Segunda-feira

Há uns 5 anos (nossa, estou me sentindo velho) eu dividi com a Gabriela a descoberta de uma frase muito interessante, atribuída à estilista Coco Channel. Nunca pensei que a tal frase fosse me perseguir por tanto tempo, nem que a idéia por trás dela fosse tão implacável:

"Já não sou o que era; devo ser o que me tornei."

Eu realmente não sou o que já fui, mas tenho medo de ter me perdido. Espero que alguém tenha paciência para ler a bela letra a seguir, Folhas no Ar, composta por Hermínio Bello de Carvalho e pelo Elton Medeiros (que acompanha a Elizeth Cardoso na gravação que eu tenho batucando uma caixinha de fósforos):

"Vou buscar aquilo que foi meu
e que no mundo se perdeu
qual folhas que o vento soltou no ar
ter a mesma paz de antigamente
sair cantando por cantar
qualquer canção sob qualquer luar

(vou buscar aquele amor tão meu
sair andando a perguntar
qual o caminho por onde ele foi
e por onde for irei também
até o coração achar
que simplesmente não achou)*

e aí então vou entender
que ao buscar eu me perdi
de tudo aquilo que eu sou"

*Essa parte não tem nada a ver comigo.

E me admira, depois de tantas mudanças, depois desse novo "eu" sobre o qual eu perdi o controle e que ficou maior que o antigo, aquele cauteloso, que ainda tenha tantos bons amigos, e tantas pessoas maravilhosas ao meu lado, sempre. Sou muito sortudo.

E saibam que sozinho, tanto o eu novo quanto o eu velho já teriam se dissolvido.

postado por: guilherme Segunda-feira, Maio 31, 2004
Palpites pelo mundo:



Terça-feira

Sempre fui meio avesso às tecnologias. Não sou o tipo de pessoa que se recusa a usar um computador (veja que mantenho um blog), ou que não esquenta as coisas no microondas por ideologia (é porque não vale a pena mesmo). E, de repente, me dei conta de que não se pode parar o tempo. E de que as coisas de que eu gosto agora vão sumir, vão se perder.

A minha raiva atualmente tem um foco específico: as câmeras digitais. Eu tenho a clara certeza de que num futuro próximo (com isso quero dizer "antes de eu morrer") os papéis para ampliação só serão vistos em museus, cobertos por redomas de vidro; os negativos, os ampliadores, os químicos envolvidos no processo de revelação e ampliação de uma imagem... tudo isso vai acabar.

Eu odeio a assepsia de um laboratório de informática, de uma "reveladora digital". Me incomoda o limpo em excesso, o moderno, o branco sem manchas e sem cantos para o pó se aninhar.

Escuto vinil. Adoro o chiado, curto o bolor que se forma dentro dos sulcos dos mais antigos. Duvido que no futuro haverá algum prazer em escutar arquivos de MP3 em pequenos "players" portáteis.

E isso é com tudo: mercadinhos, feiras, parques, vendedores de pipoca e de algodão-doce, realejos, mercearias, quitandas, secos e molhados.

Estou indo para onde não posso estar. Meu tempo é, no máximo, hoje. Acho que foi ontem.

Acreditam que alguns têm coragem de me perguntar por que eu não quero ter filhos?

postado por: guilherme Terça-feira, Maio 25, 2004
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Quinta-feira

E, 17 dias depois do último post eu "reinauguro" esse blog, tão caro (pelo menos para mim).

Gostaria de anunciar que estou ouvindo, neste preciso momento (meio-dia da quinta-feira), um CD lindo da Elis Regina. Está tocando Mestre Sala dos Mares, obra prima da música, retocada pela interpretação impecável da Elis.

Aos que pensam que não postei por falta de assunto, enganam-se (mesmo porque para mim TUDO é assunto): foi por excesso de novidades. Elas acontecem tanto e em tão pouco tempo que não dá tempo de escrever tudo.

Vejam que em poucos dias eu consegui confirmar uma das coisas mais legais desse ano: em julho, vou para Buenos Aires de carro. Um carro já está cheio. Se todas as pessoas que fazem biquinho querendo ir quiserem mesmo se aventurar rumo ao sul, dá para encher outro carro - sonhos, sonhos. Estou agora atarefado com trabalhos finais, pequenos reparos no automóvel (para ficar tinindo em julho), informações sobre o trânsito, a gasolina e o custo de vida no Uruguay e na Argentina.

Mas sempre dá tempo para os pequenos grandes prazeres da vida: no começo dessa semana eu reaprendi como se faz ampliação de fotografia P/B. Passei a tarde da segunda e a terça-feira inteirinha fazendo ampliações, e já inscrevi três das fotografias num concurso da prefeitura - quem sabe eu não faturo uma viagenzinha a Paris?

Por peripécia do acaso, uma outra fotografia minha acabou entrando na capa de um jornal laboratório da faculdade: a minha prima (que não sabe da existência da foto) amamentando a minha priminha. Estão lindas a foto e as duas, e eu estou orgulhoso.

Mais novidades nesse intervalo, mas nem todas elas contáveis - ainda!

postado por: guilherme Quinta-feira, Maio 20, 2004
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Estou livre!

Nem todos sabem, mas desde sexta-feira passada, dia 30 de abril, eu estou completamente desempregado - e por vontade própria!

Meu contrato venceu no dia 20 de abril, e eu abri o jogo com o diretor geral de lá: não quero ser contratado, não quero que renovem o estágio. E assim foi feito.

Desde o dia 21, o Silas começou a ir junto comigo para a Rádio e, a partir do dia 30, deixei-o lá, sozinho, para viver a minha vidinha. Acho que é muito cedo para trocar as oportunidades que podem me aparecer por um estágio burocrático, que poderia render uma contratação, um emprego e o congelamento das possibilidades futuras, se é que alguém me entende.

Mas sabe que bate uma saudadezinha do pessoal de lá? As minhas risadas noturnas, um pouco do estresse e da adrenalina, o contato direto com jornalistas e repórteres todos os dias, as conversas secretas no cantinho dos fumantes... Tudo isso me faz falta, mas não compensa as músicas que eu escuto na minha vitrolinha antes de dormir, nem os livros que eu leio, muito menos minha disposição e meu bom-humor pela manhã.

Dessa forma, torno oficial: a partir de agora, posso sair à noite.

postado por: guilherme Quinta-feira, Maio 06, 2004
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Fui cobrado em comentários, e devo admitir: a minha gatinha continua sem nome definido (SND). Eu grito pela casa "Gata, Gata", que é o nome da gata do Bruno e um bom nome - sonoro! Mas ninguém concorda: uns dizem Nala, outros Ella, outros (o veterinário) Norah, alguns amalucados dizem Creuzinha, e assim a gata continua anônima.

Mas está cada vez maior, com aqueles pêlos chiquérrimos (cor fumaça, segundo o vet) e a charmosa cara amassada de Persa.

postado por: guilherme Quinta-feira, Maio 06, 2004
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