Sábado

Agora sim! Faltam 8 horas para o final do ano.

O final de ano mais esquisito que eu já tive... Sempre prego que a virada é igualzinha a qualquer dia que acaba para receber o próximo, mas isso era da boca pra fora: hoje é a primeira vez que eu sinto assim.

Será a fossa?

Talvez seja esse plantão. A janela está aberta e não tem barulho nenhum. A Henrique Schaumann parece uma estrada fantasma de Bagdad. Em breve vou para casa.

***
Short cut de Reveillon (que eu cismo em escrever com acento, Revéillon):

Meu avô deve estar na poltrona da sala desde as 11h da manhã fazendo o que mais gosta: vendo as festas de ano novo em diversos países do mundo pela tv a cabo.

Começa com umas ilhas polinésias, indonésias, micronésias. Ele grita de felicidade e chama quem estiver por perto para ver.

Depois vem o Japão, a Austrália. Novos urros. Cada Virada dura uns 15 minutos, e ele passa os outros 45 minutos até a virada seguinte vendo as entrevistas com as personalidades locais, ou os preparativos da virada em Lisboa.

Começam as viradas da Europa e ele vai à loucura! Liga para Portugal no minuto exato, grita felicitações.

A avó prepara o jantar, é interrompida a cada hora.

Acho que a maior tristeza do vovô é o oceano Atlântico, enorme e sem países no meio para comemorar o novo ano.

Até a ilha de Fernando de Noronha o emociona! Os Estados Unidos, o Brasil!

Na hora do Brasil ele sai da TV e vai olhar os fogos da sacada. Esse é um capítulo à parte: para se ver os fogos desde Pirituba é preciso subir na sacada da casa deles, debruçar-se sobre a amurada e olhar para a direita. Aí minha avó sempre faz o comentário que nos lembra a condição de perifa: "como está bonito na cidade!".

Mais uns dois Reveillons e o vovô dorme tranqüilo.

postado por: guilherme Sábado, Dezembro 31, 2005
Palpites pelo mundo:



Sexta-feira

Hoje sim a cidade está vazia o bastante. Na medida exata. E melhora a cada minuto!

***
Da série "coisas que só acontecem na minha vida": os porteiros do prédio estão fazendo uma festa de confraternização no térreo. É um prédio comercial e eu sou o único trabalhando hoje.

O forró está rolando solto numa caminhoneta, tem um isopor com cerveja, umas bandejas com pãozinho, lingüiça, carne - é uma festa de final de ano mesmo. E eu passei por lá, cumprimentei os funcionários que foram mandados embora no começo desse 2005 (e voltaram para a festa) e subi.

Agora há pouco, há dois minutos, tocou o interfone: "o porteiro está subindo, firmeza?". Firmeza, oras! Para que seria?

Abro a porta e ele chega com uma lata de cerveja na mão. "Qualquer coisa é só tocar lá embaixo que a gente traz!" Ê, espírito natalino!

***
Essa eu poderia colocar na série "coisas que só acontecem na minha vida", mas acho que pode ter acontecido com outras muitas pessoas.

Fazia um ano mais ou menos que um filme estava no meu quarto. Filme de máquina fotográfica, essa coisa de que vocês, leitores, talvez já nem se lembrem dada a enxurrada digital em que nos perdemos.

Meus pais, quando voltaram de viagem, levaram todos os filmes deles e esse meu para revelar. O meu não ficou pronto, porque estava "muito velho" e precisava de um tratamento especial.

Hoje eu peguei as fotos prontas.

A primeira data do feriado prolongado de 7 de setembro. De 2004! Dá para entender o que foi lendo o post de 8 de setembro: "No domingo, ah, bem, cedinho saímos eu, a Lia o Bruno e o Silas para ir ao encalço da Mariana em Ilhabela, na casa da Natália que não nos deixou.".

Depois temos fotos do Jornal do Campus (está tudo lá nos arquivos de setembro, é só dar uma lida), a Palio Weekend (que já não existe se não em pensamento), a viagem para o Uruguay (leiam lá nos arquivos, entre 25/12 e 02/01), o carnaval em que encalhei mais uma vez o pobre carro, dessa vez numa valeta (dois dias antes de tentarem levá-lo embora e eu começar a aclamada novela "Aventuras de uma Palio Weekend entre Apinajés e Amazonas").

Um tsunami de sentimentos. E eu não estava preparado pra tanto!

***
Como bem observou o Eli Corrêa hoje, no rádio, faltam pouco mais de 33 horas para a virada. E eu não consigo consertar tudo o que eu fiz de errado nesse ano em tão pouco tempo! Haja ligação telefônica!

postado por: guilherme Sexta-feira, Dezembro 30, 2005
Palpites pelo mundo:



Quinta-feira

Achava que o ano já tinha acabado e que nada mais de impacto poderia acontecer. Bah! Isso é para eu aprender a respeitar os anos e saber que ele só acaba quando termina.

Abre-se a página do obituário de novo: morreu Jacintho Figueira Jr., o Homem do Sapato Branco.



Tinha 78 anos, estava velho, debilitado por um derrame desde 2001. Há poucas semanas me envolvi numa polêmica - ele estaria vivo ou morto? Tarde demais - morreu.

Para os mais novinhos, ele foi o inventor dos programas de baixarias da vida real na televisão - Câmera Indiscreta, Um Fato em Foco e O Homem do Sapato Branco. Transmitia as brigas de vizinhos e de casais ao vivo pela rede Globo nos anos 60, e por mais outras trocentas emissoras nos anos seguintes. O ocaso foi o Aqui Agora (um programa para ficar na história) onde foi colega do Gil Gomes na apresentação das notícias.

Curioso é que, quando do derrame, ele foi vítima da própria fórmula: sua miséria foi explorada pelo seu seguidor Ratinho, no SBT.

Reclamou na mesma época de uma cirurgia de próstata que o havia "deixado broxa", nas sua próprias palavras. Era um bon-vivant, da noite, mil mulheres, solteiro, morando num apartamento que ganhou de uma de suas paixões. Gabava-se de ter cunhado a expressão mundo-cão.

Foi deputado estadual e lotou os corredores da Assembléia com populares pedindo ajuda. As pessoas acampavam nos corredores, onde comiam, dormiam e urinavam. Quando o presidente da casa reclamou, saiu-se com esta: "Isso aqui não é casa do povo? Então, se querem mijar, deixem eles!".

Mais uma perda para 2005. Mais um para entrar nas listas de retrospectivas. E só nas mais particulares, que os jornais de hoje repercutiram mal e porcamente a perda de um cara que, para o bem ou para o mal, participou da história da TV e ajudou a fazê-la o que é hoje.

"O sapato branco, porém, segue nos pés de Jacintho. Tá certo que a sola anda um pouco gasta e as mãos tremem para calçá-los. 'Mas qualquer dia volto. Só estou adormecido', diz ele, que ainda quer escrever sua biografia" (IstoÉ Gente, 28/05/2001).

postado por: guilherme Quinta-feira, Dezembro 29, 2005
Palpites pelo mundo:



Quarta-feira

A rádio tá dando aqui do lado instruções para a vida: o que fazer em caso de uma tempestade. O mesmo de sempre, sair de baixo das árvores, evitar usar o telefone, desligar os equipamentos elétricos, não tomar banho, não ficar próximo de objetos metálicos...

Quer dizer, quando começam os raios tudo tem que parar. Aquele é o momento do raio.

Por que todos nós não temos um momento assim? Uma hora em que tudo pára, as pessoas só pensam em você, tomam decisões baseadas na sua existência, nas suas vontades, nos riscos que você representa? Imaginem isso, cinco minutos num ano inteiro o mundo se preocupando com você.

Acho que experimentamos algo discretamente parecido quando morremos e somos velados: os compromissos são adiados, as rotinas mudam, as pessoas páram e pensam em você por uns momentos.

Mas como só se morre uma vez na vida e como mortos não curtem o seu "momento", inventaram os aniversários.

***
Dependendo da ocasião, consertar uma privada é de um prazer inenarrável.

***
Quem inventou a bebida? Ontem eu bebi chope das 19h até 1h45 da manhã. Inìnterruptamente. Claro que às 6h o café da manhã foi uma Novalgina e um copo de sonrisal com água da moringa.

O bom humor da mesa estava, segundo depoimentos, irritante.

***
Agradeço ao leitor Nelson, que prefere escrever o nome ao contrário na hora de comentar, pelos elogios. Honra-me um sexto leitor.

E aproveito para explicar: sim, você tem razão - o nome O Guarda Livros foi inspirado na profissão dos contabilistas. Lembro-me de meu avô sempre dizendo que tinha que encontrar o guarda-livros dele para pegar uma papelada do tempo dele feirante e alterar o valor da aposentadoria.

Gosto do nome guarda-livros. E foi o que me ocorreu quando comecei o blog, no distante junho de 2003. Uau, dois anos e meio de memórias e verborragias nessa tribuna. Deve ter milhões de caracteres!

postado por: guilherme Quarta-feira, Dezembro 28, 2005
Palpites pelo mundo:



Terça-feira

Ganhei o dia!

No radinho de pilha, na explêndida Cultura AM, acabou de dar "Emoções", do rei.

Na voz da Marina Lima.

É isso. Meu 2005 foi resumido.

postado por: guilherme Terça-feira, Dezembro 27, 2005
Palpites pelo mundo:



Cinco leitores, anuncio: vou para a Espanha no dia 15 de fevereiro.
A volta? Está marcada para o dia 26 de julho, mas nunca se sabe.

Serão cinco meses longe de vocês fìsicamente... mas não se preocupem: levarei comigo um pedacinho de cada um.

***
Estou trabalhando, como todo brasileiro que se preocupa com o PIB, e, já não é segredo pra ninguém, fui usar o Banheiro aqui do serviço.

Na hora da higiene final (havia papel, dessa vez a história não é por aí) fiz aquela torsão clássica para alcançar a região a ser limpa e dei um mau jeito nas costas terrível.

Agora estou aqui trabalhando meio penso pro lado, com uma dor que começa na lateral direita da lombar mas se espalha por tudo. Acho que fraturei alguma coisa.

***
A cidade está mais vazia, mas ainda não chegou no ponto ideal. Precisa esvaziar mais.

***
Num porta-retratos novo no meu quarto estão algumas fotos lindas. Em três delas aparece a minha princesa, a culpada pelo meu bom humor dos últimos tempos.

postado por: guilherme Terça-feira, Dezembro 27, 2005
Palpites pelo mundo:



Sexta-feira

Um conto de Natal para animar o dia de vocês...

Ator tenta evitar prisão (do A Crítica, de Manaus)

Os advogados do animador de festas Alfredo Moraes Silva Neto, 36, entraram ontem, às 15h30, no fórum Henoch Reis, com um pedido de hábeas corpus preventivo para que possa responder em liberdade a acusação de tentativa de estupro que pesa contra ele. O processo vai tramitar na 8ª Vara Criminal e foi distribuído para o juiz Carlos Zamith de Oliveira Júnior. O pedido deve ser apreciado hoje.

Alfredo atuava como ¿Papai Noel¿ no Amazonas Shopping Center e é acusado de tentar violentar sexualmente L.L.G, 15, que trabalhava como sua assistente. Um dos advogados de Alfredo, Cândido Honório Soares Ferreira Neto, justificou o recurso. ¿Estamos tentando evitar que ele seja preso ilegalmente. Esse caso teve grande repercussão na mídia. Temos que resguardar a integridade física do cliente¿, diz. O advogado disse que a apresentação de Alfredo deverá ser feita hoje ou na próxima segunda-feira.

No entanto, de acordo com o delegado titular do 20º Distrito Policial, Ocimar Lopes, Alfredo tem até a noite de hoje para comparecer à delegacia e prestar esclarecimentos. Do contrário, o delegado garante que vai pedir a prisão preventiva do suspeito. O prazo para a apresentação espontânea de Alfredo foi dado por Lopes, que está no comando das investigações.

Os advogados de Alfredo haviam anunciado que iriam apresentá-lo ontem, o que não ocorreu até as 19h. Ocimar justifica a necessidade de pedir a prisão preventiva de Alfredo. ¿Se ele não aparecer, vamos entender isso como obstrução do trabalho policial, e vamos pedir a prisão preventiva dele¿, diz o delegado.

O advogado de Alfredo Moraes, Cândido Honório Soares Ferreira Neto, disse que seu cliente negou a autoria do estupro, mas preferiu não dar mais detalhes sobre o assunto. É a esposa de Alfredo que está mantendo contato com o advogado. ¿Até o momento eu não consegui falar com meu cliente pessoalmente. Estamos conversando apenas por telefone¿, disse Cândido Honório.

postado por: guilherme Sexta-feira, Dezembro 23, 2005
Palpites pelo mundo:



É, parece que todos os meus cinco leitores já começaram as férias - pelo menos deram férias para mim e minha verborragia irritante.

Só passei aqui pra desejar feliz natal a vocês cinco queridos. Saibam que muito têm me honrado lendo essa tribuna quase que diariamente atualizada (ugh!).

E aguardem - ando ouvindo muitas histórias por aí, dessas que eu gosto de contar e recontar... acho que na semana que vem volto às atividades normais, contando os meus tão caros causos!

postado por: guilherme Sexta-feira, Dezembro 23, 2005
Palpites pelo mundo:



Terça-feira

Ai, que preguiça!

postado por: guilherme Terça-feira, Dezembro 20, 2005
Palpites pelo mundo:



Segunda-feira

Claro que nada pode ser leve pra mim...

Tudo ao mesmo tempo agora! Agora! Decida, hoje! O pior é que nem é a velha dúvida entre o feijão e o sonho - dessa vez é escolher o sonho ou o sonho!

É, Gonzaguinha, há alguns meses eu discordei, mas hoje eu digo com certeza:

"Não dá mais pra segurar
explode coração!"

postado por: guilherme Segunda-feira, Dezembro 19, 2005
Palpites pelo mundo:



Quinta-feira

Ai, que semana agitada!

No domingo último, antes do "dia do triste", teve uma churrascada fabulosa em casa - 19 pessoas no meu quintalzinho, com direito a lona azul presa com corda de varal nas vigas da cobertura do fundo (um puxadinho festivo), cerveja em garrafa, músicas exclusivamente do vinil (instalei a vitrola lá no fundinho), presenças marcantes e companhias prazerosíssimas!

Aí veio a ressaca do dia seguinte - não de bebida, acho que de alegria. Quem toma muita alegria um dia sofre sempre com os efeitos colaterais no dia seguinte.

Outra que sofreu foi a Maria, a faxineira da família. Quando viu a montanha de louça exclamou de olhos arregalados "passou um furacão por aqui!?!".

***
Na terça foi dia de tragédia: o carro do papai, aquela barca consumidora de derivados de petróleo, resolveu brincar de chaleira. Ferveu em plena marginal. Fiquei cagando de medo de estragar o motor, sei lá. Mas pelo jeito não aconteceu nada. Parei umas 3 vezes, pus água fria e detectei o problema: má circulação pelo radiador, que pode ser causada pela falência da bomba d'água ou pela obstrução da válvula que regula esse fluxo de água, de maneira a manter a temperatura do motor quase constante quando do carro em movimento.

Ai, que chatice! Ter a Palio Weekend me forçou a saber um pouco sobre mecânica; ser curioso me fez aproveitar a oportunidade. A verborragia, pobres cinco leitores (ainda bem que são cinco bons leitores, acabou aquela enxurrada de comentários tolos), castiga seus ouvidos com esse tipo de informação inútil.

Estacionado o carro na garagem, alimentei o cãozinho e fui pra festa! Samba foi a pedida, com a turma do tango - aquela do churrasco de segunda - com direito a muitos chopes e a uma lingüiça deliciosa!

Nesse dia uma flor amarelinha e delicada conseguiu um belo 10 na apresentação do seu trabalho de conclusão de curso e agora já pode encher a boca para gritar que é uma jornalista formada - embora isso signifique cada vez menos.

Nenhum demérito a você, flor, ao seu esforço, ao suor e ao resultado do exaustivo trabalho - que eu não conheço, mas já suponho brilhante! O demérito fica todo para a carreira que escolhemos para seguir e mais ainda para os malucos que inventaram que isso se aprende nos bancos escolares. Quem inventou que ensinasse!

***
Quarta foi dia de acordar atrasado - óbvio - e ir direto trabalhar. Depois construir um pouco a vida afetiva, que, como já disse a Clarice e como eu já escrevi aqui dias atrás, "se uma pessoa fizesse apenas o que entende, jamais avançaria um passo".

Aprendi uns passos novos de tango - na verdade uma nova combinação dos movimentos já existentes - e fui com toda a turma (quase a sala toda!) para o famoso bar das quartas à noite, o boteco da esquina. Lá sentei às 23h30, muito bem acompanhado, e fui bebendo.

>>>Lancei a pedra fundamental. Pela primeira vez.<<<

E por lá fiquei, bebendo, comendo, falando e cantando até as 3h30 da manhã. Ó céus!

***
Hoje foi dia de apresentação de trabalho e, óbvio, eu cheguei atrasado. Mas deu tudo certo dessa vez. Só que eu preciso aprender a trabalhar nos trabalhos, de verdade, e não procrastinar e me apoiar nos outros elementos do grupo - ai que vergonha da minha mediocridade acadêmica.

***
E o saldo da semana está sendo positivíssimo - uma semana de partidas, infelizmente: os companheiros espanhóis que fizeram intercâmbio devem estar entrando no avião agora para voltar à civilização (decolam às 20h), o amigo Andrei, colega de trabalho também, nos deixa amanhã e já pega o ônibus para o Rio Grande do Sul (esse estado maravilhoso).

Eu fico. Vou ficando. Enquanto tiver o que fazer por aqui e nada melhor no horizonte, vou ficando.

Mas rádio é meu tesão.

***
Qual o sentido desse post imenso, hein, cinco leitores, se eu, embora verborrágico, sou só segredos?

postado por: guilherme Quinta-feira, Dezembro 15, 2005
Palpites pelo mundo:



Segunda-feira

Hoje é dia do triste.

Não sei o que me deu, mas desde manhã ando angustiado. Tá, eu confesso: é tristeza mesmo, não é angústia.

Essa tristeza está me fazendo lembrar uma sensação que eu costumava ter há alguns anos, há vários anos já: a sensação de sozinho.

É mais forte que eu e não tem explicação. Hoje eu sou sozinho.

E parece que o mundo também conspira... Os telefones não atendem, a casa vazia, o porteiro introspectivo, o chefe num dos piores dias do ano (em termos de humor, digo), a gata que saiu do cio e voltou a ser violenta, odienta, rabugenta, rancorosa, ciumenta, destruidora.

Essa gata é a síntese do mundo.

E eu sou uma ilhinha à deriva.

postado por: guilherme Segunda-feira, Dezembro 12, 2005
Palpites pelo mundo:



Sexta-feira

Tive uma idéia brilhante ontem, mas deixei para compartilhar só hoje.

Aliás ontem eu dormi ouvindo a história do serial killer de mototaxistas no Gil Gomes. Muito boa! Ele até lembrou de outros casos, como o do Chico Picadinho - e olha que nome delicioso, Chico Picadinho.

À idéia brilhante.

Imaginem vocês dominarem o decaímento do próprio corpo. Conseguirem calcular a diminuição de movimentos, de energia... envelhecer num ritmo calculado, calculando a morte. Marcar data e hora.

Eu escolheria o momento da virada do ano.

Imaginem que lindo seria agora, hoje, eu começar a envelhecer ràpidamente. Sinto dores nas pernas, nos braços. A visão vai ficando baça. Resolvo aproveitar o pouco tempo útil que tenho.

Passo o Natal numa cadeira de rodas, já meio convalescente. Tusso. As pernas já estão frias por causa da má circulação, então uso uma manta de tricot.

No dia 30 eu já sou só pensamentos. O corpo mal me obedece, estou na cama, sozinho, em silêncio. Inspiro e expiro devagar, com dificuldade.

Nessa hora eu choro. Escorre uma lagriminha que não é de tristeza sino de contentamento, de satisfação. O dia 31 começa e eu não me mexo, nem sei se amanheceu que enxergar eu já não enxergo.

Em companhia dos meus pensamentos mais secretos, sonhando com minhas vontades mais francas, com a leveza de quem não tem mais nada a pensar - nem a curto prazo mais, que dirá a médio, a longo prazo. Escuto a vizinhança berrando a contagem regressiva.

Sei que é também a minha:

10, 9, 8

Mais uma lágrima daquelas.

7, 6, 5

Os sonhos vão se misturando na cabeça, meus personagens estão felizes em alguma festa longe de mim. Eu já deixei de existir pra eles.

4, 3, 2

É verdade o que dizem: a vida passa toda diante dos olhos em 3 segundos. O balanço é zero - nem positivo, nem negativo. Pelo menos não deixei nada nesse mundo pra me arrepender ou orgulhar.

1.

Nem escutei esse "um" final. Foi só a última expiração serena.

Expiro.

postado por: guilherme Sexta-feira, Dezembro 09, 2005
Palpites pelo mundo:



Quinta-feira

Lupicínio é meu rei:

"Deixa-me sofrer que eu mereço..." - já citei essa aqui, mas preciso de novo do verso. Retumbante...

E sabem por quê? O Lupiça sabe.

"...e o remorso está me torturando
por ter feito a loucura que fiz
por um simples prazer
fui fazer meu amor infeliz..."

É ou não é um gênio?

***

Comentários não relacionados a este post não são bem vindos. Eu odeio estar no "Blogs Of Note" e não quero ser parabenizado por isso. Eu não leio blogs de desconhecidos.

postado por: guilherme Quinta-feira, Dezembro 08, 2005
Palpites pelo mundo:



Quarta-feira

Quando Deus estava criando o mundo, viu que os homens estavam ficando barbudos demais, as mulheres com os cabelos desgrenhados... Aí, em sua sabedoria suprema, ele disse:

Façam-se os cabeleireiros e os barbeiros.

Impressionado com a perfeição de Sua criação, Ele arrematou, espantado:

Parla!!!!

E eles levaram a sério. Até hoje não inventaram cabeleireiro mudo.

Aguardem! No próximo capítulo sobre criação do mundo, "os taxistas".

postado por: guilherme Quarta-feira, Dezembro 07, 2005
Palpites pelo mundo:



Post idiota esse de baixo. Ignorem, por favor.

O que vale por hoje é este:

Me surpreendeu hoje pelo telefone a pergunta do chefe. Pergunta tola, para ilustrar algum texto, mas que me fez pensar.

"O que é impossível? Me dê um exemplo de uma coisa impossível."

Só uma coisa me martela na cabeça - é impossível entender o outro, saber como o outro se sente. Daí é impossível se comunicar, porque cada um usa um código baseado em si mesmo e nas suas experiências.

Repasso a pergunta aos muitos visitantes estranhos dessa semana e aos 5 leitores queridos do coração: o que é impossível?

postado por: guilherme Quarta-feira, Dezembro 07, 2005
Palpites pelo mundo:



Vi num filme, lindo por sinal, que as pessoas precisam ter algum segredo sujo pra esconder de todo mundo, algo de que se envergonham muito por fazer e ainda assim fazem.

Que isso ajuda a viver.

Pra mim só atrapalha.

tortura.

postado por: guilherme Quarta-feira, Dezembro 07, 2005
Palpites pelo mundo:



Terça-feira

A vida independente é um caos!

Ontem fui usar o banheiro (resolvi pegar leve no vocabulário dessa vez). Depois de "usar o banheiro", fui "fazer a higiene", e abri a portinhola do papel-higiênico, embutida na parede.

Vazio.

Não havia motivos para pânico, dentro do armarinho sempre há papel higiênico. Calças nos tornozelos, fui agachado até a porta debaixo da pia. Abri: nada. Vazio de tudo!

Ainda não havia motivos para pânico: sob o olhar assustado da gatinha fui no passo do elefantinho, calças nos tornozelos, até o banheiro da minha mãe para pegar o rolo dela. Dentro da portinhola embutida, mais uma vez, não havia nada. Não é surpresa pra ninguém, e nem foi pra mim, que dentro do armarinho do banheiro dela tampouco havia qualquer rastro de papel higiênico.

O jeito era tomar um banho! Voltei no passo do elefantinho até meu banheiro e ia entrando no box quando vi que não havia mais sabonete. Péssimo! Abri o armarinho e a cena se repetiu: nada dentro do armarinho que lembrasse um sabonete, nem os pequenininhos surrupiados amiúde dos hotéis. Passo do elefantinho até o banheiro da mãe, em cujo armarinho não encontrei sabonetes. O jeito foi pegar o usado da pia do banheiro dela pra tomar o banho da noite.

No banho da manhã de hoje ele derreteu inteiro... É o fim. Agora é mercado ou morte!

postado por: guilherme Terça-feira, Dezembro 06, 2005
Palpites pelo mundo:



Segunda-feira

Como é emocionante o fim de uma história, como é envolvente o desenlace de uma novela!

É com orgulho que aqui, neste momento mágico, eu divido com vocês a boa nova da semana: chegou a caixa com Amanditas!

Será que alguém se lembra que há uns dias eu liguei reclamando da "falta de crocância do produto 'Amanditas'"? Certamente um dos cinco há de se lembrar. Pois bem, deu tudo certo! A caixa chegou em casa, pelo correio, embalada em plástico bolha; a crocância é fabulosa.

Mas ainda assim as casquinhas crocantes descolam das bolas de chocolate. Pena. Mas é de graça, então tudo bem.

***
E eu durmo cada vez menos, quero dormir cada vez menos. Quero guardar bem essa sensação de agora, lembrar dela só um pouquinho por dia pra não gastar... e o Caetano (achei o CD do Caetano que eu procurei por horas em casa) continua cantando macio:

Muito

Eu sempre quis muito
Mesmo que parecesse ser modesto
Juro que eu não presto
Eu sou muito louco, muito
Mas na sua presença
O meu desejo
Perece pequeno
Muito é muito pouco, muito
Broto você é muito, muito
Eu nunca quis pouco
Falo de quantidade e intensidade
Bomba de hidrogênio
Luxo para todos, todos
Mas eu nunca pensei
Que houvesse tanto
Coração brilhando
No peito do mundo louco
Gata você é muito
Broto você é massa, massa


postado por: guilherme Segunda-feira, Dezembro 05, 2005
Palpites pelo mundo:



Sábado

Verborragia.

***
Foi nessa semana, em algum momento. Não vou saber dizer exatamente quando, mas me lembro de alguns episódios, as pessoas me alertando "pára com isso, que você vai acabar assim", ou "isso pode acelerar o processo".

Natural como essa frente fria que cobre de cinza a cidade cinza (que ficou barrenta ontem de manhã), fui subindo os degraus, galgando posições. Hoje eu posso dizer com a boca cheia: sou um Rei.

Parei e estudei os principais acontecimentos dos últimos dias, a fim de chegar ao responsável pela minha nova e confortável (?) posição Real. Talvez a bebida, que nos tolhe os sentidos. O excesso de cerveja e chope dos últimos dias.

Pode ser também a dieta mais frugal. Eu sempre avisei que os efeitos de uma dieta saudável seriam imprevisíveis para mim, mas, de tanto ouvir recomendações, acabei mergulhando de cabeça em pêssegos, bergamotas, bananas, nectarinas, uvas de dois tipos, mamões, laranjas, sucos. Pode ser isso também.

Outro agente que contribui para o acontecimento foi o almoço de dias atrás com um casal lindo. Não, o casal lindo não fez nada para me ajudar a chegar à posição em que estou; o fundamental foi o cardápio árabe do dia: quibe cru, pastas com nomes lindos (homos e etc), uma pitada de molho de tomate cru, charutos, kafta, suco de pétalas de rosas, suco de tâmaras, tabule, diferentes temperos.

Mas sempre há de se encontrar um bode expiatório, e eu já achei o meu. Descarto todos os outros fatores e abraço o responsável preferido de 9 entre dez reis desse mundo, ainda que reis de ocasião como eu:

A maionese.

***
Coprorragia.

postado por: guilherme Sábado, Dezembro 03, 2005
Palpites pelo mundo:



Sexta-feira

Fiz esse post aí de baixo agora mesmo, mas não gostei dele. Se eu fosse outras pessoas, apagaria.

Mas este blog tem uma única regra, às vezes bem idiota, mas no fundo positiva - uma vez postado, não será apagado ou editado.

É por isso que eu costumo comentar meus próprios posts, para acrescentar idéias que me surgem depois.

Assim, re-posto:

***
Quero um estojo de maquiagem. Acho que vou comprar um daqui a pouco, um estojo desses bem grandes, absolutamente completos, com todos os tons, todas as temperaturas de côr.

E vou usar o pó, o rímel, um rouge especial. Vou pintar a boca, ilustrar as idéias, fazer os olhos brilharem, arrepiar os pêlos do braço na hora certa, molhar as palmas das mãos com a medida exata de suor.

Tudo na louca tentativa de continuar sendo eu mesmo, o que, admitam, é de uma dificuldade sem tamanho!

Quero vestir minha própria máscara. Quero um relógio com ponteiros que parem na hora certa - na hora boa.

E me lembro da Clarice, tão cara de alguns ilustres leitores desta tribuna inútil, que, dizem, disse (ou escreveu? dá o veredicto, fã número 1!) certa vez: "se uma pessoa fizesse apenas o que entende, jamais avançaria um passo."

É hora de avançar por mim mesmo, sem pedir ajuda ao Carlos.

postado por: guilherme Sexta-feira, Dezembro 02, 2005
Palpites pelo mundo:



O mundo é bem bonitinho. Tão bonitinho que fica difícil se concentrar em coisas negativas como corrupção, tráfico de influência, desperdício de dinheiro público, assassinatos políticos e coisa e tal.

E agora que os pais estão longe eu descobri um novo prazer: dirigir.

Oh!

Depois da venda do carro, fazia tempo que eu não dirigia... Agora, com o carro da mamãe que tem até rádio que toca CDs, eu até gosto de pegar um transitinho.

Mas calma. Essa empolgação só dura até a primeira abastecida do carrinho.

***
Tem umas músicas que martelam na cabeça, né?

"Odeio os ponteiros que correm,
Se estamos perto,
Odeio os ponteiros que param,
Se estamos longe,
As horas torturam quem ama,
Correndo ou custando a passar,
Se o tempo entendesse de amor,
Devia parar."

Esse aí é um samba-canção que a Elizeth, maravilhosa, gravou há decadas.

E o tempo não entende nada de amor, mesmo. Como é mau!

postado por: guilherme Sexta-feira, Dezembro 02, 2005
Palpites pelo mundo:



Quinta-feira

Chorei até ficar com dó de mim hoje de manhã.

Fui levar os pais pro aeroporto, que eles partiram pro Chile em ritmo de aventura (tênis nos pés e mochilas nas costas, junto com o irmão menor). Vão apanhar ônibus e conhecer todo o norte do país, até a divisa com o Peru e a Bolívia.

Mas acordei tarde, tomei banho devagar (que estava até tonto de sono), fiquei irritado com a pressão, descobri que meu pai está ficando parecido com o meu avô (neurótico com horários de viagem) e fomos ao aeroporto.

Lá umas discussões tolas e pronto, briguei com todo mundo. Depois olhei para eles, indo fazer uma viagem daquelas... senti que meu pai estava ansioso porque era mais ou menos um sonho - mostrar o Chile, que entrou definitivamente pra vida da família, pro meu irmão - e que eles estavam realmente felizes. Comecei a chorar sozinho no café enquanto eles iam para a fila de enbarque que, segundo papai, estava imensa!

Cena: morde a torta de frango com catupiry e chora, chora, chora. As pessoas olharam, mas não disseram nada.

Quis conversar com eles, mas não conseguia. Me recompus e fui ao seu encontro - a tal fila imensa era do embarque doméstico -, eles se despediram de mim e eu comecei a chorar de novo. Entraram.

Encostei na coluna e segui chorando de um jeito diferente. Nunca tinha chorado por emoção pura de ver outras pessoas realizando sonhos pequeninos. Não chorei pela partida, chorei pela felicidade deles.

E assim chorei por mais uns bons minutos até pagar o estacionamento e ir para a aula ouvindo música:

"...Ah, se eu fosse marinheiro
Era eu quem tinha partido
Mas meu coração ligeiro
Não se teria partido..."

***
E a música seguia me encantando - ouvi umas dez vezes, que a marginal tava uma caca:

"...Eu amava e desamava
Sem peso e com poesia
Ah, se eu fosse marinheiro
Seria doce meu lar
(...)
Não buscaria conforto
nem juntaria dinheiro
Um amor em cada porto
Ah, se eu fosse marinheiro..."

Acho que não nasci para ter um amor em cada porto. Prefiro mesmo uma âncora com cordas bem firmes pra me agarrar e dançar ao sabor das ondas, da brisa, das tempestades.

Naufragar, quem sabe. Mas de olhos bem abertos e prestando atenção ao caminho de subida.

postado por: guilherme Quinta-feira, Dezembro 01, 2005
Palpites pelo mundo:





De Mel
Mind the Gap
Em Preto e Branco
Torre de Papel
Poluição d'Idéias
suco
Tabacaria
La vie en rose
Retalhos do Mosaico




Atual
Arquivo