Segunda-feira

Muitas coisas a relatar do final de semana. Mas, mais uma vez, o assunto do dia se impõe:

Abri hoje por acaso a página de obituários do Globo. Me surpreendeu, primeiro, uma tabela com os preços dos anúncios, abusivíssimos!

Aí, por curiosidade, fui calcular o preço de um dos anúncios. Descobri, não sem espanto, que havia cinco anúncios de missa de sétimo dia para uma mesma senhora: Amelia Maria Meggiolaro.

São três anúncios de três colunas por oito centímetros, mais um de duas colunas por sete centímetros e um último com duas colunas por três centímetros.

Custo para família e amigos: R$ 13.778,00. Extenso? Claro: treze mil, setecentos e setenta e oito reais (nenhum centavo).

Por curiosidade, busquei o nome da "querida amiga Amelinha" no google: 5 registros. Quatro versando sobre o livro "Baixa Renda: Um problema habitacional em Petrópolis".

Pôxa! Se os amigos colaborassem com a mesma vontade quando a Amelinha estava viva, ela certamente seria lembrada como a benfeitora de Petrópolis, a mulher que revolucionou a habitação na cidade eliminando o problema da baixa renda.

Sem ofensas, que a Amelinha descanse em paz!

postado por: guilherme Segunda-feira, Outubro 31, 2005
Palpites pelo mundo:



Sexta-feira

Dirigi de novo em São Paulo hoje e foi uma merda... enorme.

Primeiro fui ao centro de Pirituba com o "carro do meu pai"* para oficializar no cartório a venda do meu carro.

Ok, estresse: 1. Centro de Pirituba; 2. Cartório; 3. Calor.

Depois vim até Pinheiros...

Estresse: 1. ponte sobre o rio Tietê congestionada; 2. Calor; 3. Excesso de luz; 4. Lesmas na minha frente; 5. Diógenes Ribeiro de Lima com velhinhos guiando e semáforos não sincronizados; 6. Vila Madalena com gente folgada e ônibus ocupando as ruas inteiras.; 7. Não tinha onde estacionar; 8. Dez minutos para dar uma volta no quarteirão porque um carro ocupou duas vagas; 9. Calor e arrependimento por ter usado o ar-condicionado.

*"Carro do meu pai" - no domingo eu bati o carro do meu pai num poste que, sem dar seta, pulou na minha frente ali na Pio XI, na Lapa. Eu briguei, mas ele não tinha seguro e acabei ficando com o prejuízo. Se alguém encontrar por aí um poste desses de concreto, com uma faiza branca de um metro e meio ou dois na base e uns fios no topo, me avisem!

PP (Em referência a post-scriptum, faço o post-postum): Inspirei-me no blog Torre de Papel, linkado aí do lado.

postado por: guilherme Sexta-feira, Outubro 28, 2005
Palpites pelo mundo:



Quinta-feira

Flagrante (literal) do cotidiano:

Dá umas 17h30. O calorzinho vai ficando gostoso em lugar de sufocante, o sol dá uma trégua e eu me entrego ao sono.

Tiro os sapatos, reclino a cadeira do escritório, coloco os pés sobre o gaveteiro, apóio o cotovelo no braço da cadeira e com a mão sustento a cabeça. Durmo gostoso por uns 15 ou 20 minutos.

Desperto calmamente e abro os olhos. À minha frente, em pé, está o chefe, sorrindo. Não sei o que ele falou, ainda estava embriagado de sono. Sei que eu limpei com a mão a baba que escorria da boca aberta e já pingava na camiseta, tirei os pés do gaveteiro e expliquei que uma soneca ajudava a retomar o trabalho com força total.

Ele voltou pra sala dele e eu voltei ao trabalho.

postado por: guilherme Quinta-feira, Outubro 27, 2005
Palpites pelo mundo:



Quarta-feira

Bip bip.

Apita o celular e meu olho até brilha - puta que pariu, que fossa é essa que o olho brilha com mensagem de celular???

Desbloqueio o aparelhinho e exibo a mensagem: Novidade Caixa Postal:deixe um recado para um celular "operadora" sem ter que ligar diretamente para ele! Ligue 99999 do seu celular e escolha a opção X.

Agora essa frase não me sai da cabeça... novidade caixa postal. Eu esperava um alento, mas tudo bem! Minha caixa postal tem uma novidade para mim! Para mim, exclusivamente, porque a operadora está pensando em mim o tempo todo.

Queria fazer aniversário só para dizer que estou no inferno astral e que tudo vai melhorar em breve. Mas daqui pra maio vai teeempo...

***

Fiz muitas escolhas já. E o que ganhei com isso? Para onde estou indo?

Meu alento é que o mundo inteiro está se fodendo, não sou só eu. Assim é mais fácil tolerar o próprio fracasso.

postado por: guilherme Quarta-feira, Outubro 26, 2005
Palpites pelo mundo:



Terça-feira

Estou com vontade de explodir.

Mas sigo o conselho - melhor implodir, porque uma implosão arremessaria um mar de sujeira, de merda, de excrementos, de lixo, de bosta, de todas as secreções mais nefastas, das mais pútridas excreções do corpo e da mente.

Falta pouco para desatinar.

postado por: guilherme Terça-feira, Outubro 25, 2005
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Sábado

Ontem o dia foi diferente.

Às 5 da tarde acabou a força do prédio. Décimo segundo andar no escuro - eu resolvo ir comprar um pãozinho pra enganar o estômago na espera pela volta da luz.

Cinco e quinze: chega o anúncio (eu já havia descido e subido os 12 andares uma vez) de que a luz só volta às 7 e meia. Vamos todos embora, descendo de novo os 12 andares a pé.

Cada um pro seu canto, resolvo ir ao cinema. Pego o ônibus e... a Rebouças é interditada pela CET! Desço do coletivo - que tinha ar-condicionado, era um sonho - e vou seguindo a pé pelo meio dos carros para a Paulista.

No rádio de pilha que liguei, ouço o motivo do caos: uma manifestação de professores da rede estadual de ensino.

Aí processou-se o acontecimento - comecei a chorar no meio da rua, pensando nos dois lados da questão: uma cidade em caos eterno, para a qual ninguém vislumbra solução, enfiada no meio de um país cretino sem noção de progresso, sem noção de educação, sem noção de bem estar.

Comecei a rir, andar rindo pela avenida... Fui sorrindo pro mundo, vendo tudo com outros olhos...

O mendigo dormia debaixo do ponto de ônibus, bem em frente a um Bar Lounge. Bar LOUNGE, que porra é essa?

Parei em frente à Cásper Líbero - ali eu havia de encontrar um conhecido para uma cerveja. Encontrei de fato, por puro acaso, uma antiga colega de cursinho, que não beberia cerveja comigo por nada no mundo, e, logo depois, uma flor em quem havia pensado na quinta à noite. Afogamos as saudades no boteco, depois da dificuldade pra achar uma mesa.

Ônibus, caminhada e aula de milonga - dancei gostosinho até as 23h, quando comecei o segundo round: com a turma do tango, nova cervejada até 0h15. O último ônibus sai do ponto às 0h20.

Caía uma chuva desgraçada, dessas inesperadas que acabam com o dia e os planos. O vento frio... Quando estava chegando no ponto, um carro passa sobre uma poça e espirra água em mim (eu, que antevi a tragédia, corri agachado na direção contrária mas não consegui evitar a água imunda). Foi o pretexto para puxar papo com dois rapazes no ponto, e viemos conversando até aqui porque somos vizinhos.

E eu cheguei mais que encharcado em casa. Um pato molhado, espirrando, com frio... E triste por não ter dado um golinho mais.

postado por: guilherme Sábado, Outubro 22, 2005
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Quarta-feira

Há tempo para um rápido brinde às nossas tiranias - esses monstros do egoísmo, essas teimosias tolas em decisões do dia-a-dia, as irredutibilidades sem sentido.

Se as temos, é bom brindarmos com elas, bebermos com elas, vivermos com elas. Em pouco tempo não haverá mais ninguém por perto para nos acompanhar.

A vida, essa frase não é minha, é feita a golpes de pequenas solidões.

Às vezes, grandes solidões pequenas.

postado por: guilherme Quarta-feira, Outubro 19, 2005
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Sexta-feira

Basta uma cena de sangue que envolva dois conhecidos e passamos horas pensando, angustiados, na natureza humana.

Um conhecido está morto. Isso é difícil de engolir.

O outro conhecido, agora assassino, está preso. Fácil de engolir, difícil de entender.

postado por: guilherme Sexta-feira, Outubro 14, 2005
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Quarta-feira

Depois de violentamente irromper num jantar que deveria ser só para meninas, beber boas quantidades de vinho, sidra Cereser e cervejinha, voltei para casa com um sentimento de juízo final.

Não foi e nem deveria ser um juízo final - foi só mais uma festinha em que os amigos (no caso, as amigas) mais próximas se encontraram para um jantar bem comportado. Mas a noite teve uma brincadeira nova: o Jogo do Elogio.

Elogiei com sinceridade. Expliquei cada "elogio" (porque eu não sei elogiar de verdade) demoradamente, ouvi os elogios que me fizeram e no final (agora há pouco) abracei cada uma com uma sensação de que eu poderia bater o carro e morrer. Estaria tudo resolvido. E o pior é que não é verdade... Há ainda muito a dizer e a ouvir antes que a indesejada me puxe pelos pés.

Leveza. Flutuo pela janela, flutuei até aqui, flutuo e não tenho sono, porque eu só tenho sono durante o dia.

Por mais que eu me esconda, sempre há os que me enxergam. Preciso parar de me esconder de mim.

postado por: guilherme Quarta-feira, Outubro 12, 2005
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Domingo

Paixão antiga é assim: não morre; hiberna. Basta um breve reencontro e lá estamos nós outra vez, babando, sonhando, querendo novos encontros.

Toda paixão tem uma dose imensa de admiração, não é? Ainda mais quando a paixão é unilateral - aí é que a pessoa deixa de ser uma paixão e sobe um degrau; ao mesmo tempo, a gente desce um monte de degraus e abraça a idolatria.

Foi assim comigo. Amei loucamente, bradei aos quatro cantos, mas, de repente, outras notas entraram na minha vida - ré, mi, fá, sol, lá, si, dó. Fui deixando a minha nota preferida meio de lado, esquecida. Abracei apenas uma paixão verborrágica, não de fato; deixei de vê-la como um todo, me prendia aos aspectos mais marcantes apenas, aos aspectos mais peculiares, mais esdrúxulos.

Até que a reencontrei em sua plenitude. Um disco aqui, um disco acolá, uma faixa que eu não ouvia há muito tempo.

Meu coração não hesita. Ele Inezita.

postado por: guilherme Domingo, Outubro 09, 2005
Palpites pelo mundo:



Quinta-feira

Tomei a liberdade de alterar um verso no meio da música...

Sua estupidez
(Roberto Carlos - Erasmo Carlos)

Meu bem, meu bem
Você tem que acreditar em mim
Ninguém pode destruir assim
Um grande amor
Não dê ouvidos à maldade alheia e creia
Sua estupidez não lhe deixa ver
Que eu te amo. Meu bem, meu bem
Use a inteligência uma vez só
Quantos idiotas vivem só sem ter amor
E você vai ficar também sozinha
E eu sei porque
Sua estupidez não lhe deixa ver
Que eu te amo.
Quantas vezes eu tentei falar
que no mundo não há mais lugar
Pra quem toma decisões na vida sem pensar
Conte ao menos até três
Se precisar conte outra vez
Mas pense outra vez, meu bem, meu bem
Eu te amo. Meu bem, meu bem
Sua incompreensão já é demais
Nunca vi alguém tão incapaz de compreender
Que o meu amor é bem maior que tudo que existe
Mas minha estupidez não te deixa ver
Que eu te amo.

postado por: guilherme Quinta-feira, Outubro 06, 2005
Palpites pelo mundo:



Sábado

Dependência. Essa é a palavra de hoje.

E estupefação.

postado por: guilherme Sábado, Outubro 01, 2005
Palpites pelo mundo:





De Mel
Mind the Gap
Em Preto e Branco
Torre de Papel
Poluição d'Idéias
suco
Tabacaria
La vie en rose
Retalhos do Mosaico




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