|
Quarta-feira
Voltei, voltei, voltei.
E foi difícil. Quando o avião pousou em Guarulhos eu olhei pra Ju, que estava do meu lado, e perguntei com franqueza doída:
- O que é que eu estou fazendo aqui?
Não sabia. No vôo da Tap, cujo avião era novíssimo, alguns comportamentos brasileiros me incomodaram. A mania de ser excessivamente simpático e, talvez não conseqüentemente, mas inexoràvelmente ineficiente me irritou demais. O homem era de Curitiba, mas morava em Madrid e tinha uma esposa espanhola filha de austríacos, por isso o bebê que ele levava no colo, o Aron, falava português, alemão e espanhol, e a esposa não conseguira as férias que queria para aquela semana, assim sendo ela perderia o carnaval...
e eu não perguntei nada. Minha vontade era dizer ao senhor, com sinceridade, que a história dele não me interessava, que eu não queria saber nada da vida dele e que eu não havia perguntado.
Mas ele foi mais rápido e me obrigou a empregar monossílabos para perguntas como "você prefere viver aqui em Madrid ou lá no Brasil?" "Sim".
Além dele, no avião que atrasou, havia multidões de brasileiros, todos contentes por voltar a essa terra estúpida, sede da ineficiência mundial. Um monte de mulheres começou a fazer reclamações insolentes em voz alta, lançar queixas como se fossem suspiros de um pensamento em voz alta: "Ai, mas que abisurrrdo esse atraso, viu, impressionante....". Impressionante, minhas senhoras, é a incapacidade de vocês de chamar um comissário de bordo, pedir-lhe explicações diretas e concretas, formular uma reclamação formal baseada em argumentos e exigir respostas às demandas. Mas, pf, pra quê? O objetivo não era obter respostas, mas sim estabeleces vínculos com os outros passageiros. Linda maneira de fazer amizade, não? Com reclamações hipócritas em voz alta.
E logo começaram as conversinhas entre pessoas desconhecidas, que grunhiam como corvos no cio. Este ex-brasileiro só não pediu silêncio para evitar que a ilustre companheira que o acompanhava não morresse de vergonha. Nunca, em nenhum outro vôo, eu havia me sentido tão desrespeitado no meu direito de não ouvir merda, nem risos, nem mostras hipócritas de simpatia.
Acho que é melhor eu encerrar esse primeiro capítulo da volta por aqui - meu coração já se emebebedou em fel, e o administrador desse blog, com seu maldito tempo limite para escrever alguma coisa e a conseqüente desaparição do texto redatado após esse tempo, conseguiu provocar ainda mais uma fúria adormecida.
Conclusão da primeira parte: perdi a paciência para hipocrisia; passei a dar mais valor à eficiência em detrimento da simpatia estúpida. O Brasil pode ser bom para passar férias, para ser observado como um país pitoresco onde as instituições não funcionam e onde tudo se resolve com um sorriso e muita lerdeza e burice. Viver aqui se torna um pouco insuportável.
postado por: guilherme Quarta-feira, Fevereiro 28, 2007
Palpites pelo mundo:
Terça-feira
Ok, depois de Paris, Munich. Depois de Munich, Madrid.
E essa cidade me pega de jeito mesmo, me sacode e me diz "me ama, seu filho da puta, me ama!".
Eu só obedeço.
Falta quanto? 3 dias? 2? Um e meio!
Voltei pro morro
Onde está o meu cachorro
Meu cachorro vira-lata
Minha cuíca, meu ganzá
Voltei pro morro
Onde está o meu moreno
Chamei ele pro sereno
Porque se eu não me esbaldar eu morro
Voltei pro morro
Onde estão minhas chinelas
Eu quero sambar com elas
Vendo as luzes da cidade
Voltei, voltei, voltei
Ai se eu não mato essa saudade eu morro
Voltei pro morro, voltei
Voltando ao berço do samba
Que em outras terras cantei
Pela luz que me alumia
Eu juro
Que sem a nossa melodia
E a cadência dos pandeiros
Muitas vezes eu chorei, chorei
Eu também senti saudade
Quando esse morro deixei
E é por isso que eu voltei...
postado por: guilherme Terça-feira, Fevereiro 13, 2007
Palpites pelo mundo:
Quinta-feira
Paris...
Primeiro noite linda, depois dias horriveis. Ai, uma manha com neve, outra noite linda e hoje um meio dia de sol.
Torre Eiffel: o maior medo da minha vida foi subir aquelas escadas. E que estranho e ver Paris da torre: simplesmente nao tem a torre pra ser vista!
Panteon: o maior mico.
E qual a maior tristeza? Depois de ir ate o cemiterio mais famoso da cidade e ver o Bizet, o Oscar Wilde, o Alan Kardec, a Maria Callas e outros, ser expulso por uma fiscal gorda e chata porque era hora do cemiterio fechar.
E nao ver a Piaf!
postado por: guilherme Quinta-feira, Fevereiro 08, 2007
Palpites pelo mundo:
Terça-feira
Ui ui ui! Quer dizer entao que alem dos meus cinco leitores ainda surgiram uns novos! Muito bom!
Eu continuo no meu processo de descobrir se estou ca ou la. Enquanto nao decido, ganho uma nova amiga em Paris - que gentilmente nos acolhe a mim e a flor que esta me suportando dese o dia 21 de janeiro. E haja força de vontade: Oslo, Barcelona, Madrid na casa sem banheiro, Amsterdam com efeitos especiais, agora Paris (que e mesmo fascinante e linda, mas que tem um tempo de merda).
Hoje foi dia de caminhar pelas catacumbas, pelos boulevares, de ligar pra casa e dizer que estava as margens do Sena, na Maison de la Radio - alguem mais ouve a Jovem Pan?
Tambem foi dia de ver souvenires. Eu que sempre fui contra souvenir agora estou ficando viciado. Pena que nao da pra levar pra todo mundo. Mas uma coisa e certa: as encomendas estao compradas, e tem algumas surpresas.
Faltam oito dias. Sera que eu estou pronto?
Como e que canta o Bowie naquele Cd maravilhoso que eu cimprei na Irlanda e que e duplo?
"ten, nine, eight, seven, six, five, four three twoone
lift off
...
can you hear me major Tom?"
Sera que o homotipo perdeu a carteira??? Sera que eu me encontro?
Posso ser sincero? Vou ter muita saudade da Europa. Mas nao posso cogitar ficar aqui, que eu morro de saudade de voces.
E de tantos nao leitores.
"Ai se eu nao mato essa saudade
eu morro
voltei pro morro... voltei."
postado por: guilherme Terça-feira, Fevereiro 06, 2007
Palpites pelo mundo:
Quinta-feira
Metade cá, metade aí.
Estou perdendo o ânimo de postar porque ninguém mais lê meu blog. Os meus cinco leitores, aqueles, já se foram.
Mas essa foi a semana de receber alguns emails emocionantes - nem tanto pelo conteúdo, mas pelas lembranças que me trazem, lembranças de gente tão querida.
Estou mais perto do que nunca. Mas ainda estou aqui - e preciso aproveitar!
Hoje com a princesinha (que perdeu a carteira, que miiico!!!) fui para Toledo. Linda cidade. E lembrei de comprar um souvenir para um cara que nem lê isso aqui, mas me pediu com tanta insistência que eu não resisti.
E amanhã, às 6h30 da manhã (hora daqui) vou para Amsterdam. E depois Paris. E Munich. E Stuttgart.
Volto a Madrid no dia 12. Dia 13 tem despedida. Dia 14 fazer as malas. Dia 15, São Paulo.
Dia 16 - Rio.
Onde eu estou mesmo? Aqui ou aí?
postado por: guilherme Quinta-feira, Fevereiro 01, 2007
Palpites pelo mundo:
|
De Mel
Mind the Gap
Em Preto e Branco
Torre de Papel
Poluição d'Idéias
suco
Tabacaria
La vie en rose
Retalhos do Mosaico
Atual
Arquivo
|