Quarta-feira

Mas que país sem noção, hein?

Outro dia eu fui abastecer de madrugada; perguntei ao frentista, como faço todas as vezes, se o cartão Visa estava "passando".
- Sim, como não!
Pedi trinta reais de gasolina, pensando em como eu gasto com combustível. Entrei na loja de conveniências para passar o cartão, a pobre atendente (Rejivane, o nome dela) passou o cartão, eu digitei a minha senha e nada aconteceu. Alguns segundos depois, aquele maldito apito, típico dos aparelhos eletrônicos quanto não funcionam: "pééé".
A Rejivane passou de novo o cartão. E de novo. E mais outra vez. Nada. "A conexão Bradesco caiu!"

Que conveniente, não? Às duas da manhã, morrendo de fome e sem ter como pagar o posto.

Perguntei o que eu podia fazer: "Ah, deixa alguma coisa."
Caí na besteira de perguntar o que eles queriam que eu deixasse: "O estepe".

Ah, mas que absurdo! Se fossem duas da tarde, teria armado um auê, ligado para o Procon, pêgo o carro, fugido, atirado alguma coisa na cara da Rejivane. Não. Soltei o estepe e entreguei para o frentista.

No dia seguinte, perdi quase meia hora entre pagar a dívida e reaver o pneu reserva - a falta de respeito total.

...

E, alguns dias depois do acontecido (ontem), eu abasteci de novo em outro posto e comentei o acontecido com o caixa. Fiquei surpreso quando ele disse que lá eles não aceitam o estepe - simplesmente ficam com a chave e não deixam a pessoa ir embora.

Não sei se estou andando muito com o Silas, mas perdi a minha paciência com coisas que não funcionam neste país. Falta de respeito.

postado por: guilherme Quarta-feira, Abril 28, 2004
Palpites pelo mundo:



Quinta-feira

Eu acho que eu vi um gatinho...

Aqui em casa a idéia de termos um gato sempre foi repudiada. Primeiro, porque eu tinha alergia a gatos; segundo, porque a gente tem um cachorro enorme no quintal; por último, eu acho, o instinto dos gatos é um tanto quanto rueiro - e, cá para nós, é muito triste perder um bichinho assim.

Mas, por algum encanto, neste último domingo eu ouvi umas conversas estranhas aqui em casa: "precisamos de um gatinho, o cachorro já está velhinho, precisa de companhia..."

Ah, nem pensei duas vezes. Perdi a tarde da segunda-feira atrás do bichano. Nada. Cheguei até perto de um gato preto, filhote, coisa mais linda do mundo, mas a veterinária não quis me dar - disse que precisava ter a certeza de que eu castraria o animal. E eu não estava pensando em castrar.

Mas, pensei eu, de terça-feira não passará! Cheguei tarde na faculdade, não teve aula (oh!) e e fui, ainda antes do almoço, na Cobasi, uma imensa loja de animais. Nada de filhotinhos para doação, só gatões. Voltei triste. Peregrinei um pouco pela USP e, ainda assim, nada! Os meus contatos iam furando, um depois do outro.

"Mas não pode ser amanhã? NÃO! Quero hoje!"

Depois do almoço de terça, fui com a Lia até uma loja perto da Cobasi que deveria ter bichinhos; não existia mais. Dali, partimos para uma Praça na São Gualter - vimos uns 4 gatos adultos, lindos; nenhum filhote. Próxima parada - Pet Shops da Heitor Penteado: BINGO!

Numa das lojas da rua, a segunda em que parmos, estava lá: uma gatinha, de quarenta dias de vida, saudável e forte, mista de persa com vira-lata (isso quer dizer que tem focinho amassado como o meu cachorro, mais os pelos longos de um gato persa), carinhosa e brincalhona.

Estou radiante com meu novo bichinho.

postado por: guilherme Quinta-feira, Abril 22, 2004
Palpites pelo mundo:



Terça-feira

Um isqueiro preto, mais uma historinha!

Neste último domingo de Páscoa, enquanto muitos almoçavam com seus queridos, eu trabalhava - alguém tem que sustentar este país, não? Estava na estrada, fazendo a cobertura do trânsito na volta do feriado. Dia agradável, pouco sol, clima ameno. Mas, depois das 4 da tarde, a coisa começou a apertar: congestionamentos quilométricos nas rodovias e eu tentando informar sem emoções o que eu via - a tragédia, a catástrofe, um dilúvio de carros (ok, eu admito, essa eu usei no ar).

Deu meia-noite, a Castelo com 50 quilômetros de congestionamento. Eu resolvi ir para a Central de Operações da ViaOeste, a empresa concessionária que administra a rodovia. Lá chegando, conheci as trâs atendentes que me informam, por telefone, a condição do trânsito na estrada. E que coisa maluca dar um rosto para vozes tão conhecidas! A Dinorah, mais simpática de todas as atendentes que eu conheço, me recebeu super bem. Ela é bem maior que a Dinorah que estava na minha imaginação, com os cabelos mais revoltos e ainda só enxergava com um dos olhos. E foi ela quem me emprestou o isqueiro preto, que eu esqueci de devolver - e que vai para sempre me lembrar de como a nossa imaginação é traiçoeira!

Vide Maria Creuza!

postado por: guilherme Terça-feira, Abril 13, 2004
Palpites pelo mundo:



Sábado

Ontem meu carro virou os 100.000 quilômetros. Foi um momento lindo: eu estava na marginal Pinheiros, seguindo para o trabalho; o sol batendo de leve mais ou menos do meu lado direito. Levantei os óculos escuros, aumentei o volume do rádio (estava tocando alguma peça sacra de Schumann) e vi aquele mar de noves, aquele dilúvio noviniano, girar inteiro, de uma só vez.

Por mais tolo que possa parecer, tive um sentimento de renovação.

Agora já está com 100.060 quilômetros. Qual a graça?

postado por: guilherme Sábado, Abril 10, 2004
Palpites pelo mundo:



Desde que voltei do Rio, ando um pouco melancólico. Acho que é porque a vida de verdade não brilha tanto quanto a vida que levamos num feriado, num final de semana, numa viagenzinha à toa.

Na minha melancolia, só quero música sacra. Estou caçando no meio dos meus discos e cds qualquer coisa que seja sacra e, claro, bonita.

Por enquanto as duas eleitas são Glória, do Vivaldi (que coisa fudidamente linda, com o perdão do advérbio) e, claro, a Paixão Segundo São Mateus, do inigualável Bach. Os cantos, em alemão, estão me cortando a alma neste instante.

"Buss und Reu"

postado por: guilherme Sábado, Abril 10, 2004
Palpites pelo mundo:



Saudades das minhas Havaianas...

Vou contando drops da minha viagem ao Rio, para não ficarmos cansados (nem eu, que passo a minha solitária Páscoa trabalhando e postando no blog, nem vocês, corajosos que entram aqui regularmente).

Depois de ver o show da Maria Creuza, em Ipanema, caminhamos um pouco por aquelas ruas tão agradáveis* e fomos até a pousada - que ficava longe do centro, e por isso mesmo tinha um preço mais aprazível e uma vizinhança mais tranqüila.

No dia seguinte, fomos curtir o mar de Ipanema. O tempo não ajudou muito, mas estava até gostosinho. A água, uma delícia. Numa das minhas incursões ao mar, algum carioca malandro e "ixpierto" surrupiou o meu par de havaianas do Projeto Tamar, chinelos que meus pais trouxeram da Bahia e que eram simplesmente lindos. Andei descalço aquele dia inteiro, e outros mais. E estou agora com as havaianas velhas, aquelas que eu comprei por cinco reais em Parati, no ano passado.

Chinelos, dinheiro, desgaste emocional - a beleza do Rio e a diversão dos 2 dias e 2 noites que passamos lá compensam tudo. Tudo mesmo.

* Depois de matutar um bocado, descobri que as ruas são agradáveis porque são planas, estreitas, têm construções majoritariamente residenciais e baixas e não têm fios em postes - tudo é subterrâneo. Ah, minha cidade maravilhosa!

postado por: guilherme Sábado, Abril 10, 2004
Palpites pelo mundo:



Quinta-feira

Algumas coisas devem ser mantidas somente na memória, no passado, nas recordações... sabiam?

Eu já devia saber.

Neste último final de semana, fui em viagem ao Rio de Janeiro para assistir ao show da Maria Creuza. Endereço na cabeça (Rua Vinícius de Moraes, número 39, em Ipanema), entramos lá eu, a Lia, a Paulinha, o Silas e o Thiago. Trinta e cinco reais por cabeça.

Subindo as escadas, aquele cheiro característico de mofo, de cigarro, de lugar fechado. Uma mesa num canto, uma cerveja gelada. Em volta, um monte de gringos emperequetados, alguns poucos cariocas e nós, maltrapilhos - ainda guardo cá para mim a impressão de éramos os mais decentes do recinto.

Tudo em volta exalava decadência. Os estofados velhos, a luz indireta azul, os garçons com coletinhos pretos, o balcão, o piso, tudo. Quando deu a hora, Maria Creuza se aproximou do microfone.

Está muito gorda. Parecida com a Alcione. A voz, nada parecida com o que está registrado em vinis e CDs - está fina, cheia de stacattos. Não é feia, só não é a minha Maria Creuza.

Aquela Maria Creuza que vai ficar sempre intocada na minha memória e nos bancos de dados gravados por aí.

postado por: guilherme Quinta-feira, Abril 08, 2004
Palpites pelo mundo:



Vejam só: tenho tantas coisas na cabeça e não consigo escrever nada.

É, meu amigo, nem só de racionalismo vive um homem.

postado por: guilherme Quinta-feira, Abril 01, 2004
Palpites pelo mundo:





Autopsicografia
Chebel
FocoFocas
fragmentário
Minhas Letras
Observatório da Palavra
Only a Girl
Torre de Papel




Atual
Arquivo