Domingo

A ocasião faz o ladrão. Fez o ladrão.

***
Tudo nesse mundo tem hora pra acabar, mesmo que nessa hora doa.

postado por: guilherme Domingo, Janeiro 29, 2006
Palpites pelo mundo:



Sexta-feira

Tenho que aprender que tudo nesse mundo tem hora pra acabar. Os dias desse blog estão contados, e é triste esse fim na miséria, no esquecimento, na desimportância. Certa tava a Elis, que morreu no auge!

***
Feriado de aniversário da cidade mais ridícula do planeta. Eu acordo e já é quase meio-dia (ou seja, pelo quinto ano consecutivo perco a oportunidade de ver o bolo de quatrocentos e cinqüenta e xis metros no Bixiga). Vou para o banheiro bochechar a ressaca da boca e cuspo na pia - entupida.

O que você faz, nobre leitor (se é que ainda existe algum)? Coloca a mãozinha sobre o ralinho de escoamento e, com movimentos serelepes, cria uma diferença de presão que "massageia" o entupimento e permite que ele deslize cano abaixo. Não é?

Fiz isso, mas no segundo movimentinho a cuba descolou-se da tampa e desabou dentro do armarinho. Puta que pariu. Cheguei para dar bom dia aos meus pais, que se preparavam para sair de casa e dá-lhe bronca. A sugestão foi ficar de plantão em casa, ligar para o seguro e esperar vir o moço.

- pausa -
Se alguém aí se lembra, eu tinha uma Palio Weekend e usava o seguro loucamente. Vendida a Palio Weekend, inaugura-se a era de usar o seguro residencial!
- pausa -

Enquanto o moço não vinha, fiquei tirando todos os produtos do armarinho. Encontrei muita tranqueira e algumas maravilhas. Todo mundo sabe, por exemplo, da tradição dos produtos vencidos que eu uso (repelentes, protetores solares e tudo o mais). No meio dos potes achei um desodorante para os pés da Stanley que infelizmente não tem data de validade, mas que era usado pela minha avó (sempre ela) em São Bernardo do Campo. Detalhe: mudei de São Bernardo do Campo em 1992.

E um troféu: o talco Granada com a data de fabricação e de validade. "Data de fabricação: 02/08/86 Data de Validade: 02/08/91".

Mas voltemos à cuba (com minúscula e crase mesmo). O moço deveria chegar em duas horas, e eu aproveitei para ir ao Banheiro, como já sabem. Ele chega e eu estou no trono. Chuto toda a roupa suja para baixo do armarinho, espalho os preciosos potes e abro o portão. Ele vai comigo comprar uma massa plástica, aplica na cuba, cola e vai embora. Deixa tudo emporcalhado.

Serviço ruim nos detalhes, mas eficiente. E a pia funciona de novo.

***
E hoje eu acordei e levei um susto: não encontrei nem o talco Granada nem o desodorante para pés Stanley. Saí correndo e encontrei-os numa sacola ao lado do lixo, prontos para desaparecer de sobre a Terra. E ainda a minha colônia infantil Phebo da turma da Mônica. Que beleza!

postado por: guilherme Sexta-feira, Janeiro 27, 2006
Palpites pelo mundo:



Quinta-feira

Chega um e-mail-piada para mim:

Assunto: "Quem é o 'FILA'?"

Vem uma foto de um fusca verde-abacate com uma placa bem alta (mais alta que o próprio carro, apoiada na porta do passageiro) com os dizeres:

"esta placa
é um avizo
este fusca
tem dono
si eu pegar
o fila da pu
ta que
anda
amaçando
ele, eu vou
amaçar
a cara dele
tambem
~ ~ ~
data 03-12/2005
ta avisado"

Sabem qual o problema? A palavra "FILA" estava circulada. Só a palavra Fila estava circulada!!!! Fila.

Já morreu o futuro desse país. Falta enterrar.

postado por: guilherme Quinta-feira, Janeiro 26, 2006
Palpites pelo mundo:



Segunda-feira

Com o Abel Silva e o Fagner aprendi que

"...não quero saber quem sou
morro de medo
nem quero saber aonde vou
é muito cedo..."

e que

"...não guardo segredos
mas sou bem secreto
sou bem secreto
é que eu mesmo não acho a chave de mim..."

E a Sueli Costa, amiguinha do Abel, também cantou:

"Só poeira e solidão [...]
difícil esse momento
que triste é o nosso tempo
poeira em minhas mãos..."

postado por: guilherme Segunda-feira, Janeiro 23, 2006
Palpites pelo mundo:



Domingo

A gente percebe que está ficando velho quando abre o e-mail no final de semana e não chegou nada novo. É, todos os amigos trabalham e usam a internet mais nas suas firmas do que em casa, no horário de descanso.

Ou, melhor, sabe que está ficando velho por causa do acúmulo de erros que tentamos consertar, amiúde debalde.

Ou quando dizemos "amiúde debalde".

postado por: guilherme Domingo, Janeiro 22, 2006
Palpites pelo mundo:



Sexta-feira

"Tá fazendo um ano e meio, amor..."

Ok, tá fazendo só um ano e não um ano e meio. Se arrependimento matasse, caía agora duro e roxo - como dizia minha avozinha, hoje dura e roxa mas não por causa dos arrependimentos.

Aliás, o Alzheimer tem essa vantagem, né? Você esquece de tudo e morre sem culpa.

***
Estou presenteando os leitores mais sagazes dessa tribuna com um picolé de limão, um quindim e um saquinho de tang para um litro de suco. Para abocanhar o prêmio basta me explicar uma coisa: como é que eu me relaciono com o mundo? Porque tanta contradição?

Ai, que porre! Eu não leria o meu blog se ele não fosse meu ou de alguém MUITO querido.

postado por: guilherme Sexta-feira, Janeiro 20, 2006
Palpites pelo mundo:



Quarta-feira

Indiferença é realmente a pior coisa. Quando alguém te trata com indiferença é horrível, e acho que, pelo menos pra mim, é ainda pior sentir indiferença por alguém ou alguma coisa.

***
Olha a contradição: hoje eu pensei em como seria melhor ter marcado a passagem para mais perto, sei lá, final de janeiro, semana que vem, amanhã. Tem nome isso - fuga.

postado por: guilherme Quarta-feira, Janeiro 18, 2006
Palpites pelo mundo:



Terça-feira

Não sei o que fazer ou o que dizer. Deve ser porque não sei o que estou sentindo, e daí passo a não saber o que pensar sobre o assunto.

Sei que algumas pessoas me inspiram uma alienação deliciosa - com elas, com quem não tenho muita intimidade, a vida parece bela.

Outras, que me conhecem melhor e na companhia de quem me permito arroubos intimistas têm me inspirado sentimentos mais verdadeiros: angústia.

É a angústia de saber que em menos de um mês parto para outro continente, longe de tanta gente que amo. É prever a solidão dos dias frios em terras lejanas. Alejado, já falei aqui sobre isso.

É não saber lidar com os meus sentimentos, o medo constante de magoar.

E, por fim mas não menos importante, saber que possivelmente partirei ainda brigado com uma das pessoas mais especiais pra mim. "Brigado", como sempre foi. Sabem a Rosinha? Ela, que se não faz o mundo cinza como já fez, deixa um discreto vazio quando sai de cena.

Tudo mal resolvido, tudo nas coxas. E o pior é a gente se enganar pensando que ao partir tudo se resolve. Ah, delícia da enganação.

postado por: guilherme Terça-feira, Janeiro 17, 2006
Palpites pelo mundo:



Segunda-feira

É, engana-se quem pensa que tudo está fácil - vêem as pingas que eu tomo, mas não vêem os tombos que levo.

Na sexta fui a outro aniversário, depois de beber na happy-hour do bar da esquina. Boteco da esquina.

Lá, a exemplo do que já vem acontecendo desde dezembro de 2005 em todas as festinhas, reuniões e viagens, o clima foi meio de acerto de contas, de panos limpos, de sinceridades pré-viagem demorada.

E essa angústia não me larga, essa angústia de querer ser 100 ou 200 ao mesmo tempo e me dividir entre todos os afetos e os amores, e deixar todos os problemas e as dúvidas, as encanações, os "grilos" com uns 20 de mim, apenas.

***
O final de semana, aliás, ajudou a melhorar o humor. No sábado fui ao zoológico de São Paulo ficar meio deprimido com os semblantes sóbrios de tigres, leões, ursos, leopardos, crocodilos.

Para se ter uma idéia, o animal mais dinâmico e interativo foi um bicho-preguiça! Descobri que eles vivem não em jaulas, mas nas matas inter-jaulas, "livres". Um deles resolveu se aproximar perigosamente dos visitantes, sendo possível mesmo tocá-lo. Foi ali, ao lado do tigre siberiano, bem no bebedouro. Quem viu o animal foi o nosso colega francês, e ràpidamente identificou o bicho-preguiça.

Logo dezenas de pessoas, japoneses e câmaras, crianças, pais, sorvetes, adolescentes, senhoras com chapéus, se aglomeraram para ver de perto o bicho.

Visto o animal, parti para a praia sozinho. Encontrei lá a família inteira do lado da minha mãe, e voltei ontem à noite, depois de horas de congestionamento na Padre Manoel da Nóbrega.

***
Só não perdi mais tempo na estrada por que ouvi a Bandeirantes e fiz um desvio que encurtou a viagem em mais de 1 hora e meia. Com saudades da rádio, liguei lá e confirmei o bom caminho para os ouvintes, falando ao vivo. Saudades, saudades.

***
Pra vocês verem que eu só melhoro de ânimo quando me distraio do que de fato está acontecendo ao meu redor. Mais que isso: quando me distraio do que está acontecendo dentro de mim.

***
Tem razão você: acho que não estou enjoado de mim não. Ou, se estou, não é isso o pior. Falta descobrir o que é.

postado por: guilherme Segunda-feira, Janeiro 16, 2006
Palpites pelo mundo:



Sexta-feira

Engraçado... Tanta coisa acontecendo e eu sem vontade de compartilhar. Acho que compartilhei demais já nessa vida.

Mas quem me conhece sabe que eu não resisto. Então, tópicos:

Viagem pra Ilhabela com tangueiros - conversa sobre a vida;
Aniversário no bar;
Festa em casa de amigo (whisky e charutos);
Aniversário em bar e casa de amiga - conversa sobre a vida;
Aniversário em bar.

O fígado só não está pior que a conta bancária!

postado por: guilherme Sexta-feira, Janeiro 13, 2006
Palpites pelo mundo:



Quarta-feira

Ah, se as desgraças tivessem acabado junto com o ano de 2005...

Abre-se o Obituário:



Morreu ontem o Robertinho do Acordeon. É o cara da foto aí em cima, e qualquer um que tenha visto um Viola Minha Viola até a metade do ano passado conhece o músico que acompanhou por 25 anos a deusa Inezita Barroso no palco do programa.

Gravou 14 discos só dele, outros tantos acompanhando os melhores da música capira brasileira. Sabem o Mazzaropi? Então, era amigo e parceiro do Robertinho.

E sabem quem dá bola pra isso? Aparentemente só eu. A Folha deu uma nota menor que o obituário pago pela Fundação Padre Anchieta, que está falindo. O Estadão deu uma nota do mesmo tamanho, ao lado do Sudoku e em cima do horóscopo. O Globo se esforçou mais - resigiu um obituário com o triplo do tamanho dos da Folha e Estado, mas errou grosseiramente no ano do nascimento do artista.

Por incrível que pareça, salvou-se o Jornal do Brasil. Uma matéria mais profunda, mais sensível e melhor apurada, com entrevistas e depoimentos.

Vergonha do país que tem vergonha da sua cara e que senta em cima do seu passado.

***
Sabem, cinco leitores, o posto censurado do ano passado deu muito mais quórum que esse daí de baixo. Coisa triste. Aposto que, se eram cinco há um ano, hoje são menos que três.

Deve ser porque ùltimamente abrir isso é igual a abrir um obituário. Ora são pessoas, ora são sentimentos, ora são ciclos. É um blog sobre o fim.

postado por: guilherme Quarta-feira, Janeiro 04, 2006
Palpites pelo mundo:



Segunda-feira

Reveillon:

BISCOITOS DE AGUARDENTE

Ingredientes:
3 colheres (sopa) de açúcar;
2 cálices de uma boa aguardente;
4 colheres (sopa) de banha derretida;
2 xícaras (chá) de leite;
1 kg de farinha de trigo;
4 colheres (sopa) de manteiga;
4 ovos;
1 colher (chá) sal;
4 colheres (sobremesa) de amoníaco.

Modo de Preparo:
Dissolver o amoníaco na manteiga e na banha quente. Juntar os outros ingredientes e acrescentar a farinha, amassando até o ponto de enrolar. Deixar a massa descansar bem, depois enrolar. Assar em forno regular.

Prato típico mineiro.

postado por: guilherme Segunda-feira, Janeiro 02, 2006
Palpites pelo mundo:





De Mel
Mind the Gap
Em Preto e Branco
Torre de Papel
Poluição d'Idéias
suco
Tabacaria
La vie en rose
Retalhos do Mosaico




Atual
Arquivo