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Quarta-feira
"O senhor vai ser autuado"
Com essa frase fui brindado na tarde de hoje, dentro da USP, por um policial militar. OK, eu admito que comecei a andar um pouquinho antes do sinal (único sinal da universidade) abrir, mas era de pedestres e o homenzinho vermelho já estava aceso.
O pior não é isso. Quando a viatura ligou a sirene e me fez parar, eu logo tirei o cinto de segurança para descer do carro. O PM, mais que depressa, gritou: "Avançou sinal vermelho sobre faixa de pedestres e está sem cinto". Sim, é mais de uma multa.
Me senti mal. O Estado que eu sempre defendi me traiu, com sua força implacável e seu argumento inapelável. Imagino o sentimento daqueles perseguidos por governos não democráticos. Mágoa. Uma das autuações foi injusta, e eu não pude me defender.
Devia ter vendido o carro ontem! Economizaria uns 500 reais com as multas. Daqui a pouco vou estourar o limite dos pontos permitidos e vão cassar a minha habilitação; o problema maior vai ser assistir de novo às aulas de CFC.
Por que comigo?
postado por: guilherme Quarta-feira, Setembro 29, 2004
Palpites pelo mundo:
Segunda-feira
Alguns dias podiam não existir. Me senti muito jovem ontem me divertindo até a madrugada; acordar hoje foi uma súplica e a aula uma lástima. Fiquei meio mal humorado, comi pouco e tive uma agradável surpresa quando chegava no trabalho: a alavanca do carro quebrou de novo.
Imaginem a cena: eu na Henrique Schaumann, tentando engatar qualquer coisa e ao mesmo tempo procurando uma vaga. Só entrava a quinta. Por sorte consegui um lugarzinho para parar de frente, sem ter que balizar nem nada.
Chamei o guincho depois de descartar a estúpida idéia de ir dirigindo em quinta até Pirituba.
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Preciso perder essa mania de dividir o post com estrelinhas.
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Por que nos últimos dias parece que tudo no mundo passa por maconha e sexo?
postado por: guilherme Segunda-feira, Setembro 27, 2004
Palpites pelo mundo:
Três da manhã e a lição do domingo é muito mais doce:
"You make me feel so young"
So, so, so YOUNG!
postado por: guilherme Segunda-feira, Setembro 27, 2004
Palpites pelo mundo:
Domingo
E o sábado serviu para ratificar a dificuldade de se trabalhar em equipe conciliando amizades, carinhos, princípios e crises pessoais. Nunca gostei de dar opiniões ou falar com as pessoas quando estou envolto em sentimentos um pouco acalorados, mas às vezes me escapa e corrigir a cagada é difícil.
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Já passa da uma hora da manhã e eu estou na internet. Cheguei em casa há pouco e... não tem ninguém! Meus pais foram a um casamento com meu irmão e ainda não voltaram. Chegar antes dos pais é fim de carreira.
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Vi Cama de Gato. Tão ruim que não merece mais que uma linha.
postado por: guilherme Domingo, Setembro 26, 2004
Palpites pelo mundo:
Sábado
Faz mais de uma semana que eu penso muito em física - naquela física mais avançada, que trata da dobra no espaço-tempo. Eu vivi uma dobra no meu espaço-tempo na semana passada, quando saí do russo, peguei a Juliana num McDonalds e levei-a até a Quinta e Breja da ECA. Como descrever a sensação? Amigos novos, amigos velhos, sobreposição de ambientes (colégio-Pirituba/faculdade-São Paulo toda) e de sentimentos. E ainda encontro a Ana Luiza, amiga querida que fez cursinho comigo e também está fazendo ECA. Ah!
Para se ter uma idéia, pegue aquele post sobre o dia 11 de setembro e bata no liqüidificador. Se Freud não explicar, como não explicou, Einstein ajuda: é tudo uma questão de espaço-tempo.
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E hoje eu estou postando de madrugada porque meu irmão dormiu com o PC ligado. Acabei de chegar da "Festa da Firma", um churrasco delicioso com o pessoal do novo emprego. Gente legal aquela, mas me deixando mais confuso ainda acerca do lugar a que pertenço, acerca do tempo a que pertenço, acerca dos amigos que tenho. O meu problema é que penso demais.
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Distribuí 2300 jornais do Campus hoje, nosso primeiro jornal laboratório de peso. Deixei exemplares no centro da cidade, na Faculdade de Direito, e também na medicina. Fui com o colega com quem pouco falo - e, para minha surpresa, temos coisas em comum!
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Com a confusão da distribuição, esqueci de almoçar. Às 6 da tarde tive que sair correndo para a padaria e quase desmaiei no elevador: tremia como vara verde.
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O suuper novo emprego me dá um superávit primário grande o bastante para comprar discos novamente. A última aquisição foi no domingo, um dia muito gostoso que passei metade trabalhando e metade com a Elenice. É da Simone, de 78, e lá está uma música que muito me tem feito pensar sobre a vida:
SANGUE E PUDINS
Não quero saber quem sou
Morro de medo
Nem quero saber aonde vou
É muito cedo
Talvez se eu arrancasse
De minha língua o sinal
Talvez se eu inventasse
O juízo final
Talvez se eu prometesse
Sangue e pudins
Ou se eu costurasse
A roupa dos querubins
Mas o que eu quero saber
É o que apronta
Esse lado do teu rosto
E o que faz o sossego morar
No que está posto
Não guardo segredo
Mas sou bem secreto
É que eu mesmo não acho
A chave de mim.
(Fagner e Abel Silva)
Atenção à primeira e última estrofes: me ensinaram sobre mim.
postado por: guilherme Sábado, Setembro 25, 2004
Palpites pelo mundo:
Escrever no sábado de manhã, do trabalho, é sinal de tristeza: quer dizer que você não saiu com seus amigos na noite de sexta, que você não foi ao aniversário de uma pessoinha especial, que trocou a balada e a diversão pela introspectiva audição de Maysa no quarto à meia-luz.
Foi o meu trade-off. E hoje eu sinto que me arrependo um pouquinho, embora saiba que a probabilidade de ter me divertido ontem, se saísse, seria pequena.
É, Juliana, talvez seja a dor de se saber não-indispensável.
postado por: guilherme Sábado, Setembro 18, 2004
Palpites pelo mundo:
Quinta-feira
Depois do post tão severamente criticado (senti a falta do teu comentário, emmer), vou fazer o árduo trabalho do copy-paste: para baixo desta linha está a cópia do post da minha super querida Juliana que, em poucas linhas, me traçou a biografia. Homenagem assim não é todo dia, e a gente fica lisonjeado mesmo.
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agradecimento especial
Faz tempo, muito tempo. Era um dia frio, chuva, um monte de pré-adolescentes berrando, pulando de banco em banco e sacudindo o ônibus de viagem Nem pareciam se importar com a demora, pelo contrário, a diversão ali era garantida. Um deles, porém, alheio à algazarra. Quieto em seu banco com um walk-man.Do alto dos meus elétricos 13 anos, sento ao seu lado: ¿Olá¿, disparo sem rodeios. Um olhar desconfiado me retribui o cumprimento, sem tirar os fones do ouvido. Ele ouvia Queen e parecia ter muito mais idade que todos nós juntos.
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Começo de agosto, churrasco para se despedir do garoto que sempre vai embora. Chegou com o carro, maço de cigarros nas mãos, ¿quero uma cerveja também¿. O quê?? ELE??? Bebendo e fumando?? Sim. E naquele dia esfriou outra vez. ¿Vamos tomar uma sopa? Num café?¿. Nós fomos. Quase todas nós (e a menina que um dia ficou indignada com essa proposta talvez se lembre dela hoje, em dias tristes de olhar pela janela..... ).
Domingos pelo centro da cidade, filme p&b. Visitas à faculdade. Conversas, conversas, conversas. Querer bem mais que querer bem, mas.... não tinha que ser com a menina de cabelos amarelos. Não daquele jeito.
Super-pálio azul, estrada, carnaval, empolgação. Noite longa, pedra fria, aquecida pela música de um Ventania e vinho Marcon. ¿Mas, cadê as minhas 7 horinhas????¿. 24 horas depois, quem se lembra do regular quadro de descanso noturno??? Os gritos eram só pra ¿Simplesmente, demaaaais¿.
Colo e ombro para tentar consertar o desastre.
E só bem longe dali fui entender que ele, desde sempre, pertenceu ao seleto grupo dos que eram capazes de enxergar em mim mais do que eu mesma.... dali pra frente a história foi outra, e a realidade muito mais parecida com a de hoje.
Hoje? Saldo de histórias ótimas, dias de angústias, gargalhadas, confidencias sobre pensamentos em bobagens curiosas e bobagens sérias..... Amigos. AMIGOS. 6 letras, e quando acho que já sei o suficiente.....
Hoje eu ganhei uma carona. E a gratidão não é apenas pela companhia e boa vontade em ir até a PQP às 06h30 da manhã só pra me levar. É por todas as coisas que ficaram registradas nos meus negativos coloridos, e por aquelas que, invariavelmente, deixei passar.
Para o garoto que ouvia Queen, amor, e a certeza da importância, sem precisar medir o que é ser imprescindível.
Gui, meu querido, sem a menor dúvida: nossas vidas (são e ) serão beeem legais.
(do blog www.retalhosdomosaico.blogspot.com)
postado por: guilherme Quinta-feira, Setembro 16, 2004
Palpites pelo mundo:
Terça-feira
Oito e vinte da noite e eu no trabalho. Sozinho. Ao meu lado, um cinzeiro - depois que os não-fumantes vão embora, nós fazemos a festa. Mas vamos parar de texto pontuado que o que eu sei fazer mesmo é contar histórias.
Hoje quando cheguei, minha chefe comentou com a colega de trabalho: "Nossa, ele se sente em casa mesmo". Eu descalçara os tênis, para refrescar um pouco os pés. Comentário corriqueiro, mas de uma veracidade impressionante: poucos dias aqui e eu estou completamente à vontade - e quem me conhece melhor sabe o que acontece quando eu me sinto à vontade num lugar.
E não é que aconteceu justo hoje, agora há pouco? Depois que todos tinham saído, bateu aquela vontade de ir ao banheiro. Melhor Banheiro, com maiúscula, para indicar bem a finalidade que me levou até lá. Entrei e, como sempre, fiz uma rápida vistoria: não havia papel. Andei pelas dependências daqui para procurar um almoxarifado, um armarinho. Nada. Faço em casa, depois, pensei. Não, o assunto era urgente e tinha que ser resolvido.
Descartada a idiota idéia de ir bater nas salas vizinhas, resolvi a questão. E descobri que as folhas A4 Report gramatura 75 não são de uso exclusivo das impressoas de jato de tinta.
postado por: guilherme Terça-feira, Setembro 14, 2004
Palpites pelo mundo:
Domingo
Ontem foi dia de festa! Nem lembrei que era 11 de setembro (dia eternamente marcado, como eu sempre digo, pelo golpe que, em 1973, tirou Allende do poder no Chile). Acordei na casa da minha vó (dormira lá para fazer companhia - estava com saudades), tomei café, vim para casa, levei o carro no lava-rápido, lavei o quintal, descobri que devo dinheiro para o banco, tomei banho, fui buscar o carro e, junto com a família, fui para a festa 1.
Dois anos da minha priminha. Dezenas de crianças se mexendo pelo chão como se fossem formigas; brinquedos, copinhos de gelatina, brigadeiros que minha mãe fez e que levamos daqui de casa já enrolados - como todo brigadeiro deve ser, enrolado e com granulado - sanduichinhos de carne desfiada e... bolo! Um bolo delícia de morango e chocolate (mas não o cubano). Saímos de lá às 7 da noite.
Festa dois: 21 anos da Karen, amiga que estudou comigo no colegial. Uma delícia reencontrar os amigos de tempos atrás, gente com quem você nunca mais falou, que nunca mais viu, cujas vidas tomaram rumos estranhíssimos para você, incapaz de enxergar a vida de outro ponto de vista que não o seu próprio: uns não fizeram faculdade, outros tornaram-se profissionais em dança, outra anima pacientes em hospitais, um trabalha desenhando para revistas e fazendo design de páginas na internet... e, de repente, todos estamos dançando juntos os hits dos anos 60 e 70. Só uma não dançou: a que foi à festa com o filhinho - que é um fofo, mas veio cedo demais.
Passava um pouco da uma, eu precisava ir ainda ao terceiro tempo do dia: festa de XX anos do emmer, comentador freqüente aqui da minha tribuna e amigo indelével dos tempos do cursinho. Como era de se esperar, cheguei lá na casa noturna onde ele marcou perto das duas horas, e o clima já era de fim de festa - pessoal cansado da pista conversando, bar esvaziando, garçons recolhendo as mesas. Comi o terceiro bolo do dia e conversei com gente que eu nunca tinha visto antes: um judeu que gosta de rock dos anos 70 - em vinil -, um japonês que se chama Arnaldo, mas que também é conhecido como Borges, que adora trens, um tal de Túlio que faz Ciências Sociais na FFLCH e que lembrava de me ver nas manifestações durante os meus quase dois meses de atuação na greve da ÙSP. Surpresas da noite.
Às quatro, vim para casa me sentindo o mais querido dos seres - não indispensável para as pessoas, mas importante. E se eu for tão importante para todos que eu conheci e reencontrei nesse dia 11 como eles são para mim - ah, eu estou feito.
postado por: guilherme Domingo, Setembro 12, 2004
Palpites pelo mundo:
Quinta-feira
Hoje o dia está quente em todos os sentidos!
Além do calor infernal (desenvolvi um ar condicionado de pobre para usar no trânsito - uma garrafa d'água com borrifador), o dia está cheio. Estou agora no meu novo trabalho, só esquentando os motores, e contando os minutos para sair em direção ao russo. Logo mais vou para a casa da Cristiane, beber um vinhozinho e jogar conversa fora.
De manhã, busquei minha vitrolinha na Sta Efigênia, que está funcionando perfeitamente. Tudo corridinho, corridinho, com horas perdidas no trânsito e o primeiro dia de que eu me lembro sem almoçar. Comi uma banana e umas bolachinhas. Deve dar.
postado por: guilherme Quinta-feira, Setembro 09, 2004
Palpites pelo mundo:
Quarta-feira
Esse final de semana foi bem atribulado - no sábado, despedida no aeroporto: e lá se foi Natália, amiga e companheira das mais importantes; à noite, foi a vez de sepultar os 43 anos da minha mãe e comemorar a chegada dos 44. No domingo, ah, bem, cedinho saímos eu, a Lia o Bruno e o Silas para ir ao encalço da Mariana em Ilhabela, na casa da Natália que não nos deixou.
É tão gostoso pisar na areia, olhar para o mar azul, ver o céu azul, sentir o sol na pele, o vento gelado, nadar na água salgada - digo logo que havia sim borrachudos, e uma porção deles, só para não ser retaliado nos comentários depois pela minha parcialidade e memória curta.
Baterias recarregadas, voltamos a São Paulo hoje, todos no super Palio Azul, já famoso pelos seus mais de 113 mil quilômetros rodados. Um almoço no bandejão, para não perder o costume, e um bom banho em casa, para lavar a alma e refrescar o calos senegalês dessa cidade.
Eis que toca o telefone (e que vocês encontram o lide do meu post): Oi, é a ... da ONG... . Vamos trabalhar? Vamos, lógico!
Começo amanhã mesmo, quinta-feira. Ufa, contas serão pagas!
postado por: guilherme Quarta-feira, Setembro 08, 2004
Palpites pelo mundo:
Sexta-feira
Semana cheia, com despedidas e mais despedidas. Um para a Finlândia, a outra para a França e eu mais para dentro de mim.
Mas, em meio às despedidas, temos os encontros: ontem fui ao Shopping Eldorado encontrar uma amiga virtual - justamente eu que sempre critiquei esse tipo de coisa. Ela uma mulher madura e vivida, com seus 47 anos. Eu, do alto dos meus 20, bermuda e cabelos encaracoladinhos. Nos esbarramos na fonte da praça de alimentação, como combinaramos, nos abraçamos e começamos a colocar o papo em dia.
Nos conhecemos em dezembro de 1998, um período muito fértil na minha vida em salas de bate-papo. Eu tinha 14 anos, ela, 41. Conversávamos sobre tudo, por horas, perambulando nas salas de 40 a 50 anos do ZAZ (alguém aí se lembra?), perdendo tardes inteiras no ICQ. Foi assim até 2003, quando eu entrei na faculdade e deixei a vida internética de lado.
Vejam como ela me conhece bem: além dela, eu só mantive contato constante por tanto tempo com a Elenice!
O que importa é que adorei conhecer a minha super amiga. Contamos causos, últimas notícias do umbigo de cada um, comemos no Viena, tomamos cafés.
Como disse Manuel Bandeira, parece que os olhos dela nasceram e esperaram dez anos até o resto do corpo nascer: que profundidade doída no olhar. Pena que o messenger, o icq ou o zaz nunca conseguiram transmitir esse olhar.
postado por: guilherme Sexta-feira, Setembro 03, 2004
Palpites pelo mundo:
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