Sábado

Saudade apertou (antecipadamente).

Hoje a cidade está linda, uma noite preciosa e quente! Sim, o calor voltou pra cá. As pessoas estão na rua, a Lua está uma graça, os neons, os cheiros, os barulhos.

Vou arrumar programa pra essa noite, sem dúvida. Preciso fazer alguma coisa. Preciso aproveitar.

Nunca mais serei feliz em lugar nenhum - meu coração já se despedaçou de vez.

postado por: guilherme Sábado, Outubro 28, 2006
Palpites pelo mundo:



Sexta-feira

Ufa, a semana está acabando. Sei que pode ser um pouco cedo pra cantar vitória, mas vamos lá: o sol saiu.

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Ontem me deu um ataque claustrofóbico. Às vezes ficar em Madrid é sentir-se preso. E a aproximação do meu deadline aqui, o cancelamento de uma visita que deveria alegrar o meu final de semana que vem, o vislumbrar de um mês de novembro muito parecido a outubro (um mês árido, sem uma viagenzinha - exceto Ávila, mas está a 150 km e, portanto, não conta - e cheio de trabalho) resolvi. Comprei uma passagem aérea para a Suíça, para Zurich. Vou passar o final de semana dos dias 1 a 3 de dezembro por lá. Claro que não escolhi esse destino por acaso: foi convite de uma aluna querida, que tem casa em Zurich. E, claro, nesse final de semana terei a sua companhia - e a do frio também, brr.

Eu sei que novembro continua árido, mas é como atravessar um deserto com a vista de um oásis no horizonte: dá ânimo.

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Não bastasse isso, resolvi fuçar no site da RyanAir. E tinha uma passagem tão barata pro dia 22 de janeiro que eu não resisti: 20 euros para ir e voltar a Oslo, na Noruega. Vou nessa segunda-feira e volto (olhe bem o dia, querida) no dia 24 de janeiro.

Ou não. Se eu perder esse vôo, pff, que problema! Vinte euros! E, sim, esse destino eu escolhi por acaso.

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E preciso começar a me mexer para o final do ano. O companheiro de viagem já está, junto comigo, fixando as datas e o roteiro, e precisamos comprar nossos bilhetes. Por enquanto só sei que no dia 16 de dezembro embarcarei para Bérgamo ou Milão. E de lá os planos voam - outra vez Veneza, outra vez a Suíça. Paris por fim!

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Moral da história: se você está numa semana ruim, compre passagens aéreas.

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Preciso ir para a Holanda.

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Ah, e nesse meio tempo, entre novembro e dezembro, receberei a visita de outra amiga querida - mas essa é das traidoras que vai para Portugal e, aproveitando, vai conhecer a Espanha. Ah, Portugal, por quê?

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Só pra constar: nesse último post eu disse que tinha autonomia de vôo pra ficar aqui até fevereiro, né? E que poderia deixar de trabalhar. Pois vejam só - num delírio, eu esqueci de contar o mês de novembro.

Ou seja, nada de autonomia de vôo. Sim, trabalharei de cabeça baixa. E exigirei as minhas férias.

postado por: guilherme Sexta-feira, Outubro 27, 2006
Palpites pelo mundo:



Terça-feira

Quando um dia está muito ruim, começa com o pé esquerdo, quando as bruxas estão soltas, quando o universo amanhece conspirando eu digo sempre uma frase:

Tem dia que é noite.

Ontem eu quase disse isso ao perder o trem para Guadalajara e chegar 15 minutos atrasado, atraso que me fez perder o trem da volta e atrasar meia hora a aula seguinte, que teve que ser reduzida em meia hora pra eu não me afogar no resto do dia. Esqueci de passar na locadora e deixar o filme do final de semana, não comi nada porque esqueci mas fiz uma boa janta inventada, vi CSI e descansei tranqüilo.

Agora me digam uma coisa: como é que eu poderia dizer quando não é um dia ruim, mas sim uma semana inteira com prognóstico nada alentador? "Tem semana que é um purgatório"?; "tem semana que é eclipse"; "tem semana que era melhor não ter"?; "tem semana que vale mais a pena debaixo da terra"?

Pois tinha uma mensagem no meu celular hoje pela manhã: uma das faturas para um dos alunos foi com erro e terá de ser refeita. Segundos depois liga a minha chefe pra falar de outro grupo pra quem eu dou aulas, que mandou um email fazendo sugestões, de aulas mais "centradas", com um "cronograma", com uma "folha-resumo da gramática".

E que ela, a chefa, quer fazer umas folhas de avaliação do professor para entregar aos alunos, um exame de nível para todos os alunos. E já marcou uma reunião nos dias 4 e 19 de novembro, as duas às 17h. Ou seja, um sábado e um domingo jogados no lixo.

Se ela começar a me encher o saco, ah, rapaziada, agora que eu tenho autonomia de vôo pra ficar por aqui até fevereiro, a saia roda. E eu pulo fora. Chega de estresse.

***
Puxa, queria contar que ontem, que é o dia em que eu mais trabalho ever (são 8 horas de aulas no total, com todos os deslocamentos; saio de casa às 6h15 e chego de volta às 21h15), recebi uma ligação da Irlanda e outra do Brasil. Coisa mais linda... quando eu tiver tempo e um humor mais decente, eu telefono de volta. Agora mesmo eu preciso fazer uma folha resumo de toda a gramática do português.

postado por: guilherme Terça-feira, Outubro 24, 2006
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Domingo

E o maldito blogger me desrespeitou: eu mandei esse post aí de baixo pro servidor, mas não era pra ser publicado ainda. Não estava completo.

Para evitar mais edições, que eu não edito posts, criamos outra entrada com alguns detalhes do dia de ontem.

Como a sexta foi dia de festa, no sábado eu me deitei às 8h da manhã. E acordei às 13h, que tinha combinado um encontro com a Tatiana, minha amiga da universidade daqui - aquela que foi pra Holanda e voltou. Pois então, ela me disse que ia me levar num lugar, que era uma surpresa. E eu achava, na minha inocência, que era um lugar de comer, ou de beber. Pff, qual quê, qual nada: era o museu ferroviário espanhol.

Vocês tinham que ver os meus olhinhos brilhando como costumavam fazer nos idos de 2000, 2001, 2002 e acho que até 2003. Foi uma volta no tempo, no meu tempo de trens, no tempo em que mais que gostar eu era apaixonado pelo transporte ferroviário e recitava pelos quatro cantos que

um trem é uma coisa mecânica
atravessa o dia, a madrugada
atravessou a minha vida
virou só sentimento

, pérola da Adélia Prado que encabeçava a minha monografia sobre a Santos-Jundiaí. Deu saudade daqueles tempos. Deu um comichão por dentro, e as locomotivas elétricas lindas, as vapores, as Diesel, tanto material rodante... Foi super lindo!

E logo fomos comer uma tapinha (um pisto, que é feito com berinjela e é uma delícia!) e depois um almoço indiano (ou paquistanês, não sei, que o restaurante tinha dupla nacionalidade) em Lavapiés.

Voltei pra casa pra descansar, conheci uma lituana perdida no caminho perguntando pela rua "do you speak english?" na terra monoglota por excelência, ouvi um pouco de música, vi por fim a maravilha de filme Taiwanês "O gôsto da melancia", ou "El sabor de la sandía", e, às 21h, cansado como nunca, depois de ler um pouquinho mais do livro do Álvaro Pombo, fechei os olhos.

Acordei quase 12 horas depois. Fazia tempo que eu não me cansava assim. Com certeza eram os nervos.

Hoje fiz limpeza - aspirador, pia, banheiro, cândida, Dom Limpio - têm que levar esse produto pro Brasil - e café da manhã farto com jornal do dia.

Bem vinda, semana! E com ela vem outra vez a chuva.

postado por: guilherme Domingo, Outubro 22, 2006
Palpites pelo mundo:



Sábado

Alguém aí conhece a Paquita La Del Barrio? Eu fui apresentado ontem a essa cantora mexicana (esse país, esse país) que é para as mulheres maltratadas ou mal amadas o que é a Chavela Vargas para as lésbicas do mundo.

E Paquita canta pérolas como

Basta ya de tonterías
no más vueltas al asunto
sé que quieres tu conmigo
...
no voy a negarlo
yo también queiro contigo
...
no te hagas el educado
si estás queriendo conmigo
atascate ahora que hay modo

pierdeme el respeto
dejate de cosas
y hazme, te lo ruego,
las proposiciones más indecorosas.

E as de traição, que são ótimas: três vezes ela engana o marido, o inútil: a primeira por coragem, a segunda pro capricho e a terceira por prazer!

E no meio das músicas sempre grita a um homem ouvinte imaginário: "¿Me estás oyendo, inútil?". Tudo ao som de mariachis!

postado por: guilherme Sábado, Outubro 21, 2006
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Quinta-feira

Aviso: abrindo uma exceção, eu estou editando esse post. Essa primeira parte já estava, ficou aqui por duas horas. A partir das segundas estrelinhas, não estavam.

***
Na segunda eu escrevi antes da chuva. A chuva chegou às 2h da manhã de segunda para terça-feira. Vejam, chuva: se o céu nunca tinha nuvens, imaginem vocês uma chuva! Os guarda-chuvas com cheiro de naftalina desfilando pelas ruas!

Pois começou nesse dia e me sinto na bíblia, ou num livro do García Márquez: ainda não parou .Ou seja, faz 60 horas que está chovendo.

E o iPod começa com as malditas músicas "Dia tão lindo, e a chuva parou..." ou então "...são chuvas de verão...".

Agüenta coração, agüenta que a descida da montanha russa começa agora.

***
A gente vai tomando, a gente vai fumando, a gente vai se amando e a gente vai ouvindo música. Que se não, ninguém segura esse rojão.

Pois estou investindo um pouquinho mais de dinheiro no meu dia-a-dia. É uma merda mesmo, basta com ganhar um pouco mais em cash, assim avloumado, e pronto: já criamos novos gastos e novas necessidades que não existiam.

Mas, confessem: tem coisa mais gostosa que ir num dia à noite a um barzinho pequeno, aconchegante (sem cadeiras nem mesas, claro, que aqui se fica de pé) e ver um jazz ao vivo com gin tonica? Ou a outro bar, esse com mesinhas, ouvir blues?

É, dengos, resolvi me apaixonar de verdade pela cidade e me entregar um pouco a esse amor.

postado por: guilherme Quinta-feira, Outubro 19, 2006
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Segunda-feira

O outono vem com força agora: desenterrei meus cachecóis (tenho quatro agora: um que eu já tinha, um que a companheira de trabanho me emprestou antes de eu vir com uma blusa e umas luvas, um que minha mãe me trouxe quando veio e o último, que eu estou usando agora, que foi presente da amiga dançante que me visitou), estou pensando em tirar as blusas que estão armazenadas nas malas. O vidro da janela já fica fechado a noite toda; durmo debaixo do lençol e de dois edredons, com roupinha de mangas compridas; esquento o leite de manhã, tomo chá à noite, não ponho chinelos sem meia.

E as árvores estão mudando de cor, as folhas estão caindo, o céu já não é 100% azul durante 98% dos dias, o vento é frio.

E sabem o que me dá tristezinha quando vejo uma folha cair amarela? É que eu não vou ver, como vi em abril, aquele galho rebentar numa nova folha verde-clara. E que eu não vou tirar mais os cachecóis, nem as blusas; e que as bermudas sim já irão pra mala.

Que horror é quando o frio chega ao país mais quente da Europa.

postado por: guilherme Segunda-feira, Outubro 16, 2006
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Domingo

Marilene é peixeira numa região aí de São Paulo, lá pros lados da Penha. E vejam que engraçado, como é a vida! A Marilene não só vende o peixe por quilo de porta em porta, dirigindo a sua Pampa 82 a álcool, mas também entra na casa dos clientes e, agradecendo um copo de cerveja ou uma branquinha, limpa o peixe, corta em filés, em postas, em iscas e ainda tempera. Faz o serviço completo! E adora fazer o que faz, principalmente por causa da interação, da amizade, dos laços que ela cria com cada um.

Que entrar na casa de alguém já é conhecer muito a respeito dessa pessoa; compartilhar um copinho de cachaça e encostar junto o umbigo na pia gelada, nossa, é mais que intimidade.

E entre os clientes da Marilene havia um senhor desempregado cuja mulher trabalhava o dia inteiro. Era o Mauro. O sô Mauro comprava peixe da Marilene toda sexta-feira, que além de ser o dia oficial do peixe ainda calhava de ser o dia em que a Marilene desfilava o sorriso, a simpatia e a Pampa a álcool por aquela rua.

E foi numa sexta-feira, depois de tantas outras, que alguma coisa aconteceu: a Marilene estava limpando a merluza e cortando em filés enquanto o sô Mauro batia os ovos e esparcia a farinha num prato raso - ia empanar os filés para fritar nesse dia - e a pinga descia redonda, e o sol estava bonito, o céu estava azul claro, o cachorro latia com melodia, fazia frio, o cheiro do peixe não era ruim, não era ruim, não era ruim.

O sô Mauro já havia sido infiel, mas nunca com alguém de confiança como era a Marilene. A Marilene já tinha sido colher, mas nunca de um cliente.

Viveram uma tarde linda.

E, de tanta alegria, o sô Mauro conseguiu um emprego de dia inteiro em Campo Limpo Paulista. Foi embora. A peixeira continuou seu trabalho, o de vender peixes. Nunca esqueceu o Sô Mauro.

Nem nunca contou que era de Campo Limpo.

postado por: guilherme Domingo, Outubro 15, 2006
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Quinta-feira

Eu sabia que ia acontecer em algum momento, mas não podia prever que seria ontem.

Pois foi ontem, no final da tarde e durante a noite.

Todo mundo sabe que eu sou um pouco exagerado, que tenho minhas paixões, minhas birras. Que não consigo dizer que uma coisa é boa e a outra é mais ou menos. Uma coisa é ótima e a outra a pior jamais vista. Assim funciono, uma dicotomia de extremos.

Ontem me apaixonei por Madrid de novo, com força. E o pior é que hoje continua. Parei para pensar que nesse domingo, 15, aniversário do meu irmão, minha estadia aqui cumprirá 8 meses. Isso significa que eu terei mais quatro meses pela frente, e serão quatro meses intensos, vejam vocês.

Me deu uma dor pensar na volta. Me deu de novo um medo, um receio, uma insegurança... O que me espera por aí, por São Paulo? Eu sei que me esperam pessoas explêndidas, dessas que um não encontra sempre por aí.

Mas ao mesmo tempo tenho a impressão de que não perderei jamais essas pessoas. Estar aqui longe delas não chega a ser dolorido mais, como já foi. Rá, longe delas. Elas, essas pessoas, são vocês, que lêem isso aqui quase sempre.

Mas então, à noite, começou um filme na televisão, Cleópatra. Lindo, um filme argentino. E eu vi inteiro, e fiquei apaixonado por aquele país. E minha vontade foi pegar um carro e finalmente atravessar a Argentina de sul a norte (os extremos, claro está), e eu quase chorei.

E me emociono pensando nas cidades e países que estão aqui por perto e que eu quero visitar ainda, nessa viagem ou em outra.

Ou seja: estou perdido no mundo. Não tenho mais âncora, não quero um emprego fixo, não quero nem casa, nem cachorro, nem "pareja" (como se diz isso em português?); no máximo um carro.

No sábado tem sorteio da loteria. Vamos ver se ganho um milhão de euros - se for assim, melhor. Sonho cumprido. Viver de renda, ainda que pequena.

Se não for assim, continuar sonhando. E vamos ver mais quantas noites eu durmo meio bebinho de whisky e vinho, ouvindo a Ângela Rô Rô cantando...

"Amar e sofrer, eu vou te dizer..."
"Pois ontem à noite, sorrindo acordada, sonhei com você"
"Tola foi você, ao me abandonar..."

E por aí vai.

Agüenta, coração. Ontem ele explodiu de vez.

***
Hoje teve desfile militar aqui, com presença de rei e tudo. Mas eu perdi a hora e quando cheguei já tinham passado. Resolvi caminhar por Madrid, ir até a Fnac, comprar dois livrinhos. Apaixonado, apaixonado por tudo ao mesmo tempo!

postado por: guilherme Quinta-feira, Outubro 12, 2006
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Terça-feira

Que bom que depois de um jornal vem outro.

No jornal de hoje: a justiça paralisou o corte das árvores.

A prefeitura de Madrid abriu sindicância pra investigar a razão da negativa do restaurante em receber os pombinhos machos.

Ufa!

***
E, na França, está pra ser aprovada a lei anti-tabaco. Parafraseando Janer Cristaldo: Venha para a Europa rápido, antes que acabe!

postado por: guilherme Terça-feira, Outubro 10, 2006
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Segunda-feira

Problemas pessoais ou política? Como não tenho tempo nenhum, fico com a política.

O PP é o partido conservador aqui, que está na oposição ao Zapatero. É o partido do Aznar, aquele que mentiu sobre o atentado do 13 de março e perdeu as eleições dias depois.

Pois, a comunidade de Madrid (estado, mais ou menos) e a cidade estão sob o comando desse partido.

E hoje saiu no jornal que a maioria da renda destinada a instituições que cuidam de jovens grávidas, mais especìficamente 72 por cento dessa renda que beira o milhão de euros, vai para as de cunho religioso e absolutamente contra o aborto.

Num país onde o aborto é permitido desde há 20 anos, mais ou menos.

É o mesmo partido que insiste que a ETA tem relações com os atentados de Atocha. É o mesmo que se opõe ao casamento homossexual, permitido aqui há pouco mais de um ano. É o fundado pelos ministros do Franco em 76. É o que autorizou nessa semana a derrubada de uma floresta, refúgio da cegonha preta (em extinção) para a construção de casas. É o partido que hoje entrou com um projeto de lei que impede um transexual de mudar o nome no documento e o "sexo social", aquele que usa no dia-a-dia, sem antes fazer a cirurgia e adquirir o fenótipo do novo sexo.

Procurem no youtube. Deve haver vídeos horrorosos. O presidente desse partido se chama Mariano Rajoy. Tem a língua presa.

O Aznar tem paralisia no lábio superior.

postado por: guilherme Segunda-feira, Outubro 09, 2006
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Sábado

Madrid será a capital do orgulho gay na Europa em 2007.

Ao mesmo tempo, um restaurante se recusa a receber a festa do casamento de dois homens.

E um juiz anula um casamento heterossexual porque o homem ocultou à esposa a informação de que era homossexual.

postado por: guilherme Sábado, Outubro 07, 2006
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Quinta-feira

Como promessa é dívida, cá voltei eu hoje pra frente do computador, com a câmera, o cabo correto e tudo o mais. Finalmente uma pequena amostra das fotos da viagem.

E por que pequena amostra, vão me perguntar os mais curiosos, os mais atentos ou os mais íntimos. Pequena porque fomos em dois na viagem (oh!) e levamos duas câmeras. A minha câmera contém menos de metade das imagens, e a maioria delas da metade em diante. Ou seja, será de fato uma pequena amostra.

Vamos a ela, então, oras!

Bom, depois de sair de Madrid e ir para Sigüenza e Andorra e passar por uma estrada maravilhosa descoberta por acaso, chegamos à Costa Azul, no sul da França. Uma coisa explêndida! E, no final da Costa Azul, que está documentada e fotografada na câmera da companheira de viagem, chegamos a Mônaco! Sim, amores, eu pisei no solo onde já reinou (ou seria "princesou?) Grace Kelly!



Saindo de Mônaco a minha máquina me brinda com mais um vácuo de informação. Mas daí passamos para a Itália, e depois por Gênova (onde foi impossível não lembrar de um amigo querido que ficou naquela cidade portuária de estética duvidosa durante um ano!) e por outras cidades da costa da Ligúria. Já não sei bem onde, nem como, mas resolvemos ir para Garéssio. É que a estrada estava assinalada no mapa como "itinerário pitoresco". A maioria das nossas rotas era escolhida com base nessa informação do nosso mapa.

A estrada de Garéssio está documentada. Garéssio, não.



Pois se saímos de Garéssio e rumamos para o sul da Itália o que encontramos no caminho? Sim, senhor, a famosa torre de Pisa!



E olha aí a flor que me acompanhou fazendo força. Seguuura, peão, que essa torre cai.

Pra vocês verem como essa foto é original e quase ninguém pensa em tirar, vejam o que acontece quando você não enquadra a torre mas sim os turistas que vão até Pisa para visitá-la:



SImplesmente ridículo.

Partindo de Pisa, fomos para Florença, e daí para San Gimignano, uma cidade murada que era uma graça, mas onde não tivemos sorte e fomos obrigados a dormir no carro. Os hotéis que tinham vagas cobravam preços absurdos, e a maioria estava lotado. Assim que investimos o dinheiro do pernoite numa macarronada com uma garrafa de vinho italiano. Somos chiques, verdade?

Dia seguinte, nova cidade: dessa vez o objetico foi Siena, cidade que também hospedou outra querida leitora eventual dessa tribuna aqui. Outra vez foi impossível não lembar.



Essa aí de cima é a praça central de Siena. Vocês tinham que ver as ruazinhas que saíam dela, estreitas, com prédios tortinhos. Uma graça, apaixonante.

Ok, apaixonante. Mas Roma é Amor ao contrário, e como não existe amor maior que o de Deus por todos os seres humanos, especialmente aqueles católicos apostólicos romanos, eu precisei render minha homenagem à santa madre igreja. Eu, católico, no seio da minha igreja:



Sabiam que no Vaticanos os funcionários públicos trabalham mesmo? Só uma cidade-estado-religião anacrônica como esse Vaticano pode nos proporcionar cenas assim, dessa singeleza:



Deve ser fácil um contrato de trabalho aí. Pagamento em hóstias todos os domingos, a licença maternidade é eterna, se Deus não descansa, para que férias?, jornadas intensivas com plantão noturno (também conhecida como vigília) e, se não gostar, reclama com o patrão! Em latim! E rimando!

De Roma empreendemos a descida veloz até a Costa Amalfitana, ali pertinho de Nápoli. Que boa decisão essa de descer até Nápoli. Íamos chegando ao anoitecer em Amalfi, e a estrada...



Bom, uma maravilha como costumam ser as de "itinerário pitoresco".

Chegamos a Amalfi, uma cidade minúscula e belíssima encarapitada na montanha e debruçada sobre o mar. Ao mesmo tempo. Claro que aí não encontramos lugar para dormir e tivemos que seguir para Maiori, bem ao lado. Em Maiori descobrimos um parquímetro que funcionava até as 2h da manhã. E, como eram 9h da noite, fomos a cada hora investir uma moedinha na máquina para que não guinchassem nosso belo automóvel!

No dia seguinte tomamos um café da manhã tranqüilamente, olhando a Costa, o Golfo di Sorrento...



É que, para economizar, costumávamos comprar coisas no supermercado que davam pra café da manhã e almoço ou jantar, mais aquelas beliscadas típicas de viagem de carro. E freqüentemente tínhamos a sorte de tomar cafés-da-manhã em lugares paradisíacos. Esse, por acaso, tinha cheiro de mijo e muita sujeira no chão. Só pra tirar um pouco dessa aura que essas fotos têm.

Seguimos viagem pelo golfo...



E paramos também às vezes pra admirar melhor.



Chega dessa parte. Agora temos muita pressa e vamos cruzar a Itália na diagonal Sudoeste-Nordeste em direção a Veneza!

Mas a Veneza mesmo o nosso valente automóvel, o lindo Citroën C2 azul, não chegou. Fomos de barco. E Veneza me encantou, muitíssimo. Não conseguiria explicar a razão, se é que há uma razão pra se apaixonar por uma cidade ou por uma região. Veneza me deixou fascinado, meio embasbacado, bobo, rindo à toa. A companheira de viagem, essa flor que aparece lá segurando a torre de Pisa e logo mais vai aparecer de novo, prefere a Costa Amalfitana.



E não é que é verdade tudo aquilo que a gente ouve falar sobre Veneza? As ruas são mesmo de água, e as portas de muitas casas estão viradas para esses rios, que são mais ou menos como córregos de esgoto. Tudo bem, tem um cheirinho estranho. Mas nada que borre essas belezas. Nada que altere essa cara de bobo que eu ponho na foto aqui de baixo:



E o nível das águas está subindo! Esse papo de aquecimento global também é sério, menina! Algumas portas estão já com água pela metade, muitas têm muros de concreto ou comportas para evitar as inundações, e é possível ver os últimos degraus das escadas embaixo d'água, já.

Os pombos existem, e quem me conhece sabe que eu detesto pombos, que eu os considero ratos com asas e sou a favor de qualquer prática de extermínio dessa praga, ainda que acarrete algum sofrimento para a ave. Ou alguém se pergunta se um raticida faz um ratinho sofrer? Mas em Veneza, aquele clima, aquela praça de São Marcos... Eu não resisti. Enganei os pombos!



Enganei porque as pessoas compram milho a um euro nas barraquinhas e colocam nas mãos em concha, assim como estão as minhas. E as pombas vêm comer ávidas. Eu pensei com meus botões que elas não teriam como ver se eu tinha milho ou não, e resolvi tentar. Demorou um pouco, e o resultado não foi tão incrível como é com o milho, mas economizei um euro, enganei as pombas e ganhei uma história!



O dia cai, e estamos aqui já a esperar o barco pra voltar pro nosso carro, e do carro pra alguma outra cidade onde dormir. Onde foi que dormimos mesmo? Eu já não me lembro. Lembro que íamos pra Verona, pra ver a casa da Julieta e outras coisas turísticas envolvendo a história do Bardo.

E que saímos de Verona com pressa: precisávamos vencer muitos quilômetros naquele dia, estávamos atrasados no cronograma oficial. No caminho para a França de volta, passamos por Bérgamo, onde mora um italiano que eu conheci por aqui. Não sei por que não temos uma foto com ele - talvez porque tenhamos ficado em Bérgamo por uma hora exatamente, da qual passamos uns 7 minutos acompanhados pelo simpático colega.

E, claro, foi uma passagem devidamente registrada:



Bérgamo está no alto de uma montanha, e é murada. Linda. Tem umas praças interiores, muitas ruas pequenas e tortas... Enfim, uma cidade italiana com seu encanto.

Na volta, correndo e correndo, e conversando muito, nos distraímos e quando nos demos conta estávamos no topo dos Alpes (e eu comentando que a estrada estava numa subida bem íngreme fazia tempo, que estava difícil manter a velocidade do possante). Bem aí, no topo, onde todo mundo é rico e todos os hotéis custam caro. Os que não custariam caro, pelo menos na nossa imaginação, estavam fechados (os hotéis malditos fecham umas 22h em todas essas cidades turísticas pequenas. Um abuso!).

Resultado: dormimos outra vez no carro, depois de jantar tomates pelados com queijos, pães, sucos e iogurte. O de sempre, menos o vinho. O vinho que compramos esse dia era tão horroroso que foi impossível beber do gargalo. Escovamos os dentes, estacionamos numa rua tranqüila da cidade e apagamos, vigilados pela luz da Lua.

No dia seguinte, o sol iluminou nossa vista:



Aí estávamos nós, num dos topos do mundo, procurando a estrada para descer as montanhas do lado francês. E que estrada!



Daí pra diante a coisa foi mais rápida que o imaginado, e Madrid se mostrou debaixo dos nossos pés e dos nossos pneus num piscar de olhos. Duas paradas mais, uma em Barcelona onde encontramos a companheira que estudou em São Paulo conosco e outra em Valência, pra ver outro conhecido.

E os 15 dias passaram muito rápido. Passaram mais rápido do que poderiam ter passado. Voaram, pra dizer a verdade. A viagem mais bonita da minha vida merecia ter durado um pouquinho mais...

postado por: guilherme Quinta-feira, Outubro 05, 2006
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Quarta-feira

Hoje eu deveria publicar aqui algumas fotos da viagem que eu estava fazendo há um mês. Eu já tinha pensando numa estrutura das imagens, em comentários a fazer, em tudo.

Tanto foi assim que ontem eu nem vivi, porque sabia que hoje o blog estaria ocupado por fotos da viagem.

E aconteceu o que eu sempre temi: eu cometi aquele erro fatal que todo dono de câmera digital já deve ter cometido (pelo menos os menos favorecidos em termos neuronais, como eu): trouxe o cabo errado.

Assim que a câmera não se conecta ao computador, razão pela qual as fotos não entram no computador e assim não são penduradas na internet.

***
Vocês podem usar a imaginação!

***
O hotmail, esse serviço de emails que tem me enchido o saco desde 97, apagou todo o meu arquivo de mensagens sob a alegação de que fazia um mês que eu não visitava a minha conta. Acabou. Puf. E lá havia coisas importantes, muito importantes. Como havia também no meu outlook da ong onde eu trabalhei, como há agora nesse email que eu uso na Espanha, como há no meu outro yahoo. E essas coisas importantes são importantes até o dia em que somem. Depois, sumiram!

***
Só pra não dar a impressão de que eu não vivi ontem, fui dar duas aulas. Uma era pra um grupo de um alemão, uma polonesa e uma ucraniana e terminava às 14h30. A outra começava as 17h45, mais ou menos naquela região. Fiquei um bom tempo sem fazer nada, passando muito frio na rua (que ali venta muitíssimo) e conhecendo um parque enorme e cheio de oliveiras, um parque que eu tive de atravessar para ir de uma aula a outra. No parque eu deitei tomando um pouco de sol, ouvi música, li O Amor nos Tempos do Cólera.

E dei a outra aula com a alegria de sempre.

Me falta sabe o que? Um montão de dinheiro e um shopping de dois andares.

postado por: guilherme Quarta-feira, Outubro 04, 2006
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Segunda-feira

Meu cabelo é, pela primeira vez na história, unanimidade: agora ninguém gosta dele.

Sim, eu cortei no sábado de manhã. Com ele foi metade da personalidade, eu acho. Tentar encaixar a franja sebosa que cai no olho enquanto se fuma e se toma um whisky lendo o jornal na mesa de casa não tem preço. Puro estilo.

Pois acabou num corte semi-escovinha, mais ou menos como eu usava no meio de 2003.

***
E eu comprei um aspirador de pó. Por fim! Quarenta e seis euros me separavam desse bem indispensável do conforto doméstico!

Pó do mundo: prepara-te.

***
Como é que se tira esse cisco que cai no olho e faz lacrimejar?

postado por: guilherme Segunda-feira, Outubro 02, 2006
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De Mel
Mind the Gap
Em Preto e Branco
Torre de Papel
Poluição d'Idéias
suco
Tabacaria
La vie en rose
Retalhos do Mosaico




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