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Quinta-feira
Lisboa, Guarda, Faro, Huelva; Sevilla, Malaga, Granada, Madrid, Zaragoza, Lerida, Andorra (pirineus), Montagnac, Montpellier, Marseille...
E logo mais Nice, Cannes, Italia.
Voces acham que da tempo?
postado por: guilherme Quinta-feira, Agosto 31, 2006
Palpites pelo mundo:
Quarta-feira
Desde Portugal outra vez, tentando mudar a imagem que eu tenho do país. Mas é difícil.
Principalmente quando se visita a aldeia no confim do mundo onde estaão os parentes. Velhinhos e velhinhas vivendo em casas de pedra. "Como vai, tia que eu vi uma vez na vida e não sei o nome?", "Mali, muito mali, já quase não ando, o Manéli está pior que já não anda.". Triste.
Está doente.
Mas hoje estou de volta a Lisboa e amanhã vamos para o sul. Vamos eu papai e mamãe, pra depois percorrer um pouco do sul da Espanha. E que gostoso rever pai e mãe. E que estranho vê-los depois de um tempo, e me comportar como me comporto diante deles. Acho que eu já tinha esquecido um pouco como eles eram. Mas continuam bem bacanas.
***
Antes de sair da Espanha eu pensei muito em contos infantis clássicos. Mas, que bobagem: fora Bela Adormecida e seu príncipe boboca; calem-se Alibabá e seus 40 ladrões, que se afoguem João e Maria e que fiquem presos pra sempre numa mina de cervão os sete anões.
Eu só gosto dos Três Porquinhos.
postado por: guilherme Quarta-feira, Agosto 16, 2006
Palpites pelo mundo:
Sábado
Trilha sonora do dia, que na verdade começou ontem e já tem me fascinado faz uns dias:
Fiesta, Fiesta Mexicana, heut geb ich zum Abschied für alle ein Fest.
Fiesta, Fiesta Mexicana es gibt viel Tequila der glücklich sein läßt.
Alle Freunde, sie sind hier,
feiern noch einmal mit mir.
A minha amiga aqui me gravou um CD, uma cópia de um disco dela, com clássicos da música pop alemã dos anos 60. Isso é muito divertido, e eu aconselho a todos. Se chama "Fiesta Mexicana", como não poderia deixar de ser, e é do Rex Gildo.
E tem, umas estrofes mais adiante, a melhor rima da história. Acompanhe:
Adio, Adio Mexico ich grüß mit meinem Sombrero,
te quiero, ich habe dich so lieb.
Ela está disfarçada, mas esse homem conseguiu rimar, numa música em alemão, "sombrero" com "te quiero".
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E no mesmo CD outra coisa me chamou a atenção: a música da Abelha Maia. A abelha Maia. Se você é brasileiro tenho quase certeza de que a Abelha Maia não faz parte do seu imaginário - mas saiba que faz parte do imaginário de milhões de europeus, de milhões de sul americanos, de mexicanos, de americanos, de japoneses. O que aconteceu? Por que não temos a abelha Maia?
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Mas isso são divagações, voltemos aos fatos: os pais da minha amiga chegaram da Alemanha, como eu disse. E nos reencontramos em Madrid, justamente na minha rua. Aí começamos com as cervejas (jarras, que estava com alemães) e combinamos o programa do dia seguinte: uma visita a Alcalá de Henares, cidade das cegonhas de que eu já falei aqui faz uns tempos, quando fiz minha primeira visita ao vilarejo.
E dá-lhe cerveja, dá-lhe calor, dá-lhe patear pela cidade, pela praça de Cervantes, alemoçar tapinhas (absurdo chamar tapinhas, que eu sou a prova de que é possível viver só com macarrão de atum e tapas): jamón, lomo, queijo, chorizo com batatas e ovos fritos. Isso, fiquem com água na boca. Fiz umas contas rápidas e conluí que ontem foram consumidos quase dois litros de cerveja durante o dia, e mais uns golinhos de whisky à noite (pra fazer suador).
Mais que isso: têm sido dias ótimos os últimos. E preocupantes, porque estou me sentindo mais espanhol que nunca, no sentido de adorar esse país (mais esse cidade como metonímia do país) e me identificar com o modo de vida, com o clima, com o céu. E com as pessoas, com as ruas cheias. Dizem por aqui que as ruas têm tanta gente à noite que se houvesse um terremoto não morreria ninguém - ninguém está em casa.
Ontem mesmo, depois de voltar de Alcalá e tomar a última cervejinha só nós três, a saber, eu, a amiga dona desse disco que estou ouvindo e o alemãozinho de visita, fui receber meu salário de julho. Que maravilha, faz tanto tempo que trabalhei que dá a sensação de que esse dinheiro veio do nada. Mas aí foi bonito. Música clássica na porta da Fnac, uma orquestra de câmara inteira na rua. Depois, na Puerta del Sol, um grupo de quatro mariachis (não eram sempre três?), bem atrás do símbolo de Madrid (El Oso y el Madroño), tocando os clássicos da música mexicana. Muita gente ouvindo, muitos imigrantes ouvindo e cantando junto. Fiquei com a pele arrepiada várias vezes, e com muita intensidade; às vezes até os pêlos das pernas.
Descobri voltando pra casa o que eu acho que era um címbalo, vi os mesmos artistas de rua, as estátuas humanas, os turistas, a Paza Mayor - onde, no dia anterior, houve o show de uma orquestra com muçulmanos e judeus pela paz no mundo; a nona de Beethoven, inaudível numa praça com milhares e milhares e milhares e milhares de pessoas. Foi um encanto, claro. E me apaixonei mais um pouco pela minha cidade.
À noite ainda a televisão me põe Y tú mamá también, o filme mexicano. Que filme lindo, não me lembrava. Não consegui ver o final, mas foi melhor assim. Bem melhor.
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Hoje a programação continua: tem show do Kiko Veneno nas festas da Nuestra Señora de la Paloma, que acontecem quase no meu bairro. E vai ter siesta no parque do Retiro.
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Quase esqueço: meus pais estão em Portugal. Quer dizer, assim espero - deveriam estar, mas ainda não me ligaram de lá! Ui ui, que emoção! Meu primo também está lá e depois de amanhã sou eu que apareço no país, às 15h. E para a viagem eu quis me preparar e fui comprar cigarro e lavar a roupa.
Já falei sobre agosto em Madrid? Pois esse agosto está atípico, que tem muita gente. E todos devem ter uma lavadora em casa, porque simplesmente todas as lavanderias que eu conhecia e as que eu conheci hoje estavam fechadas para férias. Ou seja, ou embarco uma mala de roupa suja ou amanhã volto àquela lavanderia automática. Será que alguém se lembra?
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São tantas já vividas...
postado por: guilherme Sábado, Agosto 12, 2006
Palpites pelo mundo:
Quinta-feira
Minha virgem Maria das Dores! Síndrome de abstinência! Mais de uma semana sem internet. Mal consigo escrever, tanto que tremem os dedos!
E olha que deixei uns emails acumulados desses que fazem as pestaninhas vibrarem de emoção!
Mas vamos às novidades do Diário Oficial, dessa minha bitácora particular. A Tribuna informa!
O querido da Alemanha chegou, claro, como previsto na terça-feira (passaaaada) às 22h30. E o pobre está cansado já; acho que só eu tenho a mania de achar que o turismo consiste em acordar cedo, dormir tarde, não comer e aproveitar o tempo para ver coisas, andar por ruas e beber em bares e terrazas. Mas, ok, já estamos encontrando o meio termo.
Também, pudera: pateamos Madrid inteirinha na quarta e na quinta da semana passada. Depois, na sexta, pegamos um ônibus para Alicante - sim, estive em Alicante e é uma cidade razoàvelmente feia -, onde mora a minha colega da faculdade daqui. Pois, em Alicante eu descubro que, de fato, eu detesto viajar sem carro. Ficar pegando ônibus naquela cidade, do centro pra casa, da casa pro centro, ai, que horror! Mania minha, eu sei. Mas enche o saco.
Precisava contar mais sobre Alicante, dizer que tem um castelo em cima de uma montanha, que nós subimos nesse castelo a pé, que é árido árido árido, com terra fina e pedras, que tem um bairro, Santa Cruz, que fica encarapitado (*pisc, ou seja, piscar o olho em onomatopéia de história do Chico Bento) na base dessa montanha com o castelo em cima e que se parece a algumas Ilhas Gregas - um pouco menos glamourosas, é verdade, com espanhóis sentados na calçada, barzinhovcom mesa de plástico. Resumo de Alicante? Bom, uma periferia de São Paulo com ar de Ri ode Janeiro, ou uma cidade do interior paulista com praia e uma favela dos anos 50. Deve ser isso.
O triste foi constatar que eu não tinha muito em comum com essa colega da faculdade; depois de dois dias de convivência a relação de desgasta. Ela se daria bem com alguns amigos daí, algumas pessoas queridas que eu tenho no Brasil.
Bom, no domingo à noite pegamos um ônibus para Málaga. Mala suerte: o ônibus saiu às 22h45, e demorou, e demorou pra chegar, muitíssimo. Parou em todas as cidades do caminho.
Sim, eu conheci Málaga. Fazia calor quando chegamos, às 6h da manhã. E estava escuro, noite absoluta. Caminhamos da rodoviária até o Porto da Cidade, do Porto em direção ao Leste até a praia da Malagueta, depois passamos essa praia, e fomos para a próxima, e a próxima. Só o que queríamos era um pedacinho de areia confortável para dormir um pouquinho. Pois encontramos o lugar ideal duas horas depois. E não sabemos o nome! Fica longe do centro, não prédios, só casinhas; uma porção de bares com pé na areia e umas barraquinhas de churrasco que assam sardinhas em churrasqueiras construídas em barquinhos de pescador. Só vendo.
Pena que eu não levei a máquina fotográfica.
Bom, enfim, tudo muito divertido, encontramos depois uma amiga dele, que estava de Erasmus em Frankfurt e por fim, numa praia perto de Torremolinos, eu dormi o sono dos justos. Quatro horas na areia. E na sombra.
Por coisas essas do destino tivermos que dormir em Málaga essa noite. E a cidade é uma gracinha, uma catedral gigante, muitas obras, ruazinhas que me lembram um pouco de Cuba (pela deacdência dos pobres prédios antigos), um calor, um sol, um mar. Lindo.
Mas daí vem uma triste conclusão: a pressão imobiliária que sofrem essas cidades, e os centros de todas as cidades na Espanha, está pondo abaixo pequenas maravilhas. Nenhum monumento está ameaçado, nem os prédios de importância arquitetônica e histórica. Mas vocês sabem aquela ruazinha, que tem aquelas casinhas e aqueles predinhos, e que cada um é de uma cor, e você não sabe por que, mas se sente bem ali no meio, naquele bar sujinho? Pois isso, justamente, está ameaçado.
Parafraseio aquele jornalista de quem ninguém gosta, a não ser eu: Visite a Europa, antes que acabe.
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Ah, me esquecia. Tenho duas coisas mais pra contar: uma é que eu descobri que na Holanda é permitido vender em cafés e consumir maconha e haxixe. MAs vocÊs sabiam que é proibido produzir essas, hum, especiarias no país baixo? Ou seja, é uma nação irresponsável que tem uma visão infantil do mundo. E ninguém, questiona de onde os bares e cafés tiram esse produto. Ele cai do céu, imaginam os batavos.
Outra: na Escócia a polícia ameaçou fechar um teatro porque na peça representada, a saber uma biografia do Winston Churchill, o ator principal acendia um charuto no palco. E a lei anti-tabaco lá é muito rígida.
Tão rígida que apertou o cérebro de muita gente. E o mais triste é que essa praga se expande, chega até aqui ao sul glorioso: o ministro da Saúde disse que em setembro os lugares que não tiverem construído uma barreira para separar fumantes de não fumantes serão automàticamente reservados para não-fumantes.
Preciso abrir uma ong, patrocinada pelas empresas tabagistas, e começar a minha marcha pela liberdade e pela tolerência. Estou atacado, e que ninguém venha me falar de tolerância religiosa nesses dias, que eu tô atacado. Um anti-tabagista reclamando tolerância religiosa. Pro inferno.
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E hoje chegam os pais da minha amiga alemã! Devem estar no hotel a essa hora (são 16h35, para os curiosos) e oxalá nos encontremos nesses dias. Ui, e segunda-feira eu vou pra Portugal. Que ansiedade, que nervoso! É na segunda agora que começam as férias que vão me cansar.
postado por: guilherme Quinta-feira, Agosto 10, 2006
Palpites pelo mundo:
Terça-feira
Constato agora que estou ficando velho. Sempre ouço meu pai falar que se lembra quando os treinadores de futebol eram jogadores. Zagallo incluído, e olha que o tal senhor é uma múmia.
Pois descobri há 30 segundos que o Dunga é o novo treinador da seleção brasileira. E eu me lembro dele jogando. E vou dizer para as novas gerações "olha, quando eu era jovenzinho esse rapaz levantou a taça do nosso tetracampeonato, em 1994. Foi emocionante, e eu me lembro como se fosse ontem..."
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Por falar em ontem, ontem foi meu dia de fúria. Se eu tivesse uma arma, ah, eu teria diminuído consideràvelmente a população madrileña. Quase me atirei na lateral de um ônibus que cruzou a faixa de pedestres quando o farol estava verde para mim!
Foi uma sucessão de pequenas coisas: sujeira na cozinha, calor no metrô, gente mal humorada e mal educada na rua (que a má educação espanhola é conhecidíssima, e aqui mesmo muito criticada). Depois foi a burrice de quem não sabe tirar fotocópias, máquinas digitais que não funcionam direito (de xerox, máquinas de xerox digitais, eu mereço; essa merda digital piora o mundo a cada dia); tudo muito caro, tudo muito caro. Briga na fila dos Correios, supermercado lotado, tudo caro, tudo ruim; pagar caro por um pão amassado, por uma alface podre, por maçãs amassadas; isso me deixou furioso!
E todas essas pequenas coisas que me fizeram odias a Espanha por um dia, por algumas horas. Quis morrer, quis matar, quis fugir. Foi terrível. E tudo por inseguranças, por medos, por frustraçõezinhas.
Será que eu sou o único que precisa demonstrar que está bem, que está feliz, que fez as escolhas corretas? Será que eu sou o único que procura sempre aprovação?
Bom, passei uma noite boa, sonhei que emagrecia, sonhei com algumas pessoas queridas, já não lembro bem, claro, mas sonhei e foi bonito. E acordei bem, acordei feliz; por otivos esses malucos fui ler o jornal num parque lindo aqui perto, li inteirinho, deitado na grama, afugentando uma mosca.
Estou bem agora. E sei a quem devo agradecer. Obrigado, querida.
postado por: guilherme Terça-feira, Agosto 01, 2006
Palpites pelo mundo:
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De Mel
Mind the Gap
Em Preto e Branco
Torre de Papel
Poluição d'Idéias
suco
Tabacaria
La vie en rose
Retalhos do Mosaico
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