Sexta-feira

Todo o esforço de um ano se desfez. Quem me conhece há mais tempo sabe o quanto eu mudei nesse período entre-greves da USP - grosso modo, de uma pessoa com ideais a um conformado com o mundo, satisfeito em trabalhar hoje para ganhar algum e continuar vivendo.

Em terra de sapos, de cócoras como eles.

Mas aí aconteceu: primeiro uma desestabilização afetiva, que nos torna mais sensíveis às coisas do mundo. Depois o prazer do convívio, a sensação de querer e ser querido. Tudo no final de semana passado, tudo com cerveja e petiscos.

Na quarta, aula com videozinho - um documentário gravado por um formando aqui da faculdade sobre a deposição de Allende.

Quem me conhece um pouco também sabe que o Chile é uma das minhas paixões intensas - como se a uma dada paixão coubesse escolher não ser intensa - e que a música, a imagem, a história, a geografia, quase tudo do Chile que eu conheço me emociona.

Isso posto, vi o documentário. Vi o povo pobre, vi as reformas de Allende. As reformas sociais de Allende. O socialismo de Allende.

Mexeu comigo. Mexeu demais, me fez pensar, me fez lembrar do que eu já fui, do que já sonhei. Meu pai contando as histórias das lutas grevistas do sindicato dos bancários, repetindo a fábula da estrela do mar - a saber, um homem atira, uma a uma, milhares de estrelas do mar encalhadas na areia da praia e condenadas a morte, no que é interrompido por outro senhor que lhe diz, Há milhares de estrelas na areia, que diferença vai fazer atirar ao mar essas poucas que você pega? O homem abaixa, pega uma estrela, lança ao mar e diz, Para essa estrela fez diferença.

Mas passou. Eu logo voltei ao meu conformismo, voltei a ficar de cócoras. Aí na quinta, durante a aula de novo, alguns debates sobre tecnologia e evolução digital do mundo, pesando o benefício que essas inovações podem trazer à população e, mais importante, que população é essa que terá acesso à tecnologia. Foi suave, nem chegou a doer.

Mas à tarde o negócio pegou. Tergiversando com o colega de trabalho e amigo pra vida sobre desenvolvimento, subdesenvolvimento, PIB, países ricos e países pobres, Getúlio, Finlândia, educação para os filhos, sonhos futuros, organização em sociedade (sim, também trabalhamos nas horas vagas), eu me emocionei. Vi um mundo sem muita saída, uma ordem estabelecida. Senti que fazia parte da escumalha acomodada, e então o meu mantra do último ano (em terra de sapos de cócoras como eles, ou resignação é ferramenta importante para a sobrevivência) ruiu, soou mal, me machucou.

Chorei. Não chorar assim, lágrimas escorrendo, que isso eu esqueci como se faz. Meus olhos se encheram de água, a voz ficou embargada, eu tentei me segurar, mas...

"...explode coração."

E falei pro meu pai, dias antes, que não adiantava fazer greve, que tinha acabado tudo, que tinha que se conformar. Ao que ele respondeu que não é porque estamos de mãos atadas que também vamos parar de pensar!

"Mesmo calada a boca resta a cuca"

E filhos! Imagine, ter filhos nesse mundo! Como vão crescer? Que eduação dar a eles? Engolir essa insatisfação e mostrar-se feliz, prepará-los para o ambiente administrativo, para o bom emprego que renderá boa grana e sucesso? Ou transmitir essa merda de pensamento contestatório, torná-lo um gauche triste ou revoltado, que um dia terá de trabalhar para se alimentar e vai se sentir então um bosta?

"Uma certeza me nasce, e abole todo o meu zelo
Quando me vi face a face fitava o meu pesadelo
Estava cego o apelo, estava solto o impasse
Sofrendo nosso desvelo, perdendo no desenlace
No rolo feito um novelo, até o fim do degelo
Até que a morte me abrace"

Ou...

"Uma lambada me bole, uma certeza me abate
A dor querendo que eu morra, o amor querendo que eu mate
Estava solta a cachorra que mete o dente e não late
No meio daquela zorra, perdendo no desempate
Girando feito piorra, até que a mágoa escorra
Até que a raiva desate"

Todavía no pasarán. Pero hasta cuándo?

postado por: guilherme Sexta-feira, Setembro 30, 2005
Palpites pelo mundo:



Domingo

"Hoje eu quero apenas...
...
...
...
...
...
...
... uma pausa de mil compassos..."

Eu não quero a pausa, como pede Paulinho da Viola, de mil compassos; uma pausa tão grande nos faz pensar muito na vida, nos amores, nos desejos.

E perceber que, ao contrário da minha lógica panglossiana, o momento atual não é tão bom quanto já foram outros momentos passados.

Não o passado distante, de 50 anos. Esse é logico que é melhor que o momento atual.

O que me aflige é o passado que acabou logo antes dessa pausa de mil compassos. Mil compassos, vocês têm idéia do que é isso?

O jeito é mesmo fazer um samba sobre o infinito, dar um passo à frente e deixar a solidão cair em queda livre no despenhadeiro de aflições.

Aflito e sozinho, embora tão acompanhado. Deve ser o raio do Vedapack que não sai.

postado por: guilherme Domingo, Setembro 25, 2005
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Sábado

"O amor é o amor", disse Dalva de Oliveira muitos anos antes de eu nascer.

Hoje provei do amor.

Amar é estar bem sem trocar palavras, a cumplicidade e a confiança de um silêncio. Amar é beijar na boca só para demonstrar o carinho e o querer-bem, sem esperar um beijo em troca - mas também sem esperar um susto!

Amo. Tenho muitos amores.

Isaura Garcia já cantou:

"...não é possível ter amores aos milhões
era preciso ter uns tantos corações
porque um só não é capaz de abrigar tantos afetos
amo tanto a tanta gente, tenho tantos prediletos."

Pois é. Acho plenamente possível, embora pouco saudável.

Vou morrer de amor um dia desses.

postado por: guilherme Sábado, Setembro 24, 2005
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Quarta-feira

Com vocês, ele: Roberto Carlos!



Mandei meu Cadillac pro mecânico outro dia
Pois há muito tempo um conserto ele pedia
Como vou viver sem meu carango pra correr
Meu Cadillac, bi-bi, quero consertar o Cadillac


Pois estava eu sem o carango pra correr - embora a aventurosa perua não morresse de amores pelas altas velocidades, preferia a prudência e perenidade das tartarugas e caracóis - quando hoje, caminhando pela rua, ele me pisca.

Com muita paciência o rapaz me ofereceu
Um carro todo velho que por lá apareceu
Enquanto o Cadillac consertava eu usava
O Calhambeque, bi-bi, quero buzinar o Calhambeque


Vende-se, anunciava o cartel colado no vidro lateral traseiro. Ano 1964 - pensei logo que aquele carro circulara por uma São Paulo que não existia mais, atravessara todo o regime militar brasileiro, chorara a morte de Tancredo Neves, os mortos no Vietnam, Chernobyl, fim do comunismo, impeachment de Collor, Itamar a fabricar irmãozinhos mais novos, FFHH e o nosso apedeuta que ora pensa que governa. O Fusca 64, motor 1300, acho, tinha os pára-choques originais, daqueles cromados e com detalhes hoje dispensados. Os faróis, grandes e curvos como que se espreguiçando sobre os pára-lamas, uma cor entre branco e cinza, um charme, uma graça.

O nome do dono era Felipe, e ele pedia 4.500 reais na jóia rara. Sorri para o Fusca e me despedi, vindo ao trabalho. Como sou dado a comentar tudo o que vejo e foge ao lugar-comum, comecei a descrever demoradamente o tal Fusca à colega de firma. Os olhos brilharam, "nós estamos precisando de outro carro urgentemente", maravilha, pensei, então vamos lá copiar o número do telefone e você já dá uma olhada na mercadoria.

Saí da oficina um pouquinho desolado
Confesso que estava até um pouco envergonhado
Olhando para o lado com a cara de malvado
O Calhambeque, bi-bi, buzinei assim o Calhambeque


Chegamos com um bloco de papel na mão, sorrisos e olhos brilhantes. Comecei a copiar os dados, espiar para dentro pelo vidro e uma voz perguntou se não queríamos falar com o dono. Surge Felipe, garçom de um restaurante do outro lado da rua onde estava estacionado o objeto de desejo da vez. Sorriu-nos, disse que não sabia nada sobre o carro, que o comprara da patroa, dona do restaurante, e que ia vendê-lo, porque a sua esposa teve vergonha da nova aquisição.

E logo uma garota fez sinal para eu parar
E no meu Calhambeque fez questão de passear
Não sei o que pensei, mas eu não acreditei
Que o Calhambeque, bi-bi, o broto quis andar no Calhambeque


"Podemos dar uma volta?", perguntou a colega interessadíssima no carro. Vale dizer que ela não quer nunca dirigir um Fusca, qualquer que seja, mas quer que o marido o dirija para que com ela fique a Palio Weekend de uso comum dos dois. O dono do Fusca não soube bem como se sair daquela, eu me apressei a dizer que não precisava - imagine bater um Fusca sem seguro! - mas ela insistiu e insistiu. Tanto fez que o dono da voz, na verdade o manobrista do restaurante, entrou no carro, a colega de trabalho no banco de trás e eu, senhor de mim, diante do volante.

O carro liga na primeira batida de chave. Ah, o delicioso e nostálgico som do motor refrigerado a ar. Os pedais são estranhos, presos ao chão do carro. O câmbio é praticamente uma alavanca presa numa placa de borracha - não se sentem as engatadas, nem o ponto morto. Sabe-se que há quatro marchas no carro, mas é difícil achá-las. A ré, impensável.

Saio, não sem dificuldades. O pedal do freio parece bobo, não funciona com precisão, é mole demais, ineficiente o bastante para me fazer suar.

E muitos outros brotos que encontrei pelo caminho
Falavam "que estouro, que beleza de carrinho"
E fui me acostumando e do carango fui gostando
O Calhambeque, bi-bi, quero conservar o Calhambeque


Como não conhecia bem o sistema acelerava demais antes de soltar o pé da embreagem, o que resultava num ensurdecedor barulho de motor-de-fusca. Eu era o centro das atenções, dirigindo 41 anos de história. Os retrovisores minúsculos, o vidro traseiro era quase um olho mágico desses de porta de entrada - não olhava para o carro de trás, eu o espiava escondido dentro do meu Fusca.

Mas o Cadillac finalmente ficou pronto
Lavado, consertado, bem pintado, um encanto
Mas o meu coração na hora exata de trocar
O Calhambeque, bi-bi
Meu coração ficou com o Calhambeque


Volta no quarteirão completa, estacionei o carrinho no lugar em que estava. Tentei premir a buzina, mas não funcionou. Nada de bibi no meu caso. Descemos todos, desliguei o excepcional motor, entreguei as chaves ao manobrista e saí ralhando que o carro era muito difícil de dirigir.

De tão difícil que era não consigo me esquecer dele nem por um minuto. A vontade de ter um Fusca cresceu, vingou, tomou corpo - agora é um objetivo.

Já disse à colega de trabalho - se ela comprar um Fusca, eu compro dela depois, quando puder.

Bem, vocês me desculpem
Mas agora eu vou-me embora
Existem mil garotas querendo passear comigo
Mas é só por causa desse Calhambeque sabe
Bye,bye


postado por: guilherme Quarta-feira, Setembro 21, 2005
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Terça-feira

O baile começa sempre com os tanguinhos mais antigos, notas mais contidas, ritmo fixo, quase sempre acelerado. Não emociona, o som é fraco, abafado, não tem riqueza melódica.

Aí eu entro na pista e danço, quase maquinalmente. Os olhos bem abertos evitam que eu e meu par esbarremos nos outros casais; os passos, todos conhecidos, são escolhidos não pela beleza, ou por combinarem com a música: a única função é desviar, evitar o choque, voltar quando preciso, interromper uma seqüência para deixar que outros casais completem as suas.

Mas então, lá pelo meio da milonga, começam os tangos modernos, introduzidos na música a partir da década de 50. O som agora é de uma orquestra grande, bem cuidada. O ritmo, ora alucinante, desfaz-se num silêncio de agonia, um violino que corta o ar. O bandoneon sozinho chora.

E então eu fecho os olhos. Sou contagiado pela emoção da música, me sinto dentro dela, parte dela. Os passos agora são feitos de acordo com o acorde, de acordo com o sentimento - grandes, espaçosos, egoístas surgem giros, corridas, pivôs que atrapalham diversos casais. Às vezes a pobre parceira, essa sim quase sempre de olhos fechados e confiando em quem a conduz, sofre uma escoriação ao ser pisada ou chutada, ou ainda atirada contra parede, mesas, cadeiras. Não presto atenção. Estou lá. Sou dado na pista, o tango é dado, o gesto é conseqüência.

Aí vejo que no meu dia a dia não consigo fechar os olhos - os passos são sempre desviando para cá e para lá, procurando não esbarrar nem chamar muito a atenção dos que estão em volta.

Quem sabe quando mudar a cantilena eu fecho os olhos. E vivo.

postado por: guilherme Terça-feira, Setembro 20, 2005
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Segunda-feira

E o outro lá numa mesinha de bar cantava "quero chorar, não tenho lágrimas".

Alguém logo me corrigiu: precisa ter lágrima pra chorar?

***
Acho que as pessoas perderam a capacidade de rir de si mesmas, e isso me soa bem ruim.

***
Sempre que Arlequim põe as asinhas de fora Pierrot dorme mal. Aliás Pierrot dorme mal sempre, porque dormir mal é dos Pierrots. Pierrot que se preze se fode. Arlequim que se preze...

postado por: guilherme Segunda-feira, Setembro 19, 2005
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Sexta-feira

Meu corpo se preparou, juntou energias durante todo o dia, jantou uma sopinha morna, deitou no sofá enrolado em mantas - mas a tal frente fria não chegou. Preciso aprender a prestar mais atenção aos boletins do tempo na Eldorado, com a minha queridinha Josélia Pegorin.

***
Deitado na cama o sono não vinha - um pouco, claro, era pela falta de esforço dos últimos dias. Um corpo descansado não dorme, ainda mais um acostumado à boemia. Mas uma aflição começou a me tomar conta.

O peito pesava, os pensamentos iam longe em conseqüências e expectativas; o sentimento era um misto de tristeza profunda, de desencanto, com ansiedade e uma esperança duvidosa - perguntas contrafactuais no futuro, se é que isso é possível lògicamente.

E eu pensei: faz tempo que não escorre lágrima que não seja de sono. Não choro já há vários dias, várias semanas. Já me foi mais fácil o choro, estou endurecendo.

No limiar do sono, a imagem era de vedapack - aquele filme plástico de cobrir tigelas de comida para pôr na geladeira. Senti meu corpo revestido de Vedapack por dentro, cada órgão, cada pedacinho, os sentimentos presos na impermeabilidade plástica do filme. Tudo controlado, medido.

Mas tanta disciplina com os sentimentos não me deixava agora chorar. Tentei, juro que tentei. Fiquei triste, pensei na minha avó que chorava, lembrei dela cantando, dela achando o Concierto de Aranjuez "lindo isso". Por que ela tinha que morrer, porra? Como seria - ai, as perguntas contrafactuais - se ela estivesse aqui? Como queria tê-la tratado melhor quando viva, ter conversado com ela, ter aproveitado.

Não fiz nada disso. E ela chorava de vez em quando, às vezes umas lágrimas de crocodilo. Meu olho também está enrolado em plástico transparente.

Periga eu morrer asfixiado.

postado por: guilherme Sexta-feira, Setembro 16, 2005
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Quinta-feira

Suspiro.

Cismo.

Derreto.

postado por: guilherme Quinta-feira, Setembro 15, 2005
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Quarta-feira

Pressa.

Acordei às 12h40 - preguiça, sono.

Pressa.

Desejo: comprei choco krispis no supermercado.

Pressa.

Comi com leite no trabalho, lendo jornais.

Alívio: acabei tudo antes do deadline.

***
Meu medo é não acabar de fazer tudo antes do grande deadline, o que nos aguarda a todos.

postado por: guilherme Quarta-feira, Setembro 14, 2005
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Segunda-feira

Eis que os céus, revoltados, desenrolam sobre os homens uma cortina branca e cinza, sob a qual sopram com seus pulmões do infinito um bafo gelado como muitos corações, úmido como tantos olhos.

***
Debaixo do manto, um Pierrot se sente Colombina dividida. O sonho ou o beijo? O encanto ou o desejo?

Mais do que isso: Pierrot descobre bem perto de si um Arlequim terrível, trator sem freios.

E agora, ó Colombina que traz dentro de si um Pierrot tristonho e um Arlequim ardente? Tomas um banho de água fria e voltas ao teu sonho ou esqueces a prudência e te satisfazes?

- Prudência, Colombina, é qual vinagre para um pepino - só conserva, não dá espaço ao novo.
- Ah, desatino! Cala a boca Arlequim! Mais vale o feijão que o sonho...
- E que feijão você tem, Pierrot tristonho?
- Mais vale a intenção do beijo do que o próprio beijo.
- Intenção (deboche)! Enquanto isso eu me ardo de desejo...

E Colombina, possuída, consegue fazer uma besteira atrás da outra, confundindo o mundo com seus lampejos...

...ora de Pierrot...

...ora de Arlequim.

***
Preciso de um trago.

postado por: guilherme Segunda-feira, Setembro 12, 2005
Palpites pelo mundo:



Sábado

Amèlie Poulando:

- Meu outlook não está funcionando direito. Eu mando e-mail mas as pessoas não recebem... E elas também têm me mandado muitas novidades, mas como ele não está funcionando direito, as mensagens não chegam até mim.

***
Coisas ridículas que fazemos: acabei de telefonar para a pizza hut do Estadão, para pedir pra atendente ir dar uma olhadinha no preço do combustível ali no posto Esso. Sabe como é, aumentou 10 % hoje na refinaria, vai que eu pego o preço novo e saio no prejuízo, né?

***
Eu ia postar alguma coisa realmente interessante, mas eu esqueci o que era. Tudo bem, digo que amo a Inezita Barroso e tá tudo certo.

postado por: guilherme Sábado, Setembro 10, 2005
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Quarta-feira

Curso rápido: como magoar pessoas!

1. Esqueça-se delas, fazendo-as sentir-se desimportantes.
2. Acredite que pedir desculpas resolve tudo.

Curso rápido é curso rápido.

***
Mais uma vez eu bebi ontem. Dessa vez mais do que nunca - cheguei em casa às 8h da manhã. É, eu não lembro de muita coisa do que aconteceu...

postado por: guilherme Quarta-feira, Setembro 07, 2005
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Terça-feira

CONCEIÇÃO



É, meus queridos, ontem foi dia de Cauby Peixoto - único personagem que me levou a mudar, pela primeira vez, o tamanho da fonte de um post nesta tribuna. E ele arrasou, claro. Que show, que homem, que voz, que delícia! Tudo regado a chopp no maravilhoso bar Brahma, primo da Confeitaria Colombo e parente do Café Tortoni, segundo minha madrinha, que nos acompanhou.

Um pouco cambaleante, entra um Cauby histórico no bar, amparado por um segurança e uma mulher da produção. Mãos de pele lisa e limpa capazes de enganar qualquer um que tentasse chutar a idade do seu dono. Solfeja "Sampa", do Caê, sob gritos e aplausos de uma platéia fervorosa, que já demonstrara o estado de senilidade e alegria ao cantar em coro, junto com músicos desses que andam entre as mesas, clássicos como "Volare", "Champagne", "La Barca".

Mamãe e eu, claro, junto com padrinho e madrinha, cantamos juntos algumas dessas pérolas pré-Cauby.

Mas ele chegou, e não deixou espaço pra mais nada - a voz firme berrava clássicos "cantei, cantei, jamais cantei tão lindo assim", esquecia letras "ficou pra impedir que a loucura fizesse de mim um molambo qualquer, ficou dessa vez para sempre se Deus quiser". Arrematou com um My Way e deixou o recado:

"Foi Deus... que deu esta voz a mim!"

Um paletó verde, com as mangas cheias de losangos verdes e brancos, qual golas de antigos Pierrots. Inesquecível. Um ídolo, um artista. Um cantor.

***
Não sei se um post desses comporta estrelinhas, mas vá lá! É uma história do Chico Bento que eu li...

Um dia a Rosinha pega o burrico do Chico para ir até a Vila comprar alguma coisa. Na volta, o burrico machuca a pata numa pedra do caminho, e a Rosinha fica tristíssima. O Chico nem se importa muito, sabe que logo a pata do burrico sara, basta ir uma ou outra vez ao veterinário. Mas ela não se conforma, e continua tristonha.

Mas a última página da historinha tinha caído do gibi. Alguém aí tem essa edição para eu descobrir como isso termina?

Só sei que mais uma vez o Chico começa a ver tudo meio cinza e sem graça, fica escuro e frio de repente. Chega mesmo a garoar.

***
Costumo dizer que quando a gente bebe faz bobagem. Não sei. Estou começando a achar que tudo o que eu faço quando eu bebo são as coisas que eu faria sem beber, mas não tenho coragem - ou tenho um pingo de bom-senso. Atenção: em breve beberei de novo, e ninguém sabe o que pode acontecer.

***
A minha fome passou. Quer dizer, aquela fome compulsiva de sábado, domingo e segunda, aquela passou. Graças aos céus, achei que ia engordar até morrer! Hoje já até peguei os preços das mensalidades das academias aqui perto do trabalho - espero que só de passar na porta, por osmose, eu já tenha absorvido um pouco de condicionamento físico.

***
Qualquer dia eu posto bêbado. Aí eu quero ver!

postado por: guilherme Terça-feira, Setembro 06, 2005
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Segunda-feira

O álcool, sempre o álcool.

Ontem fui a um baile de tango, como venho fazendo aos domingos, sempre que posso. Aí, pela primeira vez, entrei num clube do Whisky. Comprei com mais dois colegas de bailado (que por acaso já foram colegas de trabalho do meu pai - meu deus como envelheci) uma garrafa de Red Lable. Está lá, com nossos nomes, registrada, guardada para o domingo que vem.

Depois de tomar umas três doses caprichadas, dançar com uma senhora que dança muito bem - e que, suspeitam alguns, trocou olhares pouco mais que amigáveis comigo - e com as colegas habituais, sentei-me para assistir ao show de Lesbian Tango.

Duas mulheres, uma a dona do estabelecimento, a outra a recém premiada melhor dançarina de tango de um concurso famoso, fizeram uma performance sensual, com direito a cadeira e corpos lânguidos descendo até o chão, pernas esticadas, olhares e sorrisos de dominação e desejo.

Aplausos e o mico: começaram a insistir para que eu e o ex-colega de trabalho do meu pai fôssemos para a pista fazer uma performance masculina. Ele negou veementemente, e eu também. Mas aí o outro colega de baile, mais cara-de-pau, se levantou e ME puxou da cadeira para dançar com ele. Aplausos e gritos eufóricos.

No começo, um pouco de trapalhadas. Nenhum de nós sabe ser conduzido (mal aprendemos a conduzir). Depois, separados na pista, a uns dois ou três metros de distância um do outro, comecei a gostar da brincadeira. Pernas supostamente lânguidas delizando pelo piso amadeirado, olhares comprometedores.

O mico, ainda que divertido, deveria ter ficado na memória etílica dos presentes àquele baile. Mas o ex-colega do meu pai, com seu celular câmera, filmou a performance. Ó, céus! Isso ainda vai dar o que falar.

***
Continuo minha escalada - hoje comi o dia inteiro, acho que vou engordar uns 50 quilos até domingo que vem. Já estou cotando um andador para conseguir sustentar a imensa barriga que começa a se projetar.

postado por: guilherme Segunda-feira, Setembro 05, 2005
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Domingo

O post que deveria estar aqui não está.

***
Daqui a pouco vou dançar tango, embora esteja me sentindo gordo e inútil. Ontem eu tenho a certeza de que comi demais, tanto durante a tarde (feijoada com samba e pastèizinhos mistos com mandioca frita), num bar cujo nome é representado freqüentemente por uma única letra, quanto durante a noite (sanduíche de metro, quibe de forno, bolo de sorvete) na festa de aniversário da minha mãe.

Queria ter trazido o livro que estou lendo comigo. Se ele estivesse aqui, eu certamente não estaria escrevendo.

Aliás, eu não deveria estar dizendo nada, já que o post que deveria estar aqui não está.

***
Mas eu não resisto.

Na sexta-feira fui à festa da colega da trabalho na casa dela, em Cotia. Bebi e bebi e, como estava de carona, quase saí da festa antes da festa acabar. Mas, como sempre, dei um jeito - arranjei outra carona, outra cama para dormir - sou cara de pau para sempre - e fui embora, embalei no copo. Sempre embalo no copo.

Pelo menos eu comi pouco. Porque agora, depois de ontem, eu estou me sentindo bem bem gordo.

***
Desde que 2005 começou eu quero que ele acabe. Já foi por vários motivos, mas o desejo é sempre o mesmo, repetido qual mantra: acaba, acaba, acaba.

postado por: guilherme Domingo, Setembro 04, 2005
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Sexta-feira

Eu quero mais é me abrir e que essa vida entre assim como se fosse o sol desvirginando a madrugada; quero sentir a a dor dessa manhã nascendo, rompendo, rasgando
tomando meu corpo e então eu chorando, sofrendo, gostando, adorando, gritando. Feito louco, alucinado e criança sentindo o meu amor se derramando:

não dá mais pra segurar, explode coração.

Sempre dá pra segurar.

postado por: guilherme Sexta-feira, Setembro 02, 2005
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Tabacaria
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