Sexta-feira

Preciso me acostumar a dormir cedo de novo. E a acordar cedo também.

Quarta fiz a aula de tango, delícia semanal servida à noite, e depois resolvi acompanhar o professor e mais dois colegas de turma até o Bexiga, num baile. Uma maravilha: fiquei babando, cigarro na mão, vendo os casais rodopiando no bolero, requebrando no samba, escandalizando na salsa e seduzindo no tango. Quase chorei.

Dormi às 3h da manhã.

Quinta fui cumprir a promessa (que não é sacrifício nenhum) e jantei com a tia Milu, tia do nosso querido colega e tia de muitos outros por extensão. Como é gostoso conversar com gente vivida e inteligente. Vívida e inteligente, melhor dizendo. Tomamos um belo Malbec (minha escolha) e comemos conchas recheadas com quatro queijos (obra dela). Cantamos Isaurinha, Chico, falamos de Luís Carlos Paraná, de Buenos Aires e de Maysa. A noite foi longa.

Domi já passava um bocado das duas da manhã.

Manhã? Não, não me lembro mais como era. Faculdade? Qual era o caminho mesmo?

postado por: guilherme Sexta-feira, Abril 29, 2005
Palpites pelo mundo:



Quarta-feira

Retificando o post pós final-de-semana:

... enquanto descia do convés - se é que se podia chamar convés aquela diminuta popa da traineira - na tentativa de desenroscar a corda que prendia o motor de seu barquinho. O cabo pendia de um iate e segurava um Jet Ski que, sozinho, devia valer umas duas traineiras. Enquanto Lázaro, velejador por esporte, me explicava que o erro na situação era do iate, que ancorara perto demais do nosso barco, Fernando esticava as pernas para pular a pequena mureta que separava o dentro do fora e equilibrar-se com a ponta dos pés numa sobressalência qualquer do casco, tomado de cracas e lodo ("mais de dois meses sem tirar o barco dessa água quente dá nisso", explicou-me depois). Na perna esquerda, um curativo na canela, logo abaixo do joelho - cortara-se na lâmina da hélice no dia anterior. O curativo era um punhado de algodão preso à pele por fita crepe ou esparadrapo vagabundo; para evitar que a umidade, o suor ou as gotículas de água fizessem soltar a cola, Fernando amarrara um trapo de pano com um nó cego naquela perna. O branco do curativo reluzia perdido naquela pele morena, amarelada, retinta, laranja de tanto sol. Era sem dúvida a parte mais branca do corpo - unhas manchadas das mãos e dos pés se aproximavam mais do marrom; olhos azuis ou verdes, grandes, com o globo vermelho de irritação pelo sal e sol da lida. Orgulhava-se dos 66 anos em plena forma, mas parecia um espeto, um graveto. Doentiamente magro, podia-se ver nele o funcionamento do joelho e das outras articulações por baixo da pele, fina demais e enrugada. Não era um enrugado saudável de maracujás esquecidos - era mais semelhante a uvas passas, ameixas secas, damascos ampliados 20 vezes sob lupas poderosas. Não parecia animal, mas vegetal a sua forma. Cutucava a hélice por baixo d'água dependurado no casco, a perna boa submersa sob o olhar atento dos dois marinheiros que compunham a tripulação do iate, habitado por uma festinha com caipirinha, chapéus e echarpes. As mãos grandes, de dedos curiosamente precisos, apoiavam o pequeno peso do homem enquanto arregalava olhos e boca no esforço. O rosto de Fernando era igualmente enrugado, mas parecia mais magro que o resto do corpo - cadavérico. Os malares sobressaíam e tentavam debalde esticar a pele queimada; logo abaixo, onde deveriam estar as bochechas, duas depressões graves. A boca, seca, fina, escondia os dentes - faltavam os incisivos laterais e o espaço entre os centrais aumentara com a falta dos vizinhos. Fernando usava seus caninos amarelados para prender o Hilton longo - impossível usar os lábios, sempre esticados, como se sentisse dor permanente, ou calafrios constantes. Careca, usava boné para proteger a calva e preservar, quem sabe, os últimos fios de cabelo fino e seco, meio loiro, meio queimado. Uma vez liberada a corda, Fernando voltou ralhando para dentro da traineira, acionou o motor e, numa manobra impressionante, conseguiu tirar o barquinho daquele emaranhado de cabos, âncoras, escunas, iates e veleiros. Íamos à Lagoa Azul...

postado por: guilherme Quarta-feira, Abril 27, 2005
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Segunda-feira

Foi como se um OVNI me tivesse seqüestrado.

Por três dias o trânsito não me irritou e eu esqueci de tudo o que tenho atrasado. Três dias entre sol, areia, mar, céu azul, nuvens, chuva, temporal, traineira linda navegando em marcha lenta, marinheiro com cara de marinheiro, caipirinha, cerveja, braçadas na água gelada, na água quente.

Sem as companhias que eu tinha, com certeza nem o céu seria tão azul, nem a marcha lenta da traineira, tão agradável.

E agora, de volta, a melhor atitude de todas: esquecer o que está atrasado, dormir até as 11h e pronto. Dane-se o resto.

É, meu bem, o botãozinho só funciona quando estou acordado... sempre vem um sonho me mostrar o que faz falta, o que faz a segunda cinza mais cinza ainda.

Será azul.

postado por: guilherme Segunda-feira, Abril 25, 2005
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Quarta-feira

Não dá, não sai.

Um dia eu escrevo de verdade.

Queria conseguir chorar um pouquinho, só de leve.

postado por: guilherme Quarta-feira, Abril 20, 2005
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Segunda-feira

Ai, se me deixassem em paz!!!

Soneto, de 1972. Chico Buarque:

Por que me descobriste no abandono
Com que tortura me arrancaste um beijo
Por que me incendiaste de desejo
Quando eu estava bem, morta de sono

Com que mentira abriste meu segredo
De que romance antigo me roubaste
Com que raio de luz me iluminaste
Quando eu estava bem, morta de medo

Por que não me deixaste adormecida
E me indicaste o mar com que navio
E me deixaste só, com que saída

Por que desceste ao meu porão sombrio
Com que direito me ensinaste a vida
Quando eu estava bem, morta de frio

postado por: guilherme Segunda-feira, Abril 18, 2005
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Distúrbio bipolar.

Ontem à tarde fiz esse post aí de baixo. Alegria incontida.

À noite já, o incômodo: meu celular não tocava. Achei que estivesse com defeito, peguei o telefone de casa e disquei para mim mesmo, na esperança de ele não funcionar e eu descobrir a razão do silêncio.

Não era defeito: o telefone tocou lindamente.

Hoje cedo, tensão; depois, tristeza. Como comentaram aí embaixo, dá saudade de quando os amigos ficavam ao alcance do braço.

Pior é quando eles saem do alcance da visão, do alcance do telefone, do alcance.

PS: Prova de que eu sou mesmo uma poliana de meia-tigela.

postado por: guilherme Segunda-feira, Abril 18, 2005
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Domingo

Cantou Chico Buarque: "Vida, minha vida, olha o que é que eu fiz:"

E completo eu: me diverti horrores!

O final de semana teve uma princesa que tomou chopp na sexta, uma fräulein que tomou coca no sábado, uma Gioconda que tomou cerveja no sábado à tarde também, depois de uma apresentação linda de coral no Ibirapuera e uma portuguesa que cantou Chico Buarque - horrivelmente - na companhia de uma recém-chegada.

Estudar que é bom, ler que é bom, nada. Ainda bem.

Ainda teve, para arrematar, um e-mail maravilhoso vindo diretamente da Itália, daqueles que fazem valer a pena ter endereço eletrônico.

E a conclusão é uma só: como é bom ter amigos.

postado por: guilherme Domingo, Abril 17, 2005
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Quinta-feira

Num e-mail que recebi hoje, fui chamado de "Poliana de meia tigela".

Fiquei em dúvida - sou ou não sou?

postado por: guilherme Quinta-feira, Abril 14, 2005
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Quarta-feira

Estava aqui trabalhando hoje e olhando o calendário. Já estamos no dia 13 de abril! Mais uma semana, e teremos feriado.

Pouco menos de um mês, e teremos meu aniversário (numa segundona ressaca de dia das mães).

Eu sempre senti que a primeira metade do ano passava assim meio despercebida, corrida, sem muita coisa marcante. Mas este ano tá demais! Parece que ontem mesmo eu estava no Uruguay, que há poucas horas eu fui ao Fórum Social Mundial.

Cuidado: daqui a pouco, sem perceber, estaremos mais que formados: estaremos conformados.

postado por: guilherme Quarta-feira, Abril 13, 2005
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Terça-feira

Já disse Jorge Ben:

"Ela já não gosta mais de mim
mas eu gosto dela mesmo assim...

...que pena, que pena..."

E depois, emedou o Fagner, junto com o Abel Silva:

"não guardo segredos mas sou bem secreto
sou bem secreto
é que eu mesmo não acho a chave de mim"

Bom dia??? Prove!!!

postado por: guilherme Terça-feira, Abril 12, 2005
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Segunda-feira

Como eu queria fazer um post sobre detalhes da minha vida, sobre meus sentimentos. Mas nada disso tem importância: eu continuo na batalha pela Palio Weekend.

Na sexta-feira, conforme prometido, pegaram o carro, levaram lá. Fui buscar no começo da noite, dei uma olhada e estava tudo bem.

Porém (e aí começam os reveses), ao sair da concessionária, me deparei com uma Turiassu alagada, com carros boiando. Coloquei a Palio em cima da calçada, com medo do que poderia acontecer e fiquei esperando a água baixar. Baixou. Mas aí o problema foi outro: o carro não pegava! Abri o capô para fazer uma chupeta de bateria, e a Priscila (tchan) tinha trocado a minha Heliar linda, com um cachorrinho desenhado, por uma tranqueira velha da Fiat.

Sim, meus caros, a concessionária me roubou uma bateria nova!

Tentamos, eu e meu pai, resolver a questão no sábado, mas não adiantou. Além da bateria, o conserto do suporte do estepe está mal feito e fizeram, sem que eu pedisse, o rodízio dos pneus.

***
Como se não bastasse o carro....

***
Ontem teve reencontro da turma do colégio. Uma turma com quem eu pouco estudei, mas que me é muito especial. É triste ver que a cada reencontro algumas pessoas têm menos e menos coisas em comum para entabular uma conversa, mas é gostoso ver como outras tantas seguem juntas, ou, melhor, têm facilidade em se re-unir.

E, no meio das brincadeiras, eu fui o primeiro de muitos a cair na piscina - com o celular no bolso.

Parecia um acquaplay, com o visor cheio de água e piscando, em curto. Levei hoje na assistência, vamos ver o veredicto. Por enquanto, com o carro capenga e incomunicável - além de ninguém me achar, a minha agenda de telefones está toda lá. Sei meia dúzia de números assim, de cabeça.

Mas há momentos de sorte: depois de cair na água, eu joguei uma amiga também. E ela estava com o celular! A regra é simples: quem jogou na água paga o conserto. O meu custa, novo, 150 reais em 10 vezes. E duas pessoas vão pagar.

O dela, que custa 400 reais, voltou a funcionar hoje, depois de bem sequinho.

Sorte, sorte, sorte!

postado por: guilherme Segunda-feira, Abril 11, 2005
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Quarta-feira

Recebi muitos e-mails. Cartas mil - não tenho mais espaço no meu quarto. As pessoas me páram na rua e pedem, pelo amor de Deus:

Não ponha um ponto final nas aventuras do carro femme fatale; não pare com a "Apinajés, Amazonas e PW - Uma odisséia".

Por mais que eu diga, não há quem convença os fãs da primeira blognovela do mundo de que os fatos são reais, e de que o desenrolar do enredo não depende de mim.

Mas parece que os astros também estão gostando da trama: confabularam, mudaram suas rotas, orientaram suas energias e decidiram: a novela não acaba hoje (ontem). E não acabou.

Aos fatos:
Fui pegar o carro, todo saltitante. Seguindo recomendações do meu pai, fiz um check-list de todos os ítens que deveriam ter sido arreglados e... bingo! Eles esqueceram de um detalhe.

Depois de todo o escarcéu por causa do "braço oscilante traseiro esquerdo, que é o pontal do eixo", os incapazes ainda esqueceram de consertar o suporte do estepe (que, como é sabido, nas PW fica debaixo do carro). Estava lá, do mesmíssimo jeito.

Mas, amaciada com tanta martelada, Priscila (a Nazaré Tedesco desta blognovela), tomou jeito: disse que a própria oficina pagaria esse conserto, que eu poderia sair com o carro, que ela ligaria assim que a peça chegasse, que eu não precisaria me incomodar, que ela faria o serviço de leva-e-traz e outras mil coisas.

Não acreditei, mas hoje ela me ligou: chegou a tal peça. Na sexta eles pegam meu carro de manhã cedinho, na USP, e, à tarde, me devolvem aqui no trabalho.

Calma, pequenos fãs: muitas águas ainda podem rolar. Imaginem que, para apimentar a trama, sumiu da PW um porta-CDs cafona, com os meus queridos CDs gravados - coletâneas horrorosas, mas que marcaram viagens pelo mundo.

Como nenhum capítulo termina de maneira morna, imaginem a situação: ontem eu estou chegando em casa e sinto o carro puxar para a direita. Comento com a carona (que também comemorou a volta do carro mulher fatal) e não dá nem tempo dela responder - o barulho da borracha no chão é tachativo: pneu furado.

O estepe estava onde? Na minha garagem. Ele anda no carro há anos, e raramente é requisitado. Ontem, que não estava, foi. Papai levou para mim e, rindo muito, me assistiu sujar as mãozinhas.

Tudo bem, podem rir. Mas saibam que a cristalização da pintura deixou a PW mais fatal do que nunca. Um luxo.

postado por: guilherme Quarta-feira, Abril 06, 2005
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Terça-feira

É hoje.

Estou saindo do trabalho para ir buscar o carro.

Corrente de pensamento positivo!

postado por: guilherme Terça-feira, Abril 05, 2005
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Segunda-feira

Quando a esmola é muita...

Laranja madura na beira da estrada...

Sim, meus caros, era hoje. Segunda era o dia para o carro estar pronto. O deadline da novela. Porém, o revés mais uma vez sorriu para mim: além do senhor Paulo não ter me ligado ainda, conforme prometeu, ele disse na própria sexta-feira: não posso mais garantir na segunda-feira, mas na terça é certeza que este carro está na sua mão.

Bah! E daqui a pouco ele vai me ligar e dizer que o carro vai estar comigo no mais tardar na quarta. E depois, na quinta.

E assim vamos indo, de dia a dia...

***

E hoje me deu vontade de viajar de novo. Mais do que de viajar, de parar a Palio Weekend (o carro mulher-fatal) num posto de gasolina em alguma estrada plana e deserta, fria, pedir para encher o tanque, descer esfregando as mãos... O sol fraquinho... quiçá uma garoa...

É só saudade da weekendosa mesmo. Logo passa.

postado por: guilherme Segunda-feira, Abril 04, 2005
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