinha de Taubaté que vivia dentro do meu coração e dentro da minha cabeça. Eu perdi o medo de não confiar no Estado, perdi a dependência que eu tinha - muito parecida, aliás, com a que têm os crentes com Deus. Eu simplesmente depositava a confiança nas decisões do Estado e estava pronto a respeitá-lo, esperando em contrapartida a garantia das minhas necessidades básicas. Coisa de covarde. Preferia entregar a minha vida nas mãos de alguém que melhor soubesse administrá-lo.

Mas acho que cansei de tanta ingerência. Quero eu mesmo tomar conta de tudo. Me sinto, desde há um tempo indeterminado, mais capacitado que o Estado para julgar o que é bom e o que é mau para mim, o que é certo e o que é errado.

Talvez eu esteja ficando maluco, mas prefiro eu mesmo tomar minhas decisões me esquecendo do que diz a igreja, a família, o Estado - seja pela sua Constituição, seja pelo seu braço armado, seja pelos seus transitórios ministros estúpidos como o mandatário da vez.

Melhor não ter telhado nenhum que ter telhado de vidro.

Está em gestação aqui algum comentário sobre a hipocrisia.

postado por: guilherme Quarta-feira, Abril 11, 2007
Palpites pelo mundo:



Terça-feira

O que que eu ia dizer mesmo?

Ah!

"Ah, esse cara tem me consumido..."

Ou será que era

"Menino do Rio, calor que provoca arrepio..."?

Hoje foi dia de cantar Caetano na firma. Em dueto.

Amanhã é dia: às 15h30.

postado por: guilherme Terça-feira, Abril 10, 2007
Palpites pelo mundo:



Segunda-feira

Rio de Janeiro, que cidade maravilhosa. E que páscoa tranqüila! Sol o feriado inteiro, compartilhando Ipanema com o maior especialista em Hegel do Brasil (eu acompanhado do precioso amigo que é, talvez, o mais dedicado estudante de Hegel do Brasil). Anfitriã perfeita, com panquecas feitas na panela de panquecas e recheadas com maçãs e ricotas, com queijos fundidos. Almoços estupendos, jantas inimagináveis.

Eu preciso não esquecer como se é feliz nesses momentos. Podia ser assim a vida inteira. Lagarteando na praia, lendo O Globo na areia, rindo e falando sério, ouvindo a Marina.

Ficando em silêncio. É bom saber que eu agora consigo me sentir à vontade em silêncio.

Amigo é muito bom.

***
No Rio ainda, nos deparamos com uma barraquinha que vendia discos. LPs. Não resisti, e a surpresa: estavam todos a um realzinho. Parecia já de saída muito bom, mas o homem fez ainda melhor - leva 3 por dois real.

Aí vieram comigo no Itapemirim Golden 16 discos - Simone, Marina (muita Marina), Pet Shop Boys, Bethânia, Walesca (ilustre desconhecida absoluta). Estão aqui comigo no trabalho.

E veio também a Suite Transbrasil. Parece um projeto de loucos que fizeram música de exaltação à terra brasileira e ao sentimento nacional. Parecia só, até eu ler a parte interna do álbum. Transcrevo aí um trechinho:

"Constantemente preocupada com todas as manifestações de natureza social, cultural, cívica, que visam o registro da grandeza - e o esforço pelo engrandecimento - da nossa Nação, a Copacabana Discos sente-se orgulhosa por poder gravar e colocar ao alcance de todo o público - do Brasil e estrangeiro - a SUITE TRANSBRASIL. É obra que consideramos definitiva, histórica, não apenas pelo que significa como contribuição à Música, e conseqüentemente à Cultura, do povo brasileiro. Mas principalmente por estar inserida num movimento atual, grandioso, desencadeado por homens proféticos e sensíveis aos anseios de crescimento e integração de sua Pátria, sabem criar condições para que se dê esse Desenvolvimento em Harmonia com a Natureza.
[...]

UMA DESCRIÇÃO DA SUITE TRANSBRASIL

O primeiro quadro intitula-se Transamazônica e - pela orquestração dada, com um final grandioso - busca dar ênfase à realização de um ideal patriótico: a construção da rodovia transamazônica, por si só uma obra verdadeiramente épica.

[...]. ... no final, em nível apoteótico, buscar a exprimir a vitória de todos os brasileiros na conquista da Amazônia, em verdadeiro triunfo sobre o ceticismo mundial."

De cair de quatro pensar que isso é o Brasil de 1972. E mais ainda ao ver que o disco tem uma dedicatória ao General João Bina Machado - que morreu em 2000 e foi expulso da direção do exército do Rio por visitar presos políticos, justamente em 72. Um tesouro. Passarei a noite escutando.

***
O Rio é muito simpático - o carioca, mais ainda. Muitas pessoas puxaram assunto só porque éramos paulistas. Gente tripudiando gentilmente do nosso final anasalado em "casamento", "estacionamento". E incrivelmente, quando eu estava comprando cerveja no supermercado, a gentil sra. Celene, que estava atrás de mim na fila e percebeu que eu era paulista, ofereceu o cartão de descontos dela. "Aíam, paulishta, ganhou dois real!". O "dois real" com sotaque paulistano, né, meu?

***
E também foi um fim de semana pra descobrir como o mundo é pequeno, como as pessoas que aparentam maior segurança podem ser frágeis também - e divertidíssimas - e pra pensar um pouco sobre como uma pessoa se relaciona com o mundo.

A psicóloga está marcada aqui no post it: quarta-feira, às 15h30.

***
Quem sabe não brota uma flor do impossível chão?

postado por: guilherme Segunda-feira, Abril 09, 2007
Palpites pelo mundo:



Quinta-feira

Só pra não esquecer, o terceiro post do dia:

Acontecimentos

Marina Lima/Antonio Cicero

Eu espero
Acontecimentos
Só que quando anoitece
É festa no outro apartamento


Todo amor
Vale o quanto brilha
E o meu brilhava
E brilha de jóia e de fantasia

O que que há com nós dois, amor?
Me responda depois
Me diz por onde você me prende
Por onde foge
E o que pretende de mim

Era fácil
Nem dá prá esquecer
E eu nem sabia
Como era feliz de ter você

Como pôde
Queimar nosso filme
Um longe do outro
Morrendo de tédio e de ciúmes

O que que há com nós dois amor?
Me responda depois
Me diz por onde você me prende
Por onde foge
E o que pretende de mim.

postado por: guilherme Quinta-feira, Abril 05, 2007
Palpites pelo mundo:



Ai, agora é Marina Lima a nova fase.

A voz mais sexy da música brasileira. É engraçado, sempre que eu escuto a voz dela, a imagem que me vem à cabeça é a da Fernanda Abreu!

Queridos, que no caso sou só eu (agora escrevo o blog pra mim mesmo! vejam só que evolução!), eu vou desligar o celular. Vou desligar tudo. Vou pro Rio de Janeiro.

Páscoa? Foda-se.

postado por: guilherme Quinta-feira, Abril 05, 2007
Palpites pelo mundo:



E eu tenho só dois corações e achava que estava tudo bem! Ai, preciso ouvir a voz das coisas:

Corações a Mil

Minhas ambições são dez
Dez corações de uma vez
Pra eu poder me apaixonar
Dez vezes a cada dia
Setenta a cada semana
Trezentas a cada mês

Isso sem considerar
A provável rebeldia
De um desses corações gamar
Muitas vezes num só dia
Ou todos eles de uma vez
Todos dez desatarem a registrar
Toda gente fina
Toda perna grossa
Todo gato
Toda gata
Toda coisa linda
Que passar

Meus dez mil corações a mil
Nem todo Brasil vai dar

É do ministro da Cultura desse país. Mas bonita mesmo é a interpretação oitenteira da Marina Lima.

Explodam Corações!

postado por: guilherme Quinta-feira, Abril 05, 2007
Palpites pelo mundo:



Terça-feira

Caetano não canta, né? Ele sussurra. E às vezes eu acho que é pra mim. Caetano onipresentemente, Rio e Belíssimo Horizonte.

E no embalo de Caetano vou eu me espraiando naquelas areias do Rio, contornos sinuosos-tigresas, preguiça e langor.

Suspiro. Os canais estão longe, os amores estão na alma, a viagem não termina nunca - é hora de começar outras. Bruta flor, bruta flor.

Morro lá. E nem é na praia, meus amores. Morro entre canais, me derrete a cor do cabelo, do pouco que resta, e se me escorre pelo rosto branco de Pierrot tristonho.

Ele te deu o beijo, mas bem que eu queria ter te dado o sonho.

Bah. Colombinarlepierrot. Querendo te aprender o total... não há em mim.

Lutemos mas só pelo direito ao nosso estranho amor.

postado por: guilherme Terça-feira, Abril 03, 2007
Palpites pelo mundo:



"A beleza não é o que se vê. Ela é o que parece, quando parece e porque parece."

De Xen Hao Xin a Mr. Miles, o homem mais viajado do mundo.

Mr. Miles, gênio que é, utilizou a frase para responder ao leitor afoito que pergunta qual o lugar mais bonito do mundo.

E continua: "...o belo e o novo se confundem, e aquele que vive na frente do mais translúcido dos lagos sempre há de se admirar com as águas turvas de um pântano distante. Don't you agree?"

Já tinha me esquecido de como amo esse homem.

postado por: guilherme Terça-feira, Abril 03, 2007
Palpites pelo mundo:



Segunda-feira

E o medo volta com força total. Acreditam que na semana passada eu fui pegar um ônibus ali do lado do cemitério da Lapa e, de repente, surgem baratas. Dezenas delas. Comecei a sentir um calafrio real, um medo legítimo. As pernas fraquejavam, a respiração ofegante.

Como estava de calça e papete, o roçar da barra no peito do pé me fazia pular e bater o pé no chão. A moça que vendia os quitutes no ponto, minha única companhia à meia-noite de quinta, ria dissimuladamente. Eu perguntei se ela não tinha medo. Tinha perdido.

Claro, todos os dias ali sentadinha com as baratas em volta. É o jeito dela viver. Ou se acostuma ou toma no toba.

Se acostuma. Quantas vezes eu já disse que o diabo é que a gente se acostuma... Vamos lá, agora, sair da firma, pegar um ônibus cheio e uma rua com trânsito segurando a bolsa na frente porque alguém pode querer roubar tudo; vamos andar olhando em volta; vamos trancar as portas do carro e subir os vidros a cada semáforo.

E ainda somos capazes de rir dos gringos apavorados com a segurança pública. Quosque tandem?

postado por: guilherme Segunda-feira, Abril 02, 2007
Palpites pelo mundo:





De Mel
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Em Preto e Branco
Torre de Papel
Poluição d'Idéias
suco
Tabacaria
La vie en rose
Retalhos do Mosaico




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