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Segunda-feira
Que imagem lhes vem à cabeça quando pensam em um baile de tango? E se for um baile da Confraria do Tango de São Paulo, hein?
À minha vinha um lugar sofisticado, bem decorado, escurecido. Poucas pessoas dançando, uma música ao vivo bem tocada, silêncio cortado só pelo som acústico do bandoneon sofrido.
Penteados com gel, cabelos bem presos à cabeça, ternos bem cortados e bons vinhos.
Nada disso. Um salseiro: dezenas de casais, cada um vestido à sua maneira, rodando num imenso salão neoclássico pintado com tons de rosa. Nas mesas, salgadinhos (amendoim japonês colorido) e garçons incapazes de diferenciar Merlot de Cabernet Sauvignon. E, pior, garçons com bonés vermelhos.
Mas a vida do tango em São Paulo é assim mesmo, fazer o quê? É meter as caras e brincar um pouco, que essa vida é curta.
***
Sim. A angústia do meu rosto anuncia a angústia do meu coração.
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Estou com saudades de algumas pessoas, mas infelizmente não vou conseguir vê-las durante essa semana, tão atribulada e cheia de trabalhos e reuniões. Oh, desdita!
***
Zelotipia: fixação por uma idéia, obsessão torturante que ocupa a mente em todos os momentos de sobriedade. Daí a bebedeira dos últimos 10 dias!
postado por: guilherme Segunda-feira, Junho 27, 2005
Palpites pelo mundo:
Quinta-feira
Imaginem a cena e digam onde ela se passa:
Calmamente, a sra. H coloca em cinco canecas de louça, uma diferente da outra em tamanho, formato e estampa, um pouco de cacau em pó. Acrescenta o açúcar e coloca num vasilhame de porcelana um tanto de leite. No microondas o leite é aquecido e distribuído em pequenas quantidades nas cinco canecas, onde o cacau é dissolvido.
Pouco antes, um chimarrão rodava de boca em boca.
Dissolvido o cacau, aquece-se mais leite no mesmo microondas e coloca-se num dispositivo manual que, mediante repetidos movimentos de vai-vém produz espuma. O leite cremoso é então distribuído pelas canecas e cada um pega seu chocolate-quente. Para acompanhar, uma fatia generosa de um gostoso bolo de limão.
Sobre o microondas, uma tigela com macarronada, aguardando a hora de ser devorada.
Sim, queridos, é o ambiente de trabalho.
postado por: guilherme Quinta-feira, Junho 23, 2005
Palpites pelo mundo:
Quarta-feira
Aí ele acordou e o mundo decidiu: é hoje.
Superou bem os primeiros empecilhos do dia - o trânsito, a falta de vagas.
Almoçou até que direitinho.
Mas aí foi trabalhar. Ah, ele precisava de uns drinks naquela hora: seu computador pifou. De novo. Dessa vez de uma maneira nunca vista.
Pulou para o PC do lado, mas tinha um fio de esperança. Desligou o seu queridinho, ligou de novo. Funcionou! Mas todos os e-mails arquivados foram apagados.
Ah, que duro golpe. Mais um. Esse bem letal. Pensou em quantos arquivos, quantas mensagens guardadas em pastas classificadas de acordo com o remetente; remetentes com mais de mil mensagens, outros com 4 que valiam um livro inteiro. Tudo apagado por uma máquina.
Não, não, misturar máquinas e sentimentos não dá certo.
***
pausa rápida: misturar sentimentos com seres humanos também não dá certo. O problema são as variáveis.
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Desesperou-se um pouco, quase chorou, rosto vermelho.
Resolveu ir embora mais cedo do trabalho, mas era o seu rodízio - oh, que azar. Azar nada, era tudo premeditado - tinha de ser hoje.
Não importava - iria a pé até a casa de uma amiga. Mas, oh, no telefone da casa dela ninguém atende. O celular, desligado.
É hoje, é hoje.
Mas, muita calma - o dia não acabou. São só 18h40! Quanta merda mais pode acontecer para foder completamente a vida de B?
postado por: guilherme Quarta-feira, Junho 22, 2005
Palpites pelo mundo:
Terça-feira
Vamos lá: a palavra de ordem hoje em dia em matéria de comunicação é a interatividade. Os comentários são um ótimo instrumento oferecido pelos blogs para exercê-la, e eu pretendo fazer uso deles hoje.
Lanço a pergunta: se A tem um plano muito legal, mas esse plano bate com um plano idealizado por B que continha A, B pode torcer para que o plano de A não dê certo?
Pergunta dois: deu para entender?
postado por: guilherme Terça-feira, Junho 21, 2005
Palpites pelo mundo:
Sábado
Não é bom colar textos de outros no blog, mas vá lá: esse saiu na Revista O Globo no domingo passado, mas só ontem (quando a minha diarréia voltou e eu fiz uso do banheiro do local de trabalho) eu fui ler.
MAIOR E MELHOR QUE AMOR
Martha Medeiros
ÀS VEZES ME PERGUNTO POR QUE O amor, que dizem ser a coisa mais forte e importante que há, faz tanta gente sofrer. Entendo que algumas pessoas amam com impaciência, amam com possessão, amam com insegurança, amam com violência, amam com preguiça, amam das formas mais desajeitadas, e nada disso é coisa fácil de lidar. Mas o amor é assim mesmo, vem acompanhado de várias outras sensações, todas elas fora do nosso controle. O amor é lindo, mas também pode ser tenso, fóbico, difícil. Billie Holliday cantava: "Não me ameace com amor, baby/vamos só caminhando na chuva".
Chego à conclusão, então, de que se o amor é nobre e, ao mesmo tempo, ameaçador, deve existir algo muito melhor que amor. Muito maior que ele. Um sentimento que vários de nós talvez já tenhamos experimentado, só que, como esse sentimento nunca foi batizado, não o reconhecemos com facilidade. É difícil classificar as coisas sem nome.
Maior que o amor, melhor que o amor: um sentimento que ultrapasse todos os padrões convencionais de relacionamento. Que prescinda de fogos de artifício por ter chegado e também dispense velório por ter partido, que se instale sem radares em volta, que não nos deixe apreensivos para entendê-lo e nem para traduzir os seus sinais. Um sentimento que não se atenha à longevidade nem a uma intensidade medida pelo número de declarações verbais. Que seja algo que supere conceitos como matrimônio, família, adequação social. Que seja individualizado, amplo e sem contra-indicações.
O amor - como o conhecemos - é apenas um aprendizado, um estágio antes de a gente alcançar isso que é maior e melhor: um sentimento que independe da presença constante do outro, que confere leveza à vida, que nos deixa absolutamente plenos e livres. Plenos o amor nos torna; mas livres? Não. O amor termina e isso nos atormenta. Quando é maior e melhor que amor, não termina, mesmo quando a relação se desfaz.
É um sentimento que, quanto mais forte, mais calmo. Quanto maior, mais discreto. A gente não o pensa, não o discute, não o compara, não o idealiza. Ele simplesmente encontra asilo dentro de nós e cresce sem a aflição daquelas regrinhas impostas ao amor: "tem que cultivar, tem que reinventar, tem que...". Tem que nada. Tem que apenas curtir. É até bom que ele não tenha nome, símbolo, cor e teorias. Melhor assim, sem estampar capas de revista, sem que ninguém o use como argumento para cometer insanidades, sem virar mote para propaganda, sem fazer sofrer nas novelas e nem na vida.
Simplesmente enorme assim, sem ameaçar. Transcendente como um convite para caminhar na chuva.
postado por: guilherme Sábado, Junho 18, 2005
Palpites pelo mundo:
Sexta-feira
Cansei.
***
Ontem a discussão na mesa de bar era leve: primeiro, a importância e a validade de um intercâmbio de graduação no exterior. Depois, sexo. Aí uma análise crítica do amor: é instinto, é cultural, é o quê? Para terminar, uma tentativa de diferenciar amor de paixão.
Bebi um pouquinho a mais, por pouco não chorei no bar, por pouco não chorei no carro, por pouco não chorei na cama.
Não agüento mais.
***
Cansei.
postado por: guilherme Sexta-feira, Junho 17, 2005
Palpites pelo mundo:
Quarta-feira
Dando prosseguimento à onda consumista (comprei quatro calças e uma japona na semana retrasada), ontem resolvi comprar um sapato. Flanei um pouquinho pelo shopping Vila-Lobos e, em 20 minutos (tolerância do estacionamento), consegui encontrar um belo par, chique e, nas palavras da minha mãe, metrossexual, por um preço acessível.
Sim, Vinícius, é um sapato meio bicha.
***
E hoje o dia sorriu para mim - pelo menos começou sorrindo, depois fechou um pouco a cara.
Depois do banho matinal, encontrei sobre a mesa um envelope do Departamento de Trânsito do Município. Preguejei imaginando ser uma nova multa, mas logo vi que era uma resposta ao meu recurso.
Recurso? Sim, o recurso da multa de 30 de setembro do ano passado. O recurso que eu entreguei no dia 4 de janeiro desse ano - e já teve uma resposta. Adivinhem: GANHEI!
Feliz, resolvi, mais uma vez, flanar. Depois da aula, apanhei um ônibus e fui até o edifício Andraus - aquele que pegou fogo e matou uma porrada de gente - retirar o valor da multa que eu paguei, a saber 153 reais. Uma bolada com a qual não contava mais.
Já sonhava com os drinks que viriam, os sapatos, os carros de luxo, as viagens, os veleiros, as mulheres, a sofisticação... mas esqueci de ler as letras miúdas: retirar o valor da multa 45 dias APÓS o recebimento do aviso.
Pobre, sem tempo ou dinheiro para flanar (palavra da semana), almocei no bandejão do Largo de São Francisco e, de ônibus, voltei ao trabalho.
"A felicidade do pobre parece
a grande ilusão do carnaval...
...pra tudo se acabar na quarta-feira".
postado por: guilherme Quarta-feira, Junho 15, 2005
Palpites pelo mundo:
Sábado
O tempo voou e eu não pude escrever mais diretamente da capital federal em chamas. Mas faço-o daqui de São Paulo, durante meu atarefado plantão de sábado.
Drinks!
Sentado no lobby do hotel que sediava o evento do qual participava, resolvi, junto com mais duas amigas, pedir uns drinks. Eu um dry martini, elas um Kyr Royal e uma caipirinha de lima. Enquanto aguardávamos, chega-nos um dos participantes, inglês, trajando apenas umas bermudas verdes amassadíssimas: a sua mala se extraviara e estava em algum lugar entre Miami, Rio e São Paulo. Tênis e meias pretas, pernas brancas, cuecão verde e camisa branca. Essa era a figura. Chega o garçom carregando nossos drinks numa bandeja e ele solta a frase:
"Oh, drinks! You're so sophisticated". O acento britânico dava um peso maior à sofisticação elogiada, mas logo pensei: um elogio desses vindo de um homem de cuecas não pode ser levado muito a sério.
Só para terminar a história, a mala do pobre senhor chegou no dia seguinte de manhã. Estava mesmo em Miami, e iria primeiro a São Paulo, mas o aeroporto daqui ficou fechado por causa do mau tempo and his trousers foram diretamente ao Rio, onde ficaram abandonadas por um tempo até seguirem para Brasília.
Olodum!
Nesse mesmo dia à noite, fui ao teatro nacional ver um show do Olodum. Primeiro o teatro: grande, enorme. Pé direito altíssimo, todo em verde: teto, paredes, carpete no chão e poltronas de veludo. Opressor, lindo. Entra no palco o Olodum e eu sinto uma pontinha de vergonha: as primeiras músicas são as mais modernas, com um cantor de voz melada, estilo netinho do negritude (e ele não merece maiúsculas). Mas um milagre opera: os gringos, alemães, americanos, ingleses, sul africanos, do Gabão (e alguém me sopre rápido esse adjetivo pátrio) começam a se animar. Ficam de pé no teatro, os operadores da luz acendem a platéia, o povo "tira o pé do chão, joga a mãozinha pra cima e bate na palma da mão, COMIGO!". Cantam, ensaiam passos de carnaval, invariavelmente com os indicadores em riste apontados para o teto do teatro.
Atrás de mim, outro milagre: o ministro Waldir Pires, de quase oitenta anos, sorrindo feliz, bate palmas e mexe os pezinhos no chão, no ritmo da Bahia. Todos os senhores sérios e engravatados que organizaram o evento caem na folia, literalmente, e dançam suados. À frente, a comitiva asiática tentando bater palmas no ritmo certo - ele parecia cantar parabéns, dada a velocidade e a rigidez das palmas; a mais jovem batia exatamente na metade da freqüência deste senhor e uma terceira, em pé, balançando a cabeça, batia palmas sem ordem nenhuma.
Depois, é claro, como ninguém é de ferro, Drinks!
PS: Aquela caixa com o banner foi para o lixo, o banner está desmontado no porta-malas do meu carro e eu tenho por incumbência levá-lo à garagem do meu chefe, onde acumulará poeira.
postado por: guilherme Sábado, Junho 11, 2005
Palpites pelo mundo:
Terça-feira
Curtas de Brasília:
1. A caixa: nosso belo avião saiu de São Paulo às 7h da manhã de hoje, quarta. Ou seja, cheguei lá antes das 6h da manhã e com uma missão um pouco delicada: fazer o check in de uma caixa com um banner. Uma caixa de madeira, com quatro metros e meio de comprimento, atravessando entre pernas e carrinhos o saguão do aeroporto de Congonhas. A mesma caixa entalando na esteira que leva a bagagem para dentro. A mesma caixa podia ser avistada de longe, sobre os carrinhos que levam as malas até o avião. Depois, causou rebuliço para entrar de novo no aeroporto, pela nova esteira de distribuição. Apoiada em dois carrinhos, cruzou o aeroporto de Brasília, entre senadores e deputados e depois veio numa van até o hotel.
2. A recepção: depois do hotel, almoço em restaurante japonês. Aí um soninho, para tentar me recuperar da gripe/dispepsia/cefaléia/tuberculose. (Passei o dia sem fumar). No começo da noite, o Lula discursando e dizendo que ninguém compra o congresso, que o PT vai cortar na própria carne e tudo o mais que poderia ser dito na abertura de um Fórum Internacional de Combate à Corrupção.
3. O coquetel: depois do Lula, um coquetelzinho com sopas, doces, vinhos, drinks, macarronadas, petit four, coxinhas e bolinhas de queijo. E eu com o estômago horrível, mal consegui aproveitar. Mas então veio a remissão: Teresa Cristina subiu num palquinho com um grupo de choro e cantou para meia dúzia de pessoas, olhando nos olhos, uma delícia.
E foi então que aconteceu: Ela desce do palco e eu, com minha amiga anti-corrupção, saio correndo atrás dela, pulando os gramados do hotel Blue Tree Alvorada (projeto do Ruy Ohtake) e gritando "Teresa, Teresa!". Ela foi super gentil e nos convidou a ir vê-la no Rio de Janeiro.
Aguardem: em breve, mais novidades da Capital Federal, que está em chamas...
postado por: guilherme Terça-feira, Junho 07, 2005
Palpites pelo mundo:
Quinta-feira
Tchac, tchac, tchac, tchac - esse é o som da foice cortando o mato que cresceu por aqui.
***
Da diarréia - e quem tiver estômago sensível, melhor pular para as próximas estrelinhas.
No sábado, fui a Paranapiacaba, caminhar pela mata Atlântica. Depois, aquela fome. No cardápio, uma saladinha. Como eu gosto muito de cebola, não resisti e peguei aqueles anéis de cebola roxa - mas um deles estava pintado, numa das pontas, com uma gotinha de maionese.
A maionese não estava gostosa.
No domingo à tarde, começou uma dor de cabeça insuportável, um mal estar geral. Deitei na cama e veio a febre. "Deve ser gripe". Falta de apetite.
Na segunda de manhã, o meu bom dia foi uma diarréia terrível. Daquelas que soam como xixi de vaca, um fluxo intenso de água suja e malcheirosa.
Na terça, o problema se repetiu.
E na quarta. Porém, na mesma quarta, senti algo que não sentia fazia dias - a formação de um cocô, com direito a gases e tudo. É tão gostoso sentir seu intestino funcionar de novo... Julguei-me curado e, morto de fome (meus almoços tinham sido uma maça crua na segunda, duas maçãs cozidas na terça e mais duas maçãs cozidas na quarta) passei numa padaria e comprei pães de queijo. Comi todos.
Aí veio a quinta-feira. Acordei cansadíssimo, relutante e, mal abri os olhos, ouvi aqueles sons intestinos. Glurrrrp. Vaso sanitário e... ÁGUA! Mais uma vez ela, a diarréia, voltava com força total. Mas, cabeça erguida, entrei no banho, me lavei, me sequei, arrumei, penteei e ia saindo para a faculdade. Mas, mania de velho, resolvi pegar uma blusa, que estava numa sacola no chão. Ah, meus queridos, não deu outra: mal me agachei e... água.
Há quantos anos você não caga na calça? Claro que ri da situação, porque, inexplicavelmente, a diarréia me trouxe uma disposição e um bom-humor nunca d'antes vistos!
Ainda não fui ao banheiro depois disso hoje, mas não tenho muitas esperanças. Hoje almocei comida e sinto que amanhã, quando eu acordar...
***
Ontem eu estava em casa quando o cacto começou a puxar papo comigo. Estava todo chateado, porque tinha comprado um celular, distribuído os telefones entre todas as outras plantas (violetas, suculentas, rosas, cravos, azaléias, prímulas, gérberas, jibóias, comigo-ninguém-podes) mas ninguém ligava para ele.
E eu pensei: pudera, é um cacto espinhento.
Mas hoje eu falei com uma margarida e ela, que veio de outra cidade e tem um celular com DDD diferente, reclamou da mesma coisa... A crise é generalizada.
***
Não é segredo que meu trabalho está ligado diretamente à corrupção. E, quanto maior o número de matérias em jornais sobre corrupção, maior o meu trabalho. Daí a desatualização do negócio...
postado por: guilherme Quinta-feira, Junho 02, 2005
Palpites pelo mundo:
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